PontoCON - Blog do Conrado

Você sabe, mesmo, falar javanês?

No conto “O Homem que sabia javanês”, de 1911, Lima Barreto conta a história do senhor Castelo, um malandro que fingia saber javanês para conseguir um emprego. É lógico que, como ninguém sabia falar javanês, ele acaba ficando famoso por ser o único tradutor de tal idioma. Um embuste.

Se javanês era o idioma desconhecido em 1911, o internetês é o javanês de hoje em dia. Porém, com uma mudança. Todo mundo fala internetês, menos as empresas que não conseguem traduzir o idioma. Uma novilingua às avessas.

Se o idioma organiza o pensamento, segundo Lev Vygotsky, o novo idioma está mudando não só a maneira das pessoas se comunicarem com também das pessoas pensarem e se comportarem.

O que a internet trouxe para o imberbe mundo do século XXI foi, principalmente, a capacidade de interação em um novo idioma entre pessoas de uma forma nunca antes sequer imaginada. Nem Julio Verne, com sua inventividade à flor da pele imaginaria aonde chegaríamos em tão pouco tempo com o meio digital.

O hipertexto ampliou a leitura de qualquer meia dúzia de palavras a esferas enciclopédicas. O Google nos mostrou de forma prática que informação é poder, tal qual Toffler falara na década de 80. A web 2.0 e seus ícones – tendo na Wikipédia e o Blogger como seus líderes – nos fez ver que o conhecimento construído em rede é menos etnocentrista e mais acessível do que a irretocável Barsa.

A economia do século XXI é a do compartilhamento e a da geração de informação. O poder está na criação e na propagação, não mais na informação pura e simples. Essa, qualquer um tem acesso por meio da fechadura minimalista do Google. Basta escolher uma chave qualquer, ou melhor, uma palavra-chave qualquer, para abrir as portas do mundo.

Ao mesmo tempo em que o ser humano tem o universo a seus pés podendo estar presente de maneira virtual em qualquer lugar por meio de um Google Maps ou de uma conference call, externalizando e ampliando sua individualidade, ele se volta para si mesmo na tentativa de descobrir soluções para seus dramas existenciais.

Compra-se livros de auto-ajuda como jamais se comprou. O Yahoo! Respostas funciona como uma ferramenta para perguntas de cunho pessoal e filosófico. A era da Renascença Digital une paradoxalmente o micro e macro parecendo um resgate de dois extremos da física – a quântica e a relativística.

Faculdades de jornalismo entram em crise devido a não mais exigência do diploma de jornalista para se exercer a profissão, amadores dominam a internet e produzem notícias, fotos e vídeos. A crise global faz com que empresas seculares quebrem e a nova economia transforma empresas que dão prejuízo em marcas bilionárias.

Sem dúvida, existe uma mudança acontecendo sob nossos narizes. A Internet é apenas a ponta do iceberg, o reflexo, não a causa.

Quem mudou foi o consumidor. Uma massa de quase 7 bilhões de indivíduos querendo mudanças e pressionando o sistema como uma massa invencível governada por suas próprias leis.

A ONU estima que a população mundial chegue a 9,2 bilhões de pessoas em 2050, daqui a apenas 40 anos. O montante representado pelos países em desenvolvimento será de 7,9 bilhões em 2050.

No meio de tudo isso está a internet. O meio que faz com pessoas compartilhem informações e opiniões sem a incômoda barreira geográfica. O meio que faz com que pessoas somem conhecimento multiplicando-o e reconstruindo-o. A destruição criativa de Schumpeter elevada a potências de 10 algarismos.

O consumidor está apenas começando sua senda em direção á promessa digital de sermos todos um. O ideal de Martin Luther King expresso em “I have a dream”, um discurso em nome da liberdade e da união dos povos. O sonho de uma época em que as pessoas não serão julgadas pela cor da sua pele, mas pelo conteúdo do seu caráter.

Na internet nós somos o que produzimos e compartilhamos. Somos medidos em bits. Ela é o reflexo e o pano de fundo de nossos anseios e necessidades. A web é o reflexo do que uma população cada vez maior e mais conectada sussurra em blogs e buscas no Google. O uníssono sussurrado por cada um dos mais de 1,5 bilhões de internautas atuais se transforma em uma voz que nenhuma empresa ou governo pode mais ignorar.

O complexo mundo do novo consumidor faz com que conflitos éticos e morais venham à tona desafiar-nos. A mudança de cenário pede novas regras. O que hoje é considerado ilegal, amanhã pode ser normal e cotidiano. A lei é mutável, uma tendência, não.

É o povo que dita como será o mundo, não as leis. No novo e complexo mundo em que as regras parecem caducar, é preciso repensar em novos modelos e visões de mundo. A sociedade vista pelas lentes da web não é a mesma vista pelas lentes da velha economia.

Para quem ainda tem dúvidas sobre o papel social da internet e seu impacto na vida cotidiana, basta refletir um pouco em como a energia elétrica mudou nosso modo de viver. Como ouvi em uma entrevista, ninguém diz mais “eu me conectei à rede elétrica e fiz um café na cafeteira”. A energia elétrica é algo cotidiano assim como a internet será daqui a muito pouco tempo.

Na China, as pessoas já se unem pela internet para comprar eletrodomésticos com desconto em lojas de departamentos. A Índia se transformou no escritório do mundo graças à rede. Pequenos empreendedores têm criado negócios a partir de suas casas e mudado suas vidas apenas com um computador ligado à internet e uma idéia na cabeça.

O consumidor mudou e as empresas ainda estão tentando se encontrar em meio à essa turbulência. Não entendem o pensamento não linear que hoje impera. Ainda acham que pelo fato de boa parte da população ainda não estar conectada, não vale a pena investir em internet.

O comportamento do consumidor mudou como um todo, esteja ele conectado ou não. A internet é só uma resposta a essa mudança e o fato de não estar acessível a todos, ainda, não quer dizer que seu conceito de participação e socialização não esteja presente no consumidor do século XXI.

O conceito da internet é de promover uma enorme fogueira digital em que a conversa é o principal motor da nova economia. As empresas devem aprender a conversar, não repetir o discurso de sempre ignorando a reação do público. Um discurso que tende a ser míope e pouco relevante.

Quais serão as conseqüências de todas essas mudanças em uma conversa interativa entre bilhões de pessoas falando um idioma que as instituições ainda não entendem direito?

A conversa está apenas começando e ainda dá tempo de aprender javanês.

Entre sushis, sashimis e Paidéias digitais

posted by Conrado Adolpho in Internet

Reza a lenda que o sushi, tradicional prato oriental que virou moda aqui em nossas terras tropicais, tem origem no século IV a.C. Segundo a Wikipédia, o arroz cozido era usado para conservar o peixe salgado através da fermentação do arroz.

Afinal, o que a história de um prato que tem suas origens em épocas tão remotas quanto o próprio homem contemporâneo tem em comum com um blog que fala sobre mundo e sociedade digital?
No dia de hoje, muito,

Foi entre sushis e sashimis que foi regada a conversa que tive hoje com Cesar Taurion em um pequeno restaurante japonês. Uma pessoa que merece as honras que recebe.

Um assunto recorrente, entre um temaki e outro, foi o modelo arcaico de educação que vivemos hoje e o descompasso entre professores e alunos no que tange ao processo de aprendizado. Talvez por ter dado aulas cerca de dez anos tal assunto me cause tantas indagações.

A situação não poderia ser mais grave. Professores, para garantir um salário apenas suficiente para uma vida digna, se vêem na obrigação e ministrar 40, até 60 aulas semanais em uma rotina que deixaria exausto até um ironman. Tal rotina, porém, não para por aí. Não esqueçamos das provas para corrigir, dos trabalhos para avaliar, do diário de classe para preencher e das infindáveis (e, diga-se de passagem, bem improdutivas) reuniões pedagógicas.

O tempo escasso e o trabalho intenso se tornam os algozes da qualidade do ensino. Não há tempo para se atualizar e, em muitas faculdade, a aula de dez anos atrás ainda é ministrada como se fosse algo realmente novo.

Em contraposição a esse quadro, por si só desalentador, há os alunos. Jovens, cheios de energia, tempo e vontade para explorar e descobrir o mundo. A seu favor - a tecnologia.

A dissonância entre o que o professor - “detentor do saber” - e os alunos é bem maior do que a distância física que os separa na sala de aula. Professor e alunos caminham em direções opostas.

Alunos pesquisam na internet o que realmente lhes interessa, criam músicas e textos de forma colaborativa, estruturam seu pensamento em diretórios e vivem a uma velocidade inspirada por filmes de 007. De site em site, de vídeo em video, colecionam amigos, compartilham conteúdo e dominam as novas tecnologias como se elas fizessem parte de seus próprios cérebros. A tal da “geração Y”.

Esse quadro não poderia estar mais distante do pintado pela vida cotidiana de um professor, seja ele de ensino fundamental, médio ou superior.

O modelo educacional precisa evoluir juntamente com o aluno, não com o professor. É o aluno o motivo de tal modelo existir. A polarização que se vê há centenas de anos na sala de aula que põe professores e alunos em lados opostos só tende a aumentar a distância entre os dois e a acirrar a disputa entre o “eu estou certo” e o “você está errado”, independente de quem fale uma ou outra frase.

Mais ou menos na mesma época que o sushi era inventado, surgia na Grécia um modelo de ensino que privilegiava a verdadeira e natural formação do indivíduo - a Paidéia. Um mestre, 12 alunos e a discussão da problemática cotidiana tendo por objetivo a formação completa do indivíduo - eu disse “indivíduo”, não “máquina decoradora de fórmulas”.

Sem saudosismos de uma época que não vivemos, a diferença com relação à Grécia antiga é clara - a tecnologia, para ficar em apenas uma, relevante para nossa discussão.

A construção do conhecimento, assim como o ideal da escola construtivista, deve se dar através de estímulos externos que forçam o indivíduo a construir e organizar este conhecimento utilizando para isso o próprio meio em que vive. O meio, atualmente, é boa parte do tempo, digital e colaborativo. Como aliar isso, ao se propor um modelo de ensino em meio às novas tecnologias, usando giz e quadro negro?

Assim como em uma aula na Grécia antiga, em que alunos e mestres sentavam-se na grama e discutiam assuntos diversos, a internet pode promover uma discussão muito mais ampla e não limitada pela geografia como uma grande fogueira digital.

Crianças (ou universitários) não precisam mais se limitar às suas fronteiras ou idades (algo que nunca entendi - formar séries devido à idade de cada um e não à experiência ou maturidade) trocando informações com seus pares em nível global.

É lógico que isso mexe com o status quo e com toda a estrutura que existe há séculos por trás da indústria do ensino. Não é tão fácil, porém, quem está pedindo por mudanças são os alunos. Repito: eles são o motivo de todo o sistema educacional existir.

Gostaria que alguns ministros e professores estivessem compartilhando de nosso sushi…

Conrado Adolpho ministra palestras nas principais faculdades de Propaganda e Marketing de Campinas

Conrado em Palestra na PuccampConrado em Palestra na Esamc

Release

Letícia Feix

O publicitário e diretor da agência de marketing digital Publiweb, Conrado Adolpho, realizou palestras nas principais faculdades de Publicidade, Propaganda e Marketing de Campinas. O autor do livro Google Marketing, esteve na FACAMP (24/9), ESAMC (no dia 5/10) e na PUC Campinas ministrando a palestra homônima ao livro, em que discute as últimas tendências de marketing na internet.

Durante a palestra na PUC ontem (27/10), Conrado Adolpho falou para um público de mais de setenta estudantes sobre a mudança do perfil de compra na internet, descrevendo o conceito de índice de atividade do consumidor. O palestrante explicitou que, com o advento da internet, as pessoas estão, cada vez mais, buscando o que procuram na hora em que desejam. Portanto, as empresas podem utilizar essa força de busca para investir menos em propaganda tradicional, ou seja, se o consumidor é mais ativo, as empresas podem se alavancar nesse índice de atividade.

Conrado mostrou os cases da Dell, Camiseteria e Saraiva, além de diversos outros sites de e-commerce que crescem ano a ano por meio de ações inusitadas, boas ideias e atuação nas redes sociais. “Os modelos de negócio estão mudando. Hoje, pequenas empresas podem conquistar o seu espaço na internet porque não precisam investir fortemente em espaços na mídia de massa”, completa Conrado.

O palestrante enfatizou a necessidade dos estudantes de Publicidade, Propaganda e Marketing estarem atentos às mudanças trazidas pelas vendas na internet: “muda não só a forma de pensar as campanhas de marketing, mas também as possibilidades de mensuração dessas ações pelas empresas e de lançamento de novos produtos, propiciando pesquisas de mercado com valores bem mais enxutos e um ciclo produtivo muito mais curto, com o lançamento de produtos em versão beta”, afirma.

As palestras de Conrado Adolpho em faculdades e universidades fazem parte do projeto da Publiweb Eventos, que atua para a difusão de conhecimento sobre internet, comércio social e marketing digital. O palestrante também realiza eventos abertos e in company. Diversos artigos e palestras do especialista podem ser conferidos no youtube e no blog www.conrado.com.br.

Contatos com a imprensa e palestras:

Letícia Feix

leticia.feix@publiweb.com.br

19-3255-6742

Afinal de contas, por que o Google é tão importante?

posted by Conrado Adolpho in Buscadores, Google, Internet

Conrado Adolpho

A quantidade de informações que se recebe por dia é assombrosa. Outro dia, fui a uma loja comprar um smartphone para mim. Uma hora e meia depois de olhar incessantemente todas as opções disponíveis, vi-me incapaz de escolher com segurança um que se adequasse às minhas necessidades.

Para cada modelo que escolhia, o vendedor me mostrava ou eu via um melhor com mais funcionalidades e, lógico, mais caro. Quando tinha escolhido um, o vendedor falou: “Na semana que vem vou receber um da Nokia com tais e tais novidades…”. Resolvi voltar para casa sem o smartphone que havia escolhido.

Como muitos acham, a melhor opção é não ter opção. Por mais informações que tenhamos a respeito de um produto ou marca, sempre teremos que comparar os inúmeros critérios de escolha com seus pares. Dependendo do número, essa tarefa pode se tornar muito complexa.

O número de informações gera uma tremenda dispersão do público entre as mais distintas variáveis e caminhos.

Para distribuir todas as informações disponíveis e acomodar todos esses usuários, a quantidade de canais digitais que surgem a todo momento torna-se cada vez maior e mais segmentada. Isso significa, é claro, uma crescente dispersão do consumidor entre um sem-número de opções.

Ao contrário do mundo off-line, os indivíduos que se encontram na frente de um computador não estão concentrados em apenas uma dúzia ou uma centena de sites (no meu caso, uma dúzia de smartphones). A audiência está totalmente dispersa entre os bilhões de páginas existentes. Se escolher criteriosamente um dentre doze já é bem difícil, imagine multiplicar isso por nove casas decimais.

Uma considerável porcentagem de usuários parte do site Google e vai parar naquelas páginas que o mecanismo de busca aponta como as mais relevantes. Para cada palavra, contudo, há uma dezena de “mais relevantes”.

Imaginando que a quantidade de palavras que são digitadas pelos usuários do Google é tão grande quanto a diversidade de assuntos que há no mundo, a dispersão é bem grande.

Na época de ouro do broadcast e das mídias de massa, a tarefa de encontrar o consumidor foi facilmente resolvida e sustentou durante décadas o império da propaganda.

A quantidade de websites representa um grande problema para as agências, e, se vista com os olhos do velho mundo analógico, a tendência é que o problema se agrave.

Saber por onde navega seu consumidor e encontrá-lo é como achar uma jangada no oceano Atlântico: você pode até saber que ela está em algum lugar por lá, mas vai precisar gastar muito tempo e dinheiro para encontrá-la.

Frente ao problema de difícil solução que é encontrar seu consumidor, empresas gastam centenas de milhões de reais para resolvê-lo. Já sabemos que o usuário dispõe de inúmeros canais de informação que pode escolher, e que é ele, exclusivamente, quem escolhe o caminho a tomar e o que quer ver. Isso torna o problema de encontrá-lo, em primeira instância, bem difícil de ser solucionado. No entanto, o pressuposto está errado.

Há muito sabemos ser imprescindível uma significativa base de dados para que tenhamos informações suficientes – qualidade advinda da quantidade – que tornem possível uma boa escolha. Com a crescente velocidade e capacidade de armazenamento da informação, contudo, torna-se mais e mais difícil a triagem de informação de qualidade frente à quantidade que hoje se apresenta. Precisaríamos de vidas inteiras para extrair qualidade da quantidade.

Só o DeepBlue conseguia analisar 200 milhões de opções por segundo. Nós não chegamos nem perto disso. Não conseguimos analisar todas as informações com o grau aprofundado de que necessitamos. Este é um velho dilema da velha economia.

O mundo vive o dilema da informação: uma maior quantidade de dados sobre um assunto nos dá maior segurança para o processo decisório. No entanto, quanto mais informações, maiores também são nossa impotência e nosso desalento diante da abundância a ser verificada criteriosamente. Como dizia o Nobel de economia Herbert Simon, “cada abundância gera uma nova escassez”. A escassez agora não é mais de informações, é de atenção. Gerada pelo excesso de informações.

Uma análise pormenorizada de todos os dados nos daria a capacidade incontestável para tomar uma decisão, mas em um período de tempo que tendesse ao infinito.

Uma maior quantidade de informações nos dá segurança de escolha, ao mesmo tempo em que gera insegurança de não ter todos os dados necessários para a decisão, pois sempre haverá outras opções e informações a serem consideradas. Para vencer o dilema, optamos pelo reducionismo. Descartamos aquelas que não nos parecem relevantes a uma primeira e subjetiva análise para nos dedicarmos às restantes.

Para tanto, precisamos de algum critério que as reduza àquelas informações que nos interessam. Precisamos hierarquizar e priorizar os diversos dados de que dispomos para viabilizar a escolha.

O dilema pode ser resolvido por nós mesmos ou por alguém em quem confiemos, que nos dará as melhores opções. Esse alguém processará as milhões de alternativas disponíveis e selecionará de maneira rápida e eficiente aquelas que nos são pertinentes – um especialista que faça a interface entre nós e um mundo de dados que não nos é importante.

Com essa prévia análise podemos verificar um número limitado e hierarquizado de informações. Essa filtragem é essencial para que decidamos sobre uma base finita e relevante. A constante falta de tempo a qual todos estamos submetidos faz com que o papel desse intermediário seja de uma gradativa e crescente importância cotidiana.

O processo de escolha a partir da hierarquização de dados traz seu bônus. Entretanto, também apresenta seu ônus. A partir do momento em que eliminamos uma grande quantidade de informações para refletir mais demoradamente somente sobre algumas, o critério de filtragem torna-se o elo crítico de tal processo. O fato de termos de aplicar um critério de filtragem torna-o de fundamental valor para a priorização correta.

Com a hierarquização da busca pela melhor informação sob um determinado critério, muitas opções – que poderiam ser válidas em um outro critério – acabam por ficar de fora.

Um outro problema é que certo incômodo pode ser gerado a partir do momento em que o especialista, aquele que determina o critério de filtragem das informações, seja sujeito a uma relação promíscua entre o critério e as próprias opções.

Imagine um especialista em compra de carros que seja proprietário de uma concessionária de veículos da Ford, ou um médico que receba “incentivos” de um determinado laboratório (sabemos que isso não acontece no Brasil, certo?).

Tal especialista, que tem o papel de filtragem de dados, deve em primeira instância ser confiável. A credibilidade é sua arma para nos convencer de que usou o melhor critério. Uma vez que esse laço de confiança é estabelecido, o restante do processo ocorre de forma rápida e automática.

Todos sabemos que existe uma fragilidade do sistema de filtragem de editores-chefe de jornais, revistas ou rádios. O filtro humano opinativo e retórico.

Se o ser humano, com sua limitada e parcial visão de mundo, pode não ser o melhor especialista para nos servir de filtro, partamos para a matemática e, com ela, para as máquinas para serem nossos guias imparciais.

Apesar de muitos considerarem a estatística como a ciência da manipulação dos números (há, inclusive, uma piada que diz que se eu comi dois camarões e você não comeu nenhum, a estatística dirá que cada um de nós comeu um camarão, o que pode trazer resultados muito diferentes se você for alérgico!). Apesar de certa descrença com a estatística e com os números, eles ainda trafegam livremente pelo mais imparcial dos mundos – o da matemática.

A ascensão dos guias especialistas mecânicos explica-se, em boa parte, pela abrangência com que fazem suas pesquisas e pela imparcialidade de seus resultados, entre os quais há destaque para os mecanismos de busca do Google e do BuscaPé (enfim, um brazuca nesse universo).

O Google com seus critérios imparciais se torna facilmente o nosso especialista preferido para reduzir o número de opções para apenas dez. Em um mundo em que o bem mais escasso é a atenção, não é de se admirar que esse buscador tenha alcançado um papel tão importante na nossa nova economia global.

Uma boa ferramenta para blogueiros - Zemanta

posted by Conrado Adolpho in Internet
Zemanta Firefox pluginImage by Tom Raftery via Flickr

Descobri uma nova ferramenta muito interessante para blogueiro, se chama Zemanta. Ela identifica que você está escrevendo na área de administração, por exemplo, do Wordpress, e lhe sugere links de empresas e outros players do mercado de web automaticamente, à medida em que escreve.

Facilita demais o trabalho de linkar conteúdo e fazer um trabalho mais profundo de hipertextualização.

Ele sugere, tanto links quanto imagens.

Vale a pena

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A comunicação do marketing digital e da tecnologia

posted by Conrado Adolpho in Internet

Outro dia um amigo meu me contou a seguinte história.

No atendimento de um cliente proprietário de uma grande loja de departamentos na cidade de Campinas, enviou um e-mail com a descrição de um novo serviço pedindo para que fosse agendada uma reunião. Nenhuma resposta.
Resolveu reenviar o e-mail na dúvida se ele teria lido na dentre a provável montanha de e-mails que deveria receber por dia. Novamente, resposta alguma veio nos dois ou três dias posteriores.

Resolveu ir até a loja.

Encontrando o seu cliente este imediatamente se apressou em justificar a demora.

“Rapaz, que bom que você veio. Estava agora mesmo para responder o seu fax”
Alguns segundos de dúvida pairaram no ar até que meu amigo resolveu arriscar - “o meu e-mail?”
“Isso! o seu e-mail”.

Você, leitor ou leitora que está lendo esse blog, provavelmente vive em um mundo muito parecido com o meu - o mundo baseado em bits. Em que fax é e-mail, que e-mail é sms e que sms é tweet. Um mundo de comunicação assíncrona e contínua com o mundo, esteja ele onde estiver.

A notícia que tenho para lhe dar é - nem todo mundo é assim. Uma frase que gosto muito do Schopenhauer que costumo citar em todas as palestras é “O homem toma como os limites do mundo o seu próprio campo de visão”.
O mundo e bem menos conectado do que achamos que de fato é. Muitas pessoas ainda vivem na “velha economia” e estão muito bem por lá. Não sabendo das vantagens da economia baseada em bits, não necessitam dela.

Um conselho para webmasters, tome cuidado com o vocabulário e com a comunicação que trava (ou tenta) com seu cliente. Acho que um dos méritos do meu livro, o “Google Marketing” é tentar simplificar a linguagem ao máximo e torná-la acessível, desmistificando o que parece complexo. A comunicação é a raíz de muitos dos problemas que assolam o mundo. Devemos cuidar dela para que ela se torne uma aliada, não uma inimiga.

Seja um poliglota dentro da sua própria língua e se comunique do jeito que o seu interlocutor entende. E quando o assunto é tecnologia, tome mais cuidado ainda.

A empresa circular: como a economia digital está mudando o fluxo de processos nas empresas

posted by Conrado Adolpho in Empresas, Negócios

Há 30 anos o processo de lançar um produto era uma pequena fórmula que todos seguiam. A empresa detectava uma demanda no seu segmento, fazia uma pesquisa de mercado (que, diga-se de passagem, custava uma fortuna e nem sempre fornecia as respostas corretas), gastava-se um ou dois anos em pesquisas e só depois disso iniciava a produção em larga escala.

Após os produtos saírem da fábrica, o departamento comercial ia para as ruas para cuidar da distribuição. A ordem era “desovar o estoque”. O risco de o produto não agradar aos consumidores era grande, porém, estes nem sempre tinham escolha. A quantidade de produtos era muito limitada e as opções de compra reduzidas. Vivíamos na economia da escassez em que as grandes empresas “nadavam de braçada”.

A chegada avassaladora da economia digital mudou a maneira como as empresas devem gerir seus processos. Se antes a empresa tinha tempo para estudar o mercado, planejar e produzir, hoje em dia, com a tecnologia acessível e barata, qualquer um pode lançar um produto em pouco tempo e pouquíssimos recursos. Ou seja, a competição aumentou.

Uma empresa pequena pode se alavancar no Grau de Atividade do Consumidor, tese defendida por mim, e brigar de igual para igual com grandes corporações.

Resta à empresa do século XXI uma única palavra - agilidade. Lançar produtos semi-acabados se torna uma constante, o que conhecemos como produtos “beta”. Um produto em que a empresa informalmente avisa - produto passível de defeitos e que vocês, consumidores, é que vão nos dizer o que deve ser mudado nele.

É a pesquisa de mercado misturada com a venda do produto. As fases de pesquisa, produção e lançamento praticamente se misturam.

O tempo exíguo entre lançamentos, e o risco de tornar-se obsoleto antes mesmo do lançamento, faz com que o processo de lançamento seja circular. A empresa detecta levemente uma demanda no mercado. Já se apressa para lançar algo que supra aquela demanda, sem mesmo saber ao certo como. Produz seu produto em tempo recorde e o lança no mercado de forma semi-acabada sob o sobrenome “beta”.

O mercado começa a usá-lo e percebe alguns problemas reportando isso para a empresa. O produto volta para o marketing e para a produção e, em uma ação conjunta, relançam o produto com modificações solicitadas pelo mercado.

O mercado usa e percebe mais alguns problemas e o ciclo se repete.

O processo, que antes era linear, passa a ser circular. O produto vai para o mercado e volta várias vezes para a empresa para ser refeito. A velocidade de atualizações é estonteante e, em alguns setores, o produto chega a ser modificado mais de uma vez por dia.

É fácil perceber que diante desse cenário as empresas devem mudar sua estrutura e processos para que absorvam essa nova maneira de agir diante da nova economia.

Processos circulares exigem um ouvido atento por parte da empresa, característica que nunca fora bem trabalhada num passado focado na produção e nas vendas. A valorização do consumidor é extrema e faz com que ele participe, não só da divulgação, como prega preceitos da web 2.0, mas também da própria produção do produto.

Processos circulares também exigem agilidade acima da média. O mais ágil vence o mais forte. Empresas pequenas são mais rápidas, pois são menos engessadas pela burocracia do controle. Nesse aspecto a pergunta que as grandes se fazem é: como ser uma empresa grande e ágil?

Tal pergunta parece impraticável para um físico newtoniano. Tamanho implica inércia. O que a física clássica não contava era com a tecnologia que tem o poder de transformar átomos em bits que podem estar em vários lugares ao mesmo tempo. Esta é a capacidade de tornar o impossível viável até mesmo para pequenos players.

Processos circulares exigem também uma capacidade incomum às grandes corporações de errar, de admitir o erro e transformá-lo em conhecimento. A máscara da prepotência que muitas empresas seculares ostentam como forma de garantir altas margens cai por terra. A humildade é a palavra de ordem - admita que um simples consumidor pode ser o algoz ou o salvador da sua empresa, por mais colaboradores que tenha.

A inovação, muitas vezes, vem do mercado e é importante saber que você não sabe tudo.

A empresa circular, por fim, é a empresa do novo milênio. A empresa que retroalimenta seu conhecimento por meio de sua capacidade de rever seus próprios conceitos e certezas.

Em uma época em que a única certeza é a mudança (como já dizia Heráclito de Éfeso, 500 a.C.), saiba avaliar o cenário a cada segundo tornando a tarefa de reinventar-se uma rotina. O processo linear tem um fim, o circular, não. Se você deseja perpetuar sua empresa e torná-la sustentável na economia digital, transforme-a em uma empresa circular.

Slides do Treinamento Google Marketing - 17 de outubro - SP

Olá, amigos,

O Treinamento Google Marketing do dia 17 de outubro foi excelente.

Parabéns a todos vocês que ficaram por 8 horas no sábado aprendendo sobre marketing digital. Os slides já estão disponíveis para download no site da Publiweb (http://www.publiweb.com.br/arquivos) e no Slide Share (http://www.slideshare.net/Conradoadolpho/treinamento-google-marketing-17out09)

Deixem seus comentários e contatos para que promovamos uma boa rede de relacionamentos entre os empresários e participantes do curso.

Abraços a todos.

A Lei da Relevância na comunicação empresa-consumidor

Em cena do célebre filme O Nome da Rosa, o personagem de Sean Connery descobre uma biblioteca secreta no convento onde estava: o acesso à informação era algo quase que pecaminoso. Felizmente, esse tempo já acabou. Ao contrário do que ocorria até alguns anos atrás, o problema pelo qual passamos hoje não é mais o difícil acesso à informação, mas sua sobrecarga.

Os estimados 100 bilhões de neurônios de que dispomos parecem não ser suficientes para armazenar a quantidade de informações que recebemos dia a dia. O excesso de estímulos pelos quais passa nosso cérebro confunde o hipocampo - região onde acontece o processo de memorização e, com isso, fica cada vez mais difícil as informações serem armazenadas.

Diante de tantas informações, como conseguimos lidar com todos esses dados? Simples: ignorando a maioria deles.

Conhecido como Lei de Miller, um artigo proposto em 1956 pelo psicólogo norte-americano George Miller revela que nosso cérebro só consegue se concentrar em cinco a nove informações por vez.

A exposição a que somos submetidos diariamente já passou desse limite há vários anos. Diante desse fato, como um mecanismo de defesa, nosso cérebro, anestesiado, ignora e descarta tudo o que não gera profundo interesse.

Essa “crise de atenção” é um fenômeno cada vez mais comum nas grandes cidades. Fato preocupante para anunciantes, obriga agências a se desdobrarem das maneiras mais insólitas para a veiculação de uma mensagem e para se fazerem notar. É lógico que as ações advindas do desejo de ser notado geram peças publicitárias maravilhosas e outras de gosto bem duvidoso.

Muitas empresas ainda insistem em veicular anúncios na internet que interrompem bruscamente nossa navegação e nos fazem fechar pop-ups ou ignorar mensagens pela raiva de não ter o nosso simples desejo de navegar e ler em paz o conteúdo que nos interessa.

O marketing de interrupção, assim chamado por Seth Godin, está obtendo cada dia resultados menos expressivos. Uma nova maneira de abordagem começa a ser necessária, e essa se chama marketing de permissão.

Intrometer-se entre a vontade do consumidor de ver um determinado conteúdo e o próprio conteúdo, como fazem pop-ups, comerciais de TV, comerciais de rádio, anúncios em páginas de revistas e outros meios, estão surtindo um resultado cada vez menor.

Parece um caminho sem volta - quanto mais nos esforçamos para que o consumidor nos enxergue, mais geramos ruído na comunicação e tornamos cada vez mais difícil nos fazermos notar. A solução, porém, pode ser mais simples do que parece.

O princípio para driblar a “crise de atenção” reside em veicular aos consumidores a mensagem certa, exclusivamente confeccionada para seus desejos e suas necessidades, no momento adequado e no lugar certo. A palavra-chave é “relevância”.

Em primeira instância, pode parecer complexo cumprir a exigência de não interromper o usuário em sua navegação e apresentar somente anúncios relevantes e de seu interesse. Isso é ainda mais desafiador se não dispusermos de um poderoso database marketing ou um complexo sistema de CRM, completamente integrados aos sistemas de sua empresa. Felizmente, com a economia digital e seu representante mais legítimo, a internet, satisfazer seus consumidores hoje é tecnologicamente acessível e possível a anunciantes de todos os portes. Desse modo, acessível não quer dizer realizado.

Nada pior para um anunciante do que o consumidor esquecer-se de seu caro e esmerilhado anúncio. Com a quantidade de estímulos a que somos expostos a todo momento, isso não é tão incomum. Isto considerando-se que a humanidade produziu nas últimas três décadas mais informações do que nos últimos cinco mil anos. O dado é preocupante para quem quer fazer com que uma mensagem destaque-se em meio ao caos de dados que trafega bem diante de nosso nariz.

Com a sociedade digital e suas ferramentas, o processo de produção e armazenamento de informações foi levado ao extremo. Processadores são substituídos com a mesma rapidez com que um chinês compra um celular, sempre nos deixando com a desagradável sensação de “tem-uma-festa-melhor-em-outro-lugar”. De acordo com o fundador da Intel, Gordon Moore, “a capacidade de processamento dos computadores dobra a cada 18 meses”, o que ficou conhecido como Lei de Moore - a previsão de avanço tecnológico que tem se mantido mais fiel à realidade das últimas décadas. Uma observação interessante é que Moore propôs essa lei em abril de 1965, e parece ser bem válida até o momento.

O reflexo da citada lei em nosso cotidiano é gritante. Quanto maior a capacidade de processamento dos computadores, maior também a capacidade de guardar informações e despejá-las em nossa rotina - informações para todos os gostos e de todos os tipos. O consumidor hoje recebe mais informações do que pode assimilar ou lembrar. A atenção virou uma commodity escassa, simplesmente porque há estímulos em demasia concorrendo por ela.

Na mais clara aplicação da lei de oferta e demanda, o consumidor escolhe aquelas que deseja e desdenha as demais, que se esfalfam para chamar sua atenção em vão. Há muitas informações, contudo, o tempo para processá-las continua o mesmo: o cérebro, asfixiado diante de tão grande volume de estímulos, opera em percepção seletiva e só retém a pequena quantidade que parecer relevante. Em vista disso, agências e empresas devem perceber que o nome do jogo mudou e a relevância se tornou a palavra de ordem - bom para a agência, bom para o consumidor.

O Grau de Atividade do Consumidor e seu impacto na economia digital

Que o mundo mudou, todos nós já sabemos e isso até se tornou chavão corporativo, a pergunta, porém, é: mudou para onde?

A principal mudança se deu devido à mudança no próprio comportamento do consumidor. Ele se tornou mais ativo e exigente, contudo, as empresas não estão sabendo lidar com isso devidamente.

Imaginando que exista um Grau de Atividade das empresas, que se traduz em investimento em mídia, ele só fez aumentar ao longo dos últimos anos.

Da mesma maneira, podemos raciocinar com relação ao Grau de Atividade do Consumidor, que se traduz em uma atitude pró-ativa perante o mercado – esse também aumentou muito ao longo dos últimos anos, principalmente depois do advento da internet.

Antes, o consumidor era passivo e a atividade de divulgar produtos ficava por conta única e exclusivamente das empresas. As corporações sempre investiram muito dinheiro na divulgação de suas marcas e produtos e ainda o fazem, porém, o mercado pede outra dinâmica.

Imaginemos que, para acontecer uma transação comercial, precise haver um valor mínimo para o Grau de Atividade em torno de uma marca. Tal atividade pode ser investimento em mídia ou uma publicidade boca a boca realizada pelo próprio consumidor.

Com um consumidor mais ativo, as empresas precisam investir muito menos na atividade de comunicar marcas para o mercado porque o próprio consumidor faz parte desse trabalho.

Defendo que existe uma equação que traduz tal argumento: GAC + GAE ≥ K.

Em outras palavras, o Grau de atividade do consumidor (GAC) somado ao grau de atividade das empresas no mercado (GAE) devem ser maior ou igual do que um coeficiente “K” para que ocorra uma transação comercial.

Tal coeficiente é uma combinação do preço do produto, custos de aquisição, reputação da empresa, falta de informações a respeito do produto e outros fatores que prejudicam a venda.

Toda compra é uma relação de perdas e ganhos, ou, em termos mais claros, de preço e valor. O marketing apóia-se nesse tênue equilíbrio. É preciso um mínimo de atividade em torno da marca no processo de comunicação para que o consumidor perceba que está levando mais valor do que o preço pelo qual está pagando.

Nas últimas décadas, toda a atividade se concentrava praticamente na comunicação da empresa. Era dela o papel de comunicar as marcas, gerar movimento no ponto de venda, fazer promoções, falar bem do produto e fechar a maior quantidade de vendas que conseguisse.

A quantidade de verba investida nesse processo era proibitiva para pequenas empresas e definia os vencedores do mercado, em que só as grandes sobreviviam por terem ganhos de escala muito maiores. O investimento em publicidade era obsceno e se concentrava basicamente em três ou quatro meios.

Hoje, é o consumidor que participa com a maior parte dessa atividade. É ele que pesquisa no Google a empresa que deseja, é ele que produz parte do produto quando escolhe a cor de seu carro e os acessórios no site da montadora, é ele que dirige todo o processo de compra em um comércio eletrônico, é ele que indica o produto por e-mail ou o critica em um site, como o ReclameAqui.

Se somarmos todo o tempo de atividade dos consumidores em procurar no Google, avaliar opções, avaliar as informações no site da empresa, pesquisar por opiniões de terceiros, escolher a empresa, tirar dúvidas, fazer o pedido, receber o produto, blogar e twittar a respeito da experiência de compra, vamos ver que a parte que cabe à empresa é cada vez menor.

Isso muda o mercado.

O barateamento do chip de silício e toda a tecnologia que ficou acessível a qualquer consumidor e empresa, seja pequena, média ou grande, fez com que alguns abismos entre corporações globais e botequins de bairro desaparecessem.

Nesse novo cenário, empresas que continuam investindo verbas multimilionárias começam a dividi-las entre os diversos canais em que os consumidores se encontram comunicando-se entre si. Pode ser no Orkut, pode ser nas resenhas da Amazon, mas pode ser em um Messenger ou chat do UOL.

Não é preciso ir muito longe para perceber que não há verba que chegue para cobrir todos os canais possíveis. E para piorar a situação, a cada dia surgem novos canais. Poucos imaginariam que um microblog chamado Twitter seria uma ferramenta de comunicação entre empresas e consumidores.

Nesse novo mundo plano, em que o consumidor tem boa parte da atividade de comunicação na relação cliente-empresa, as pequenas empresas, pela primeira vez, têm uma chance de virar a mesa do mercado, ao passo que não precisam investir os milhões que as grandes despendem.

Basta que invistam o mínimo necessário para aproveitar essa atividade do usuário, deixando para ele a maior parte do trabalho. Basta que se alavanquem nessa atividade do próprio consumidor para que cresçam. Praticamente nenhuma empresa faz isso tão bem quanto a Camiseteria.

Qualquer “atividade” aqui falada no mercado representa dinheiro e tempo sendo gasto. Quanto mais a empresa puxa para si o papel ativo na relação com o mercado, mais ela tem que investir. Por outro lado, quanto mais ela delega tal papel para o consumidor, menos ela tem que investir.

O aparente paradoxo é que o retorno das empresas que delegam o papel ativo para o usuário é, em média, maior do que as que investem milhões para comunicar suas marcas. Tome como exemplo o site de buscas do Google.

Quanto mais o consumidor é ativo, menos a empresa precisa ser, e vice-versa. Entender isso pode mudar o direcionamento do marketing de uma organização.

Em vez de “fazer o trabalho” por todos os consumidores, é mais sensato fazer com que esses milhões investidos em comunicação acabem sendo produzidos pelos mouses de mais de um bilhão de usuários.

As empresas devem repensar suas estratégias e aproveitar essa alavanca que o consumidor fornece às instituições em função dessa mudança no seu índice de atividade. Ter consciência desse aumento de atividade pode representar uma tremenda economia na verba de comunicação das empresas.

Como disse McLuhan, o meio é a mensagem, mas atualmente, o consumidor é o meio.

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