Tem coisas que só escutando para explicar. A beleza de uma bela melodia, por exemplo. Ainda não inventaram as palavras para descrever alguns sentimentos. Coltrane em mais um de seus momentos inspirados. Afrouxe um pouco a gravata e se permita curtir uma das muitas coisas que essa vida nos traz de mágico.
Se vocês sabem como gosto de música devem imaginar o prazer que senti ao me deparar com um documentário sobre Vinícius de Moraes no Google Vídeo. Abaixo vocês terão de sentir o mesmo prazer que senti.
Com depoimentos inéditos, emocionantes e hilários sobre a vida de Vinícius, o documentário conta com presença de Chico, Caetano, Betânia e muitos autores, poetas, filósofos e cantores. O documentário mostra um Vinícius que quem tem menos de 35 anos pouco conhece.
Vinícius não foi somente um homem que transcreveu o amor em palavras - foi fundamentalmente um homem que viveu o amor. Advertência: se você estiver descontente com a sua vida, é melhor não assistir esse documentário, pois pode querer jogar tudo para o alto e viver o amor em sua plenitude…sendo feliz.
A música, sempre está comigo. Para quem lê o meu blog (ou está escutando minha rádio online) sabe disso.
Acabo de adquirir um livro que recomendo a todos. Na onda das 1000 isso, 1000 aquilo, agora temos o “1001 discos para se ouvir antes de morrer”. Dois pontos me chamaram atenção nesse livro.
Primeiro que o nome é “discos” mesmo. Não é CD, MP3 ou qualquer outra denominação pós-moderna. É disco como era há 20 anos (sim, eu sou dessa época).
Outro ponto que me chamou a atenção é o esforço pelo “não-umbigo-norte-americano-centrado” comum nesse tipo de obra. O organizador da obra e seus 90 críticos, deuses que escolheram os tais 1001 discos, incluiram uma penca de discos brasileiros - tem Construção (Chico), João Gilberto e Stan Getz, Mutantes, Clube da Esquina (Milton e Lô Borges), Carlinhos Brown, Bethânia, Bebel Gilberto e o escambau. Os gringos resolveram abrir um pouco as vistas para nossas terras latinas. Deve ser a crise que está mexendo com a cabeça deles…eles nunca foram disso…
Brincadeiras a parte, a música brasileira sempre foi bem reverenciada lá fora. Ei! Mas cadê “João Bosco 100ª apresentação”? Cadê “Catavento e Girassol” (Guinga e Leila Pinheiro)? Onde foi parar “Elis & Tom”? “Os afro-sambas de Baden e Vinícius” nem pensar….e cadê “Tim Maia Racional”? Não dá para querer tudo, afinal. Já está muito bom ter tantas obras brazucas sendo agraciadas no livro.
Porém, se não temos algumas obras brasleiras importantes no “1001…”, temos um outro livro para complementar - “Os 100 melhores CDs da MPB”, de André Domingues. Muito bom - bons discos (digo, CDs), boas histórias.
Mas ainda falta muita coisa boa…afinal, só 100 para tantas obras raras brasileiras. Deveriamos ter também os “1.001 Discos da Música Brasileira”. Fica para a próxima.
Nem “Catavento e Girassol” nem “João Bosco 100ª apresentação” estão em nenhum dos livros. Chego à conclusão de que cada em terá a sua lista e lançar um livro desses é um ato de coragem. Chamar para a briga, mesmo. Melhor na opinião de quem?
Alguns vão falar - Peraí, e a trilha sonora de “Xuxa contra o baixo-astral”?
Apesar de não ter todos os 1.001 discos globais e os 100 discos (digo, CD…) nacionais que você certamente elege como os melhores para você, vale a pena comprar os dois livros para passear um pouco pelas tendências musicais e ler as histórias impagáveis de várias das obras mecionadas.
É engraçado, mas poucos que me conhecem sabem que sou afccionado por jazz. Sou capaz de escutar por hora a fio suas linhas melódicas e, recentemente descobri que escutar jazz enquanto estou trabalhando aumenta meu rendimento em pelo menos 200%. Principalmente Bebop.
Engraçado, não é?
As improvisões sobre o tema, comuns no jazz, levam muito - inclusive a mim - ao delírio. A música leva-nos a um estado alterado de consciência em que naquele breve momento do acorde o mundo sucumbe à melodia. Um momento mágico.
De vez em quando vou deixar uns posts de artes em geral, que por sinal, gosto muito. Pintura - com destaque para a arte impressionista e barroca - dança - com destaque para flamenco e tango - escultura e muita música.
Música é uma locomotiva para mim. Cada acorde é um movimento do pistão que não apita mas assovia canções. Com relação ao jazz, talvez goste tanto dele porque sua natureza remete a um assunto que volto sempre nesse blog - o caos e a ordem. A entropia da mente, da criação e do universo gerando uma explosão criativa inexplicável.
Não dá para começar a falar de jazz sem falar de Miles Davis. Esse, que sem dúvida alguma, é um dos maiores expoentes desse estilo, foi magistral ao seu trompete calmo, com personalidade e extremamente melódico. Ele influenciou todas as gerações de músicos (de jazz e de vários outros estilos) que vieram depois dele.
Para quem está começando a ouvir jazz (Nada de Kenny G., pelo amor de Deus), escutar Miles pode ser uma dádiva. Aconselho começar com o que foi uma de suas principais obras e que é um dos álbuns mais famosos do mundo - Kind of Blue.
Entre 1955 e 1957, Miles Davis imortalizou o que se chamou de Miles Davis Quintet. Em 1959, Miles volta a reunir alguns elementos do quinteto e grava Kind of Blue.
Participam do disco:
Miles Davis - Trompete;
Julian “Cannonball” Adderley - Sax Alto
John Coltrane - Sax Tenor
Wynton Kelly - Piano (Faixa 2)
Bill Evans - Piano
Paul Chambers - Contrabaixo
Jimmy Cobb - Bateria
É mais ou menos como reunir em um mesmo time o Pelé, o Maradona, O Zico, O Ronaldinho, o Garrincha, o Romário e o Ronaldinho Gaúcho. Como técnico: Bernardinho. Um time de primeira linha que não poderia resultar em nada menos do que um dos melhores discos de jazz de todos os tempos. (Você estranhou a palavra “disco” - lembre-se que estamos em 1959)
Abaixo, deixo um presente para vocês. Um vídeo da gravação de So What, primeira faixa do Kind of Blue. Vale à pena cada nota. Gravação de 1958 com Miles e Coltrane.
Trabalhar ouvindo música para mim é fundamental. Preferencialmente Jazz, Blues, Soul, Bossa nova, Classic Rock e outros na mesma linha. Que me desculpem os setanejos e pagodes, mas um bom Miles ou Aretha não admite comparações.
Uma dica que dou nessa linha é o site www.radios.com.br, que traz uma porção de rádios de todo o mundo. A dica vai para a rádio Eldorado, que traz uma seleção musical invejável. Rádio USP e Kiss FM também não deixam a desejar, mas cada uma tem seu dia.
Rádio USP tem uma linha mais para o lado de Geraldo Azevedo e Tom Jobim enquanto a Eldorado tem uma linha mais Billie e Supertramp.
Rádio Kiss, todos já devem conhecer como um ícone do Classic Rock (89 FM? Não, obrigado). De Velvet a Led, 100% Classic Rock.