PontoCON - Blog do Conrado

A vitória do talento

Na mesma linha do post anterior, falando de consumidores x prossumidores, anteriormente um dos principais fatores que separavam os amadores dos profissionais era a tecnologia. “Profissionais” se dedicavam a uma determinada profissão dedicavam seus esforços para comprar o que havia de tecnologia mais moderna em seu segmento. Quanto mais a tecnologia fosse um diferencial em sua carreira, mais esse “profissional” se distinguia dos “amadores”.

Outro ponto que distanciava o profissional do amador era o conhecimento. Um professional era considerado assim porque fazia cursos, frequentava uma faculdade sobre o assunto e se dedicava a ler horas e horas, na biblioteca, de livros relativos a sua atividade.

E o talento? Bem…esse nem semprea companhava o tal profissional. Um profissional com talento iria muito mais longe, porém, nem todos que tem talento para algo seguem seu coração, muitas vezes preferindo seguir seu bolso.

Nos últimos anos essa coisa toda mudou.

A tecnologia não é mais diferencial algum. Com o barateamento do chip de silício e outros fatores que contribuíram para a larga adoção de tecnologia por amadores a distância entre o produto de um profissional e de um amador não é mais relevante ao mercado (você consegue diferenciar uma foto tirada por uma Canon profissional e uma máquina digital de 5 Mega Pixels de um celular da Nokia? Nem eu).

O conhecimento está disposto em larga escala na própria internet. São fóruns de discussão, cursos em vídeo no YouTube, cursos online disponibilizados por faculdades, etc. Hoje, quem quer aprender, com o auxílio da Internet, aprende.

E o talento? Ah, esse está fazendo cada vez mais a diferença. Dado que não há mais muita distinção entre a tecnologia utilizada por profissionais e amadores e que não há mais muitas barreiras para o aprendizado, o talento tem sido o grande vencedor nesse novo mundo digital.

Consumidores (?)

Estou lendo atualmente muito sobre crowdsourcing (a economia da colaboração, já bem explicada por “Wikinomics”, de Don Tapscot) e, lendo “O Poder das Multidões”, de Jeff Howe, topei com algo que ainda não tinha pensado muito a respeito: a impropriedade da palavra “consumidores” nesse novo mundo em de prossumidores (pessoa que produzem e consomem informações ao mesmo tempo).

Na velha economia tínhamos o grupo que produzia e o grupo que consumia, bem distintos em lugares bem distantes. Um era o detentor dos meios de produção - separação que causou a Revolução Industrial sendo divisor de águas na economia mundial - o outro, os que consumiam.

Criou-se um ciclo vicioso em que nós, pobres mortais, no máximo escolhíamos de qual produtor consumir. No mundo atual, continuamos escolhendo de quem consumir, porém, um novo ingrediente somou-se a esse caldo, a possibilidade de nós mesmos sermos os produtores, bem como a quantidade de produtores ter se multiplicado de forma abissal. Cada um de nós, antes pobres mortais, agora somos os produtores também. Detemos os meios de produção.

Somos tão treinados a utilizarmos a palavra consumidores que não refletimos sobre sua propriedade atualmente. É como continuar chamar smart-phones 3G de celulares….força do hábito, só isso.

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