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Redes Sociais: tendência ou modismo?
02/09/2009
Se pararmos para pensar
na quantidade de sites “quentíssimos” que aparecem por dia, isso
nos tomaria, provavelmente, o mês inteiro. Boa parte deles, contudo,
some no limbo cibernético da mesma maneira como surgiram. O maior
exemplo foi, sem dúvida, a rede social 3D, Second
Life.
Para profissionais de marketing do mundo inteiro, tais ondas
têm sido um verdadeiro pesadelo. A pergunta que ecoa nos
departamentos de marketing “onde alocar no meio digital a verba de
marketing da empresa?” parece ter uma nova resposta a cada dia, ou
melhor, a cada tweet.
A mudança é a única certeza e
constância. Empresas se debatem entre criar um blog, um perfil no
Orkut ou uma conta no YouTube, mas nada disso parece fazer muito
sentido quando visto em conjunto.
A grande onda atualmente são as
redes sociais. O Orkut é um fenômeno no Brasil e até redes
obscuras como meusparentes.com.br têm seus dias de glória. Empresas
têm criado suas próprias redes sociais em sites 2.0 como o Ning e
não parecem saber como lidar com elas de maneira lucrativa.
Redes
Sociais são assunto no mundo inteiro e, no Brasil – país em
que o consumidor passa mais tempo no Orkut do que no seu próprio
e-mail – mais ainda.
No entanto, a dúvida de que as redes
sociais são um modismo ou uma tendência parece não se resolver
tão fácil. Diante disso, vamos refletir um pouco sobre o
assunto.
Sempre abro minhas palestras com um slide que tem uma
simples frase: “A Internet não é uma rede de computadores, é uma
rede de pessoas”. Seguindo tal raciocínio, podemos concluir que
toda a Internet de outrora fora somente uma ponte para chegarmos ao
caminho que trilhamos hoje – o do relacionamento online.
A
Internet atualmente se transforma em um grande conjunto de “nós”.
Nos dois sentidos da palavra, é o tecido que envolve nossa
existência das mais diversas maneiras, desde os e-mails corporativos
que trocamos freneticamente durante o dia até a pergunta “Você
tem Orkut?” que um adolescente faz para sua paquera à noite.
A
Internet deixou de ser uma mídia para ser um ambiente. Uma brecha
virtual no espaço-tempo na qual temos experiências de
entretenimento, de troca e acúmulo de informações, de comunicação
e de compras. Torna-se a cada dia em uma maneira de exercermos cada
vez mais a nossa própria cidadania, a nossa própria condição
humana na era da informação e do conhecimento.
Sem as pessoas,
porém, a Internet seria apenas uma cidade fantasma. Poderia ter seus
prédios e edificações, porém, sem vida, se tornaria apenas um
cadavérico conjunto de fios, hubs e sites que de nada serviriam.
Sendo assim, a Internet acaba por ser o reflexo do próprio ser
humano, desempenhando seus papéis sociais, sejam eles o
profissional, o de pai, marido etc.
Penso que o conceito de redes
sociais não é um modismo, é a própria essência da web. O que
temos que analisar, porém, não é o conceito, mas sim, as
ferramentas. Quando se fala em redes sociais, nos vêm à
mente de forma imediata o Twitter e o Orkut.
A pergunta certa não
é se o conceito de Redes Socias é um modismo ou não, mas
sim, se o Twitter e o Orkut o são.
Redes Sociais dependem
do chamado “efeito fila de balada” - estou lá porque todos
estão. Demandam massa crítica para se tornarem de fato sociais,
senão, acabam não prosperando e morrem. São como inovações
tecnológicas natimortas, que ficam ultrapassadas antes mesmo do
lançamento por terem perdido o “timing”, como aconteceu com a TV
de plasma frente aos novos modelos de LCD.
O Orkut, campeão
entre os brasileiros, já sofre a ameaça do Facebook. O Twitter, que
ainda reina sozinho no universo dos microblogs, já percebe breves,
tímidas e “betas” iniciativas de concorrentes como o Meme, do
Yahoo, e o Yammer.
A Guerra das Redes Sociais está apenas
começando, porém, as ferramentas ainda mudarão bastante durante os
próximos anos. Estamos apenas no início da evolução tecnológica
que possibilitará que a rede social esteja presente em toda a
parte, desde nossas TVs digitais até nossos celulares.
Imagine
poder escolher um filme em uma locadora virtual, como o que a Saraiva
Digital já está fazendo, mas, acessando uma enorme base de resenhas
e opiniões sobre ele por meio da própria TV.
Imagine, antes de
comprar um vinho no supermercado, poder ler o código de barras do
produto por meio do seu celular e acessar opiniões e críticas sobre
o seu aroma e safra.
Imagine cadastrar seu “perfil” no celular
e, quando estiver andando em um local público em que outra pessoa
com um perfil similar ao seu se aproximar, o celular dos dois
vibrarem.
Prever o futuro atualmente é uma profissão muito
perigosa e não vou me atrever a fazê-lo aqui, prefiro comentar
sobre o presente. Tais exemplos são apenas uma prévia do que virá
para o Brasil, mas que já acontece em outros países.
O conceito
de redes sociais não irá acabar, portanto, se trata de uma
tendência irrevogável devido ao simples fato de que tal conceito se
confunde com a própria estrutura da internet. Suas ferramentas, sim,
essas certamente se tornarão cada vez mais complexas para que fiquem
cada vez mais simples e eficientes na sua função principal –
tornar a web verdadeiramente social.
* Conrado Adolpho é publicitário, blogueiro, palestrante, consultor e especialista de internet. Diretor da Publiweb Marketing Digital, é formado em marketing e pós-graduado em economia. Atua há mais de 10 anos no mercado e é um dos primeiros profissionais no Brasil a ser certificado pelo Google com o “Google Qualified Individual”. O palestrante é o brasileiro que mais vendeu livros de marketing no país em 2008, com o livro “Google Marketing” - o 4º livro mais vendido no ranking geral de livros de marketing, ao lado de Philip Kotler e Paco Underhill.
Autor: Conrado Adolpho
