Comércio Eletrônico como solução para a Crise global
Não se fala em outra coisa – crise!
Palavras como “Subprime”, “Pacote de US$ 800 bi” e “recuperação da economia” nunca foram tão citadas e já nos são praticamente íntimas. Uma busca no Google pela palavra “subprime” nos remete mais de 11 milhões de resultados, e eu nunca tinha nem ouvido falar nessa palavra.
Em meio a tantas tormentas e mudanças, é lógico que a primeira preocupação é o “meu emprego”. A crise já cortou cabeças e que, pelo jeito, continuará cortando.
O problema não são as cabeças cortadas, mas aquelas que não sairão do cesto tão cedo. Da diretoria ao chão de fábrica, muita gente vai ter que apertar os cintos e colocar o seu “plano B” em ação (você tem um “plano B”, certo?).
Muita já se falou sobre o fim do emprego clássico – aquele com carteira assinada, para fazer carreira e com aposentadoria no final do arco-íris. A crise parece apenas acelerar esse processo.
O medo da perda do emprego parece ter sua gênese no papel que o trabalho tem na sociedade. Perder o emprego se aproxima da própria morte. A sensação de vazio é talvez ainda pior. O executivo moderno teme pelo seu emprego porque tem no seu trabalho um pano de fundo para sua própria existência.
Li certa vez em uma entrevista do Luli Radfahrer,
“O líder corpo¬rativo típico é um escravo conveniente. Como é carente, faz de tudo para não perder o poder e regalias que, na realidade, não lhe pertencem. Do carro da firma às relações de respeito e bajulação, tudo desaparece quando se é demitido. Em outras palavras, é um vício que cor¬rom¬pe, pouco importa seu back-ground”,
Compartilho dessa opinião, em certo grau, sei que tal estilo de vida acaba sendo uma troca entre o que você almeja em termos de status e o que a sua empresa precisa para alcançar suas metas surreais de valorização de suas ações.
Existem pessoas, contudo, que trabalham no que gostam, não passam pelo medo da perda do emprego, têm melhor qualidade de vida, passam mais tempo com a família e ainda ganham mais do que ganhariam em uma multinacional. O negócio que esses “felizardos” estão se chama Comércio Eletrônico.
Essa notícia pode ser um grande alívio para muitos executivos que hoje não suportam mais ouvir palavras como “validação”, “reunião de consistência” ou “desempenho”.
O fim do emprego clássico e a dificuldade de encontrar espaço no mercado de trabalho são hoje uma das maiores preocupações do ser humano em nível global, não importa a nacionalidade.
O “plano B” de muita gente é montar um negócio, seguindo a grande aptidão nacional para o empreendedorismo. Para quem está pensando em montar um negócio próprio afirmo que montar um negócio de Comércio Eletrônico é a melhor opção, tanto em questão de qualidade de vida quanto em possibilidades de ganhos.
Vamos entender porque:
O tíquete médio do brasileiro em 2008 foi de R$328,00 sendo que, no período natalino, o tíquete médio chegou a R$346 reais por consumidor (o movimento somente no Natal foi de R$1,25 bilhão). Pense em quantos produtos não poderia vender por R$328,00 na média.
O valor de R$328,00 é uma média do setor e mostra que o comprador online tem um bolso mais generoso do que o offline para comprar o que deseja. Para se ter uma idéia dessa diferença, no Magazine Luíza, as vendas pelo site têm tíquete médio de R$ 600, nas lojas físicas, cerca de R$300,00.
Falar um pouco dos números do Magazine Luíza na Internet é exemplar, uma vez que a rede de lojas tinha seu foco estritamente no meio offline e foi uma das pioneiras em incluir o digital em sua estratégia tratando esse canal com muita competência. Em 2007, o Magazine vendeu R$336 milhões pela internet, o equivalente a 12% de seu faturamento anual de R$ 2,8 bilhões. O site do Magazine Luíza é a maior regional de vendas da empresa.
O crescimento do Magazine Luíza em 2007 foi espantoso, 33%, mas o crescimento das vendas virtuais foi de 52%.
Esse crescimento tem motivos bem claros: um trabalho bem feito e a dupla vantagem do meio virtual se comprado ao meio físico. Além do maior tíquete médio do meio digital, ainda há a margem maior devido a menores investimentos em infra-estrutura física, comissão de vendedores etc.
O maior crescimento das vendas virtuais frente ao crescimento das vendas físicas ainda continuará por muitos anos. Estamos apenas no início dessa onda.
Não só a quantidade de compradores online está aumentando de forma significativa como também o número de pessoas que estão inclinadas a comprar online. Dois terços dos internautas brasileiros acessaram sites de compras em julho de 2008, segundo a ComScore.
Categorias mais populares em julho/2008:
- “Eletrônicos de Consumo”, com 8,5 milhões de visitantes
- “Livros”, com 3,1 milhões
- “Brinquedos”, com 1,5 milhão
- “Esportes/lazer”, com 1,5 milhão
Produtos mais vendidos no primeiro semestre de 2008:
- Livros (17%)
- Produtos de informática (12%)
- Saúde e beleza (10%)
- Eletrônicos (7%)
É sempre bom compararmos o mercado brasileiro como mercado americano, embora sejam mercado bem diferentes sob muitos aspectos, guardam algumas semelhanças e a comparação é válida principalmente porque o mercado americano é um mercado maduro e pode representar de certa forma o que o mercado online brasileiro pode chegar daqui a alguns anos.
Nos EUA, uma pesquisa da empresa ShopLocal com o comércio varejista norte-americano mostra que 21% dos consumidores compram online, embora muitos usuários façam pesquisas online antes de comprar em lojas perto de casa. O número médio de páginas visitadas nos sites de comércio foi de 12,3 em junho de 2008. As categorias mais procuradas foram comida e medicamentos, com crescimento de 47% em relação a 2007. A categoria menos procurada foi a de casa e jardim. (WebProNews, 22.7.2008).
O comércio eletrônico no Brasil, atualmente, é uma das grandes vedetes desconhecidas da maior parte dos empresários do país e, por isso mesmo, uma ótima oportunidade de negócios para quem souber trabalhar nesse segmento de maneira profissional, responsável e ativa.
Ao contrário do comércio tradicional – offline – o comércio eletrônico ainda não alcançou níveis significativos de concorrência (o principal fator para a esmagamento da margem de lucro) e, dos poucos concorrentes por setor, a maioria só faz o básico do que deveria, e ainda por cima mal feito.
Com isso quero dizer que, além da relativamente baixa concorrência, ainda existe uma grande oportunidade de diferenciação e ganho de mercado.
Outra informação pertinente é que estamos em um mercado crescente, que dia a dia ganha novos compradores. Em mercados crescentes sua empresa não tem que lutar para tirar clientes de ninguém, que é sempre mais difícil, mas sim, ganhar os novos que ainda não se decidiram por nenhum player – o que é sempre mais fácil.
O Brasil fechou 2008, com cerca de 13 milhões de compradores online — 35% a mais do que em 2007.
Um ponto importante com relação a esses dados é que uma boa parte desses compradores são marinheiros de primeira viagem, ou melhor, de primeira compra. Porém, a quantidade de compradores que já fizeram mais de 4 compras nos últimos seis meses está aumentando rapidamente, o que mostra uma experiência positiva por parte deles. Quem compra pela Internet uma vez e vê que a experiência foi positiva, passa a comprar mais.
Esse comportamento mostra não só que há uma demanda crescente de novos compradores como também de compradores que já estão fidelizados pelo meio.
O crescimento no faturamento foi cerca de 30% em relação a 2007, deve estar bem claro para você que tal crescimento percentual está longe da realidade de qualquer outro segmento de mercado.
A possibilidade de parcelar compras em até 12 vezes e de pesquisar rapidamente os preços faz com que o e-commerce sinta menos os efeitos da crise financeira do que o varejo físico.
Com os dados acima, percebemos o potencial do segmento de comércio eletrônico, porém, o que muitos me perguntam é “e-commerce no Brasil dá dinheiro mesmo?”
Quanto a essa pergunta, posso lhe dizer uma coisa – se até o professor Pasquale ganha dinheiro, e fazendo algo que ninguém gosta – dando aulas de português -, posso garantir que dá dinheiro, sim. Mas tem que ser bem feito, senão, nem poço de petróleo dá dinheiro.
Vamos primeiramente esclarecer de uma vez por todas uma coisa: ficar rico não é uma questão de dinheiro, é uma questão de atitude.
Muitas vezes acreditamos que as pessoas que ganham centenas de milhares de reais por mês não trabalham e, na realidade, vivem viajando e curtinho a vida. Pode acreditar – isso só é verdade para uma minoria que provavelmente já nasceu milionária (e que se continuar com tal comportamento, logo, logo irá fazer parte do time dos endividados).
Enriquecer é uma questão de dar prioridade às coisas certas, ter dedicação e foco, ser flexível e aprender com os erros, estudar e obter conhecimento sobre o seu mercado e, sobretudo, ter muita força de vontade.
Para obter sucesso em seu negócio, seja eletrônico ou não, é preciso que tenha comprometimento com o seu futuro e com você mesmo. De nada adianta querer enriquecer se não está disposto a pagar o preço para tal.
Falando assim, parece que a sua vida vai girar em torno disso, e tenho que ser sincero com você – na maioria dos casos é isso que vai acontecer mesmo. Estou excluindo aquelas pessoas que têm uma idéia genial que se vende sozinha e que um mínimo esforço se traduz em grandes quantias monetárias.
A maioria dos mortais vai ter que enfrentar a concorrência, o mau-humor do mercado e a fuga de clientes.
Para lidar com tudo isso, muitas vezes o negócio vai representar uma boa parcela da sua vida – e, algumas vezes, a da sua família também.
Para suportar por tanto tempo quanto for preciso uma vida de dedicação à sua causa, só existe uma maneira: é preciso gostar do que faz e acreditar que tudo dará certo no final. Sem isso o fantasma da dúvida o assolará dia a dia até tornar o seu trabalho insuportável.
Esse é o lado ruim da história, porém, o lado bom é que, caso tenha tais atitudes, os prêmios serão muitos e virão em quantidades cada vez maiores.
Quer alguns exemplos de e-commerces?
- BitCão (www.bitcao.com.br) – PetShop – Faturamento anual: R$1,2 milhões
- CCFácil (www.ccfacil.com.br) – Consulta de crédito – Faturamento anual: R$10 milhões
- Eletrônica Santana (www.eletronicasantana.com.br) – Eletroeletrônicos – Faturamento anual: R$8 milhões
- Virid (www.virid.com.br) – Campanhas de e-mail marketing – Faturamento anual: R$3 milhões
- Donatti 4×4 (http://www.jet.com.br/donatti4×4/) – equipamentos para jipes – Faturamento anual: R$2 milhões.
Quando digo a palavra prêmio, não estou falando só de dinheiro. Estou falando de reconhecimento, crescimento pessoal e outros.
O dinheiro é na realidade somente um indicador de desempenho. Ele só mede se você está tomando atitudes mais certas do que os outros. Não pense nele como um fim, mas sim como um meio para que você perceba se está no caminho certo ou não.
Comércio Eletrônico é um negócio como qualquer outro, apenas com maior índice de crescimento do que os demais além de ser bem mais promissor do que a maioria, mas, é preciso se dedicar e fazer o negócio do jeito certo.
Vejo esse segmento como uma grande saída para a crise e um plano B para o fim do emprego clássico em que as inseguranças aumentam a cada dia. Posso ser suspeito para dizer isso, mas pode acreditar que essa é a grande onda do momento, só é preciso surfá-la para não se afogar.

2 Comments
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By Marcos, 22/04/2009 @ 10:52 am
Caro Concorrado,
Parabéns pelo seu excelente texto, e, pelo seu livro “Google Marketing”.
Entretanto, baseado em quais dados você conseguiu estimar o faturamento dos e-commerces acima?
Grato pela resposta, e grande sucesso!
Marcos
By Marcos, 22/04/2009 @ 10:53 am
Desculpa-me pelo erro em seu nome…