O candidato 2.0
Acabei de ler uma notícia no Valor sobre como a Internet pode influenciar as eleições de 2010.
Isso me mostra o seguinte universo:
A consequencia natural da entrada definitiva da Internet na propaganda eleitoral será que candidatos desconhecidos ascenderão à Brasília devido à sua estratégia web, uma vez que a Internet está com regras pouco claras para a propaganda eleitoral mas já envolve o eleitor formador de opinião de forma cativa no seu cotidiano.
A partir do momento que candidatos pouco conhecidos (e sem poder de fogo para mídias tradicionais de propaganda eleitoral – TV, rádio etc.) comecem a investir na web para fazer suas campanhas, a disputa se tornará muito mais acirrada nos cargos que exigem menor número de votos (isso até que a Internet tenha uma maior penetração e influência nas classes C e D).
Imagino candidatos a vereador, deputado estadual ou federal fazendo belas campanhas na web focando redes sociais e blogs, interagindo com seu eleitorado no Twitter, no Orkut, em seu site, gerando vídeos para por no YouTube sobre suas “soluções” para sua cidade, estado ou país, tornando eleitores em veículos de divulgação com muito mais potencial para divulgar seu nome pela web. Defnitivamente, transformando o modo como se decide uma eleição atualmente.
Nas próximas eleições, o candidato que se tornar de fato 2.0 e utilizar da Internet como uma plataforma online de sua campanha poderá chegar na frente, dado que muitos ainda não seguirão esse caminho. O prêmio pelo pioneirismo pode ser o pódium, digo, o congresso (se bem, que o congresso está mais para um chiqueiro Orwelliano nos últimos tempos do que propriamente um pódium olímpico no processo eleitoral).
Isso implicará uma leve e gradual mudança no perfil de candidatos nos quais estamos votando. Talvez (apenas “talvez”) isso mude algumas regras do “sistema”. Candidatos com outra mentalidade podem começar a tomar conta do Congresso e mudar alguns hábitos arraigados há tantas décadas.
É bom, contudo, refletir sobre “Dilema do Tostines” nessa situação: o candidato entra no ambiente político e se corrompe uma vez que entra em contato com um sistema do tipo “corrompa-se ou caia fora” ou o candidato que aceita entrar para a política já nasceu corrupto e vê na política o seu habitat ideal?
Ainda não tenho tanto certeza de que os novos “candidatos 2.0″ mudem de fato a corrupção que impera na política, porém, acredito que a população pode controlá-los melhor uma vez que suas promessas ficarão gravadas nos bits guardados nos bancos de dados do Google. Talvez isso iniba mentiras tão deslavadas que “se perdem sem memória” na máquina de promessas atual.
Isso previlegiará os melhores intencionados, ou os melhores dissimulados, de um modo ou de outro, as regras vão mudar.
O povo pode ter finalmente a oportunidade de pesquisar a vida de seus candidatos de forma mais precisa e votar com mais consciência. Isso é claro, para a parcela que tem acesso à internet e que consegue interpretar informações de maneira lógica. O analfabetismo funcional no Brasil não é um problema simples de se resolver.
São apenas conjecturas de um entusiasta da Internet e observador do cotidiano. Vejo que há muito a ser observado na influência da web nas próximas eleições e talvez elas gerem alguns padrões a serem seguidos nas futuras votações.
Vamos acompanhar e torcer para que a Internet também atue como uma boa enzima social no caos político nacional.
2 Comments
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By Bruno Marques, 04/07/2009 @ 11:31 am
Com certeza será interessante essa eleição de 2010.
Até por causa da explosão da campanha do Obama e sua mega ação via Web.
O Twitter será uma ferramenta muito interessante, uma vez que, possibilitará diversos debates entre os candidatos e seus eleitores.
Estou curioso para ver como os nossos políticos se comportarão.
Se após as eleições ainda manterão o contato com o povo por seus blogs, twitter e sites.
O que nos resta é aguardar.
Excelente post. Parabéns!
Abraço.
By Raphael Daolio, 06/07/2009 @ 4:27 pm
Qual será o papel e a influência das agências digitais nesse processo? Elas vão aceitar todo e qualquer candidato como cliente?