Blog: líder (de novo) de uma nova era – o Lifestream

Os blogs já tiveram seu dias de hype, hoje alcançaram uma maturidade maior e encontraram seu papel na sociedade digital. Quando o Twitter começou a crescer no Brasil muita gente especulou que seria o fim do blog, não vejo sentido nessa afirmação.

Também se especulou que com Flickr, Twitter e YouTube, os blogs perderiam a sua função de “diário online”, porque quem quisesse postar vídeos teria seu canal no YouTube, quem quisesse postar fotos teria seu perfil no Flickr e assim sucessivamente. Também não vejo sentido nessa afirmação. Explico o porquê. O blog está mudando seu papel na sociedade digital.

Segundo Jorn Barger, o inventor dos blogs, um blog acaba sendo “um registro de todas as URLs que você quer guardar e compartilhar”. O blog vira uma central de hipertexto que terá posts cada vez mais linkados, para alguns mercados, posts cada vez mais curtos, se aproximando do Twitter, e com links diversos para outras publicações para que o leitor aprofunde o conhecimento sobre aquele tema o quanto desejar.

Links de outras publicações – fotos, vídeos etc. – que o próprio blogueiro produziu e outras que o blogueiro descobriu. Uma espécie de agregador de conteúdo da vida digital do blogueiro. O Blog não irá morrer, apenas mudará um pouco seu formato devido à entrada de novos players.

O blog foi o precursor da descentralização da informação. Eliminou, como já vimos, o controle da informação pela grande mídia. Até então, a informação era controlada e produzida de maneira centralizada e parcial. Pela própria natureza da internet, criada por militares como uma rede de informação descentralizada – conceito gerado pelo medo de uma hecatombe nuclear -, o cedro do poder sobre a informação agora está dividido entre milhões e milhões de usuários.

Agora, o blog passa pela descentralização de seu papel. Antes, se tudo era produzido nos seus posts, hoje a produção pessoal é espalhada pela web. Vivemos em uma época do consumer-generated-media. Qualquer um pode produzir sua própria notícia, seu próprio programa de TV no YouTube ou de rádio, seu próprio e-book e vendê-lo no Lulu.com, sua produção fotográfica está no Flickr, suas apresentações de Power Point e webcast, no SlideShare.

A independência dos usuários e a cada vez menor subserviência às grandes mídias criaram uma nova realidade. Os blogs são os precursores da popularização da veiculação de conteúdo próprio. Blogs são fáceis de criar e de manter – tudo o que é necessário na web.

O poder dos blogs vem principalmente do fato de serem eles a verdadeira expressão do pensamento dos usuários na web. Não dá para expressar alguns pensamentos em 140 caracteres, dá apenas para falar qual o tema deste pensamento, e que ele está na íntegra no blog. O blog tende a se tornar cada vez mais simples. Uma boa dica nesse sentido é o Posterous.

Há uma tendência também entre escritores e jornalistas que o blog seja seu espaço de expressão pessoal por meio de textos. Assim como o Flickr é para fotos e o YouTube é para vídeos, o blog é para textos e agrupamento de links para outros lugares.

Pelos parágrafos acima podemos perceber que os blogs estão se tornando agregadores de conteúdos externos produzidos ou descobertos pelos seus blogueiros. Um blog acaba sendo uma rede social de sites. A web 2.0 em si promovendo a relação não somente entre pessoas, mas entre os próprios sites.

Os blogs cada vez mais tendem a se transformar em ferramentas sociais. Dada à enorme quantidade de ferramentas sociais de que dispomos – e o blog sendo um natural agregador de conteúdo e links – em pouco tempo não fará mais sentido acompanharmos fotos, vídeos, textos e mensagens de uma pessoa espalhadas por toda a web, fará sentido seguirmos a pessoa, não seu conteúdo. Isso é o que estão chamando de “lifestreaming”.

O WordPress já está seguindo essa tendência. Lançaram o problogue, adquiriram o BuddyPress, uma série de plugins que permite ao WordPress se transformar em uma rede social, como no post do Tiago Doria sobre o assunto.

O blog irá se reinventar. Redefinir o seu papel.

A mudança será que ao invés de seguirmos o conteúdo produzido no blog pela pessoa que administra o blog, seguiremos o conteúdo produzido por essa pessoa em toda a rede. Partindo do pressuposto de que, no fundo, sendo a internet uma rede de pessoas, não seguimos conteúdo, seguimos as pessoas. Porém, o reflexo delas é o conteúdo que produzem. Você é o que produz, porém, essa frase começa com a palavra “você” e não com a palavra “conteúdo”.

No Lifestrem Blog há dezenas de ferramentas de lifestream para você começar a exercitar este novo conceito na sua empresa. As mais populares são a SocialThing, o Tumblr e o FriendFeed. Vale a pena conferir.

Fonte: iMasters