Categoria: Redes Sociais

Redes sociais + mídias sociais como ferramenta de divulgação da sua marca

Uma maneira de divulgar sua marca que divulgo muito é por meio de conteúdo relevante. Falo bastante isso porque o que as pessoas disseminam é conteúdo, seja ele um vídeo engraçado, um infográfico ou uma música em mp3. Quando você cria conteúdo e o divulga na internet, ele é mais facilmente compartilhado pessoa a pessoa do que fazer uma propaganda da sua marca.

Muito mais consumidores enviariam para um amigo um vídeo que mostre como o um cão arteiro cria maneiras de roubar o sanduíche da mão do dono do que um vídeo institucional que mostre as dependências de um pet shop. Se o vídeo do cão tiver uma assinatura “se o seu cão é um artista, traga ele no nosso pet shop. Nossa tratamento fará ele se sentir uma celebridade”, tanto um vídeo quanto outro terão mesmo objetivo – divulgar o pet shop, porém, o primeiro será muito mais eficiente.

Pensar em diversas maneiras de criar tal conteúdo é uma tarefa divertida, basta entender as motivações do consumidor em passar para frente uma determinada informação. Um consumidor geralmente passa para seus mitos algo que tenha gerado valor para ele e que ele saiba que vai gerar valor para o amigo. Tal valor pode vir na forma de algo que seja útil, de algo que seja engraçado ou de algo que seja inédito ou surpreendente além de mais duas ou três outras características.

Útil, engraçado, inédito ou surpreendente são adjetivos, ou seja baseado em percepções pessoais. O que é útil para mim pode não ser para você. Isso nos leva ao primeiro movimento que temos que dar em uma ação digital: conhecer muito bem o público-alvo da ação. Descobrir suas necessidades e desejos é essencial para uma ação de sucesso.

Uma vez que você descubra o que gera valor para o seu público-alvo, você deve produzir o conteúdo e promovê-lo. Se você já leu o livro Os 8Ps do Marketing Digital, sabe que vai veiculá-lo nas mídias sociais de conteúdo. Se você tiver fazendo um vídeo, a opção óbvia é o YouTube. Se for uma apresentação de slides, SlideShare e assim por diante.

Veicular não significa distribuir. Na economia puramente de átomos, tínhamos empresas que se concentravam somente em veiculação, outras que tinham como objetivo a distribuição e várias outras que perfaziam a indústria da comunicação. Hoje, tal indústria cabe em um notebook. Você pode produzir um vídeo no celular, fazer o upload para veiculá-lo no YouTube e distribuí-lo nas redes sociais. Será nelas que a distribuição ocorrerá de forma mais intensa de pessoa para pessoa.

O Google também será uma peça importante nessa distribuição caso se concentre na otimização desse conteúdo. Porém, se associar Google com Facebook (atualmente o maior Player em compartilhamento de informação devido à facilidade que ele permite tal compartilhamento por parte do consumidor) seu resultado será potencializado. Pessoas encontram o seu conteúdo no Google em um link na busca natural apontando para uma mídia social de conteúdo e com artilham esse conteúdo no Facebook.

Pense sempre em conteúdo relevante. Vejamos alguns exemplos:
- vídeos engraçados no YouTube de cachorros fazendo arte para divulgar um pet shop
- vídeos úteis no YouTube ensinando como montar um móvel para marcas de ferramentas
- fotos úteis no Flickr com infográfico sobre como fazer um currículo para uma empresa de recolocação
- apresentação com dados surpreendentes de slides no SlideShare sobre as ruas de São Paulo com mais furtos de automóveis para uma empresa que venda seguros de automotivos

Com tal estratégia você conseguirá divulgação gratuita da sua marca a partir dos próprios consumidores nas redes sociais. Sem dúvida uma maneira de você diminuir muito o seu custo de conversão e aumentar o seu tráfego a partir das redes sociais.

FInalmente, Social Commerce

Na segunda edição do Google Marketing, em 2008, falei de uma tendência que prometia muito, o comércio social, ou s-commerce. Naquela época ainda não havia uma rede social flexível para possibilitar tal ação por parte das lojas.

O programa de filiados é uma espécie de s-commerce, porém, bem low profile. Faltava tecnologia e um grande player para apoiar a tendência e transformá-la em realidade. Eu disse “faltava”. Em algumas palestras e em um post, já havia falado na relação entre o comércio por catálogo e pela internet.

Após um projeto de um ano, o Magazine Luiza lança sua plataforma social de venda C2C – consumidores vendendo para consumidores produtos do Magazine por meio de redes sociais. Como eu diria: poético :)

Esse movimento, certamente, vai mexer com o mercado e muitos outros players o seguirão. Aparecerão empresas para criar estratégias de s-commerce para e-commerces. Entraremos em uma nova era de micro-segmentação em que o comércio irá se integrar ao social. Para quem leu o livro 8Ps, em que o mercado econômico irá se integrar melhor ao mercado social. Talvez essa ação seja o elo perdido para tal integração.

É claro, saiba que você ganhará amigos vendedores, o que, dependendo do amigo não vai lhe agradar muito, porém, o amigo invasivo você perdoa, a marca, não.

 

Otimizando de sites para mídias sociais

Concordo que o título deste post ficou um pouco longo, mas é exatamente isso que vamos falar hoje. Como que você pode utilizar as ferramentas de web 2.0 – as mídias sociais – para fazer com que sua marca fique bem posicionada no Google, mesmo que seu site não esteja nas primeiras colocações dos resultados de buscas do buecador.

Vamos entender primeiramente o que faz o Google escolher um site ou outro para colocar nas primeiras posições da sua busca: os mais de 200 ou 300 critérios (alguns falam em milhares de critérios) que ele aplica a cada página para pontuar e classificar uma a uma.

Saber os critérios já é algo difícil, dado o mistério em torno de alguns (é lógico, que há vários critérios que é de conhecimento comum, porém, muitos são especulação), mas há algo ainda mais nebuloso para nós mortais – o peso de cada um dos critérios na composição da “fórmula”.

Sabemos que há critérios que têm muito peso na composição do índice do Google que posiciona algumas páginas na frente de outras, como por exemplo, presença da palavra-chave no título da página, links externos que apontam para a página, qualidade desses links externos, a presença das palavras-chave no conteúdo da página, idade do domínio, presença da palavra-chave nos textos âncora que apontam para a página dentre alguns outros.

Para alguns deles, o trabalho de SEO é mais imediato, como por exemplo, a presença da palavra-chave no título – essa é uma variável controlável. Para outros critérios, como por exemplo, a quantidade e a qualidade dos links que apontam para sua página, a história é bem diferente pois você depende de outros sites. Um site que tenha uma boa relação com a própria internet receberá mais links de entrada (links externos) do que um site que não o tenha. A internet é uma rede de redes, logo, estar em rede é fundamental.

Pode não ser fácil construir essa rede. Uma das soluções encontradas é trabalhar com as mídias sociais, principalmente as focadas em conteúdo.

Vamos aprender uma diferença. Chamamos de mídias sociais, tanto o YouTube quanto o Facebook, porém, uma é focada em conteúdo – o YouTube – e a outra é focada em perfil de pessoas – o Facebook. O YouTube até tem perfis, mas o foco são os vídeos, bem como, o Facebook até tem vídeos, mas o foco são os perfis.

Vamos falar das mídias sociais com foco em conteúdo. Chamarei de “mídias sociais de conteúdo”.

É sabido que o Page-Rank (uma métrica para a quantidade e qualidade dos links externos a um site) de um site como o YouTube ou o SlideShare é altíssimo. Isso se deve à quantidade de links externos que apontam para eles. O Page-Rank é um dos critérios importantes que o Google considera ao posicionar uma página na primeira posição ou na última de seus resultados de busca.

Lembre-se que essa é uma variável que é difícil de controlar. Conseguir muitos links externos pode ser uma tarefa árdua e tem até um nome: “link building”.

Como as mídias sociais de conteúdo já tem esses links externos, elas já tem um Page-Rank elevado. Um conteúdo que tenha a sua marca em uma mídia social dessas pode alcançar uma primeira página de Google mais facilmente do que o seu site, na maioria das vezes.

Deixe-me esclarecer o que estou propondo. Imagine que você seja uma empresa que venda equipamentos de segurança patrimonial como circuito fechado de TV, cercas elétricas, porteiros eletrônicos com câmeras e outros. Quem compra um CFTV não gostaria de comprar isso, mas tal produto é um mal necessário para que ele adquira algo maior – segurança. O que ele está procurando é aumentar a segurança da sua casa, não por circuito fechado de TV.

O comportamento desse consumidor, antes de procurar pelos melhores preços para tal produto no Buscapé, irá pesquisar no Google palavras-chave como “segurança patrimonial”, “como aumentar a segurança da casa”, “dicas de segurança em casas”  e várias outras que a ferramenta de palavras-chave do Google irá lhe fornecer.

Pesquisando na ferramenta de palavras-chave, do Google, você descobriu que a expressão “segurança eletrônica residencial” tem em média 200 buscas por mês no Google. Você deseja chegar até os consumidores que fizeram essas buscas, pois, estão dentro do seu público-alvo.

O único problema é que você não quer investir em links patrocinados e o seu site não está otimizado para o Google. Esses são problemas comuns. A solução é utilizar as mídias sociais como partes do seu site.

Digamos que sua empresa, de segurança patrimonial, tenha feito uma bela apresentação de slides e posto no SlideShare sobre dicas de segurança eletrônica residencial. Qual tipo de residência é a ideal para uma segurança eletrônica, quais os tipos de aparelhos que existem, comparação entre marcas de segurança eletrônica residencial etc. A sua apresentação tem cerca de 30 slides com um ótimo conteúdo sobre o tema.

O SlideShare é uma mídia social tem um alto Page-Rank. Você coloca no título da apresentação algo como “Segurança Eletrônica Residencial – saiba como se proteger” ou “Segurança Eletrônica Residencial – soluções disponíveis no mercado” (de preferência um título com no máximo 70 caracteres). O ideal é que o nome do arquivo que você vai subir para o SlideShare tenha essa expressão também, como por exemplo: “seguranca-eletronica-residencial.ppt”.

Na descrição do SlideShare do arquivo que você fez o upload, você também vai colocar algumas vezes a palavra-chave (sem exagero).

Utilize texto nos slides e não só imagem. O SlideShare extrai todo o texto dos slides e os coloca logo abaixo da apresentação aumentando a chance da página ser lida pelo Google com relevância na palavra-chave.

Com isso, você terá uma página no SlideShare otimizada com as variáveis controláveis e com um alto Page-Rank – que não é uma variável controlável, mas você estará aproveitando o Page-Rank do SlideShare.

Divulgue a página do SlideShare em seu site e em outras mídias sociais – Twitter, por exemplo – para gerar links externos para a página. O Google vai aumentar ainda mais a relevância daquela página para a palavra-chave “segurança eletrônica residencial”. Utilize o texto-âncora igual à palavra-chave, de preferência, nesses links.

Com isso, a chance de você ter a página do SlideShare na primeira página do Google será altíssima. É lógico que sua apresentação de slides deve ter o contato da sua empresa etc. Será como no seu site, porém, dentro de uma apresentação de slides no SlideShare.

Tendo dúvidas sobre essa técnica, assista a aula nº2 do meu curso online de marketing digital. Saiba mais sobre isso na página sobre as minhas aulas online.

O poder das redes sociais para a geração de negócios

Uma leitura atenta dos meios de comunicação, seja o jornal do dia, a sua rádio favorita ou o seu programa de TV matinal, percebemos a profusão de notícias sobre novatos do mercado como Facebook, Orkut, YouTube ou Twitter.

O mundo empresarial tradicional – aquele formado de aço e tijolos – perplexo diante de mudanças que mal podem acompanhar, se perguntam para onde vai esse mundo. As conversas de corredores mais parecem a anunciação do apocalipse. O fim dos jornais, o fim do livro e o que mais se imaginar de pior nas mais diversas indústrias.

O fato é que, se pararmos para analisar esse quadro, veremos que o ser humano não mudou muito nos últimos, digamos, mil anos. Continuamos com nossas angústias diante da morte, precisando comer e viver em pares. O que mudaram foram as ferramentas, o chamado “contexto”.

Não existia o Orkut na década de 80, mas as pessoas entoavam o bordão “Quem matou Odete Roitman” – é fácil hoje imaginar uma comunidade no Orkut com esse nome bem como é fácil imaginar uma comunidade com o nome “Eu amo Ovomaltine do Bob’s”.

Pessoas sempre cultuaram marcas e as tomaram como pano de fundo de sua própria identidade. Falavam bem de produtos ou exprimiam seus estilos de vida por meio de adesivos de carro ou bordões populares, mas não participavam de nenhum “clube” de fãs formal sobre tal tema. Com a crescente massificação da internet e da banda larga, veio a denominada web 2.0. Agora, somos nós, reles mortais consumidores, que produzimos o conteúdo que invade o mercado sobre o que sempre quisemos dizer, mas que nunca nos deram chance nem espaço de falá-lo, contudo, o broadcast de hoje são as conversas muitos-para-muitos de um Facebook ou um Twitter.

Em qualquer modelo econômico, quem detém os meios de produção tem o braço forte na economia. Se antes, só veículos como TV e jornal detinham os meios para produzir e veicular a informação, hoje, qualquer consumidor pode produzir o seu próprio programa de TV com uma câmera de celular e veiculá-lo no YouTube, o que gera uma grande conversa – esse é o princípio das redes sociais.

Percebemos portanto que o “novo mundo” não traz regras tão diferentes das do “velho mundo”. Nossos costumes mudaram. Os novos caciques não usam mais cocares, mas continuam adornando suas cabeças com coroas. Não numeramos tanto nossas medalhas de guerra ou nossos escalpos, mas juntamos um a um nossos “badges” no Foursquare bem como expomos a quantidade seguidores no Twitter como uma moeda social.

O paradoxo em que estamos inseridos, contudo, reside no fato de que, ainda que o ser humano não tenha mudado em sua essência nos últimos mil anos e, portanto, segue guiando nossa economia pelos caprichos de sua própria espécie, as transformações baseadas nas novas tecnologias é mais profunda do que saber mexer no Facebook ou “subir” um vídeo no YouTube. A mudança é sócio-cultural.

As pessoas continuam reclamando, elogiando, perguntando, indicando, mentindo, se emocionando e demonstrando tanto outros sentimentos inerentes a nossa natureza “humana, demasiado humana”. Com a falta de tempo, porém, com o aumento das distâncias médias a serem percorridas pelos cidadãos e pela tendência de enclausuramento, a expressão comunicativa foi fatalmente levada para a internet. É nesse novo meio que o consumidor conversa e se faz ser escutado.

A chave para transformar redes sociais em instrumentos de negócio é entender a essência do ser-humano. A lógica do “produzir e comunicar para vender” dá lugar ao “comunicar para engajar, ouvir para produzir e adaptar para vender”. Algo bem complexo para ter mudado apenas nos últimos 10 ou 15 anos e exigir a rápida adaptação das empresas.

O sucesso nas redes sociais não tem tanto a ver com perfis no Twitter ou promoções no Facebook, tem muito mais relação com fazer de forma verdadeira e interessada aquilo que o consumidor desde sempre desejou como ser humano: ser ouvido.
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Artigo meu publicado no Jornal do Comercio – RS – no caderno “Marcas de quem decide 2011″.
Quem quiser copiar, fique a vontade, mas, por favor, cite a fonte :)

Estudo de case de marketing digital nº10: Ikea Facebook Showroom

Muitas ferramentas que podem ser utilizadas em ações de marketing digital são gratuitas. Já estão na internet à disposição de qualquer um que saiba usá-las.

No livro Google Marketing, eu indico centenas de ferramentas online gratuitas para suas ações de marketing digital, por enquanto, vamos aprender uma delas. Esse case está no livro também para quem quiser aprender a teoria envolvida nessa estratégia.

A Ikea após inaugurar uma loja em Malmö, na Suécia, queria saber qual a repercussão do lançamento da nova unidade, mas não somente para saber a opinião da população de Malmö.

Para conseguir alcançar pessoas de diversos locais diferentes, resolveu fazer uma ação no Facebook. Foi criada uma conta no nome do gerente da loja e postaram em duas semanas 12 fotos do showroom da loja no álbum. A mecânica era bem simples bastava que os usuários colocassem tags (marcações, etiquetas) com seus nomes nos móveis, o primeiro a marcar o móvel ganhava este.

Imagem de Amostra do You Tube

Como as marcações nas fotos aparecem no mural dos seus amigos, as imagens do Showroom apareceram para milhares de pessoas, divulgando a nova loja em Malmö e as fotos do showroom. Dessa forma, a cada novo usuário que marcava seu nome na foto estava divulgando o catálogo da Ikea, usando somente os recursos automáticos do Facebook.

Fora toda essa divulgação dentro do Facebook, a campanha também foi bastante comentada no Twitter e em nos principais blogs sobre publicidade e social media.

Para saber mais: http://conra.do/f8JQKc

Como você pode utilizar ferramentas gratuitas para divulgar sua marca de maneira criativa?

Mais estratégias como essa no Treinamento Google Marketing que é ministrado por mim em todo o Brasil.

O Google, no fundo, no fundo, é uma empresa frágil

Vocês já pensaram que o gigante Google pode ser, na realidade, uma empresa bem frágil? Uma criança que cresceu muito rápido, mas não amadureceu o suficiente?

O modelo de negócios do Google tem se apoiado em faturamento via links patrocinados. A grande parte do seu faturamento vem daí. Ele vem tentando de todas as maneiras minimizar a importância dos adwords em sua receita, o que de certa forma tem conseguido com…anúncios displays. Tudo aquilo contra o qual Brin e Page lutaram contra no início ideológico da empresa.

Wall Street continua sendo Wall Street…

A premissa do faturamento do Google é que a busca ainda é o centro da web, logo as pessoas sempre entrarão em suas páginas para buscas resultados na web. Até aí eu concordo. Um ponto, porém, é que os anunciantes se beneficiam dessa busca para veicular seus anúncios baseados em palavras-chave.

Anúncios em displays é o que a publicidade “online tradicional”, herdada da velha mídia, sempre fez. Não é relacionamento e cada vez mais as pessoas querem se relacionar. Mídia display todo mundo faz.

As redes sociais têm atraído cada vez mais pessoas e ganhando cada vez mais perfis personalizados. Perfis em que as pessoas colocam seus gostos, perguntam coisas para amigos no mural do Facebook, curtem marcas e outros indícios muito claros de segmentação. Um anunciante poderá veicular sua comunicação de uma maneira muito mais precisa em uma rede social do que em um buscador. Terá uma propaganda praticamente personalizada.

Se os anunciantes começarem a ter retornos maiores com anúncios em redes sociais do que em buscas, eles fugirão para as redes. O Google vai continuar sendo o gigante das buscas, disso eu não tenho dúvidas, mas os anunciantes podem se dividir.

O modelo de concentrar a receita em Adwords pode ser um tremendo perigo para o gigante. Por isso ele arrisca tanto em outras áreas. Segundo Eric Schmidt, não faz nenhum sentido não arriscar já que o Google tem tanto dinheiro em caixa. Para o Google a palavra inovar parece ser um cutelo permanente.

Como uma criança super desenvolvida tentando alcançar a maturidade, o Google sabe que tem que seguir a lei básica de qualquer negócio ou carteira de ações: diversificar para minimizar o risco.

As leis da “velha economia” estão mostrando ao gigante da nova economia que as coisas, afinal, não mudaram tanto assim.

Estratégias em redes sociais (?)

Outro dia li um e-mail de um amigo que dizia finalmente ter conseguido implantar na empresa dele uma estratégia de redes sociais: criou perfis em mais de 20 redes sociais diferentes, como Twitter, Orkut, YouTube e Facebook.

Uma boa iniciativa, porem, com alguns pontos a serem discutidos.

O primeiro ponto é que não devemos confundir mídias sociais com redes sociais. O Twitter é uma mídia social, o YouTube é uma mídia social. O Orkut e o Facebook são redes sociais.

É uma confusão frequente dado a terminologia que é muito nova ainda. Estamos criando teoria sobre a questão, mas é bom estar atento.

O segundo ponto de conflito na frase de meu amigo é com relação à quantidade de perfis criados. Você já visitou o perfil da Tecnisa no MeAdiciona? Percebeu que a Tecnisa, uma das maiores construtoras do pais, com ação na bolsa de valores etc. só tem perfis criados em pouco mais de meia dúzia de mídias sociais?

Quando for criar perfis em redes sociais, prefira aquelas que em sintonia com seu público-alvo. De nada adiante você vender bolsas femininas e ter um perfil na www.kigol.com.br. A rede voltada para amantes do futebol não tem aderência ao seu mercado. Porém, ter um perfil bem trabalhado na ByMK faz todo o sentido.

Outro ponto é que as pessoas ainda jogam segundo as regras da velha economia. O nome do jogo atualmente não é mais “vendas”, é “relacionamento”.

A sua empresa deve criar uma linha de relacionamento com seu mercado – quanto mais longa essa linha, ou seja, quanto mais longevo for o relacionamento, mais a empresa ganha. É o que o marketing 1-to-1 ou os preceitos de CRM pregavam na década passada e que ganharam um anabolizante virtual com o advento da rede.

Mais do que o ciclo de vida de produto, passe a considerar o ciclo de vida do cliente.

Criar relacionamento não é ter perfis abandonados em dezenas de redes sociais, é interagir com cada post, com cada resposta de um usuário, é se tornar presente na vida do consumidor, não na rede social.

A rede é só uma ferramenta, o objetivo é ganhar seguidores, fãs, membros ou “amigos” para geração de negócios. Não preciso dizer que para gerar negócios, não adianta abandonar o consumidor depois que você deixa o seu cartão com ele. É preciso relacionamento com ele.

O terceiro ponto que gostaria de ressaltar é confundir estratégia com tática e tática com operação.

Estratégia é o caminho que está tomando. Pode ser, por exemplo, “vender para grandes clientes para que tenhamos uma marca forte para o mercado internacional”ou então, “ser líder em custos no nosso segmento”, ou ainda, “ter a maior rede de contatos dentre todos os nossos concorrentes”.

Essas são estratégias. Elas direcionam o seu negocio.

A tática são oportunidades ou ameaças momentâneas que provocam manobras rápidas para, por exemplo, ocupar um espaço deixado por seu concorrente ou para blindar um mercado ameaçado por um novo entrante.

A tática não é a estratégia. É preciso diferenciar uma da outra para que você possa saber qual o período de duração médio de cada ação de sua empresa.

A operação é o “quem”, “quando”, “onde” etc. É o famoso “colocar a mão na massa”.

Criar perfis em 20 redes sociais não é estratégia, é operação, no máximo, tática.

Antes de tomar decisões dessa natureza, é bom fazer algumas perguntas para a sua agência ou direção da empresa: Quais os movimentos pelos quais passam os nossos consumidores? O que provocou isso?  Quem são nossos consumidores? Em que mídias sociais eles se encontram? Dentre várias outras.

Não se deve criar um perfil em uma rede só porque o concorrente tem um lá. O planejamento de marketing digital deve ser feito de modo a incluir a criação de perfis em uma estratégia maior em que todas as ações conversem entre si.

Ações isoladas, seja em redes sociais, seja em e-mail marketing ou em SEO não surtem os efeitos que as empresas desejam. Integração e correto entendimento do que está sendo feito são fundamentais para o sucesso da sua estratégia.

Orkut x Facebook: um case de posicionamento de marca ou interesse global?

O que mais ouvi nas últimas semanas foi  ”O Orkut está virando o Facebook”, “Não migrei para o novo layout do Orkut”, “Vou fazer meu orkuticídio” e por aí vai. Por algum motivo, o Orkut, que sempre foi uma febre no Brasil, está começando a perder a sua força por conta das ondas geradas por um invasor: o Facebook. Será um problema do Orkut de falta de posicionamento de marca junto ao Brasil?

Tenho algumas reflexões a respeito disso.

Todo mundo se lembra quando a AOL veio para o Brasil. A maior do mundo vinha ameaçar o reinado do UOL. Sabemos o que aconteceu durante alguns meses. Uma batalha inglória que o UOL saiu mais do que fortalecido.

A grande diferença entre os dois era: o UOL conhece muito bem os hábitos do brasileiro, simplesmente porque tinha grandes e tradicionais grupos de mídia e jornalismo por detrás de toda a sua operação. Conhecia o brasileiro a fundo e há muito tempo.

Não podemos dizer que o Google, com toda a sua máquina de gerar respostas a todo o segundo, conhece de fato os meandros culturais de um país complexo como o Brasil.

Segundo li em uma pesquisa há alguns anos – do e-marketeer -, o brasileiro dá muita importância para o número de amigos. Sendo o Brasil um país culturalmente gregário, é natural que o Orkut tenha crescido de forma exponencial aqui (e também na India).

O Orkut valoriza o grupo, as comunidades, o número de amigos (informação facilmente visível na página de perfil), o número de fãs etc. Lembra-se de quando o Orkut mostrava o número de amigos ao lado do nome da pessoa? Era uma espécie de ranking. Esse era o grande ponto de aderência com o povo brasileiro.

O Orkut sempre foi um medidor de popularidade: os corações, estrelas de fãs e carinhas legais eram uma espécia de medalhas – como os badges utilizados hoje pelo Foursquare.

Lembro de uma comunidade chamada “Meu Orkut não sabe contar”, ou algo do gênero, em que pessoas se revoltavam pelo fato de ter 150 amigos e o Orkut só mostrar 90. Era motivo de indignação. “Lutei tanto para conseguir 150 amigos e o Orkut não reconhece”(!)

O Facebook, apesar de ter se modificado ao longo do tempo, ele, tendo nascido em um país muito mais individualista, valoriza a pessoa, o indivíduo, não o grupo. Não é tão fácil quanto no Orkut encontrar o número de amigos. Fãs, só para as páginas de empresas (que agora é simplesmente página, e não mais “fan pages”). Quem tem fã no Facebook é marca, artista ou empresa, não pessoas comuns. Simples mortais. No Orkut todo mundo é uma estrela – todos têm fãs.

O Facebook valoriza os aplicativos que a pessoa tem, o jogo que a pessoa joga e, é lógico que vem mudando ao longo do tempo mas claramente valoriza a pessoa e suas atualizações, não a quantidade de fãs que ela tem. Não pegou no Brasil (pelo menos não, inicialmente). É apenas uma redes social, não um “popularômetro” tipicamente adaptado ä cultura brasileira.

Porém, há alguns meses, o jogo se inverteu. A marca Facebook é muito forte e, independente de não valorizar amigos ou fãs, a sua simples menção já causa frisson. Natural, assim como a AOL causou ao chegar no país. Assim como a Fiat causou amargando um prejuízo durante anos só para estar presente no país. Assim como o desafiante sempre causa quando chega dizendo que vai fazer e acontecer. Isso é normal.

No caso da AOL, apesar de outras variáveis externas, o UOL só fez fortalecer seu posicionamento para ficar mais integrado ainda com a cultura que o criou.

Com o duelo Facebook x Orkut, o que aconteceu foi o contrário. O Orkut se assustou e quis virar o Facebook. O Orkut quer jogar um jogo que foi o Facebook que inventou. As chance de ganho são pequenas, mesmo para um Google.

Lembre-se de que a Microsoft, que sempre reinou no universo da tecnologia não foi capaz de vencer um estreante Google no campo das buscas e da interatividade. É questão de DNA e interesse.

A questão, porém, é maior do que ganhar o jogo no Brasil. A questão é: “O Brasil, como uma peça única em um jogo global, interessa ao Google, uma empresa global?”

Os fatos estão mostrando que, apesar do Brasil ser uma peça importante pelo tamanho do seu mercado, tempo de navegação, adoção à redes sociais e todas as outras métricas que estamos carecas de saber, isso pode não representar muito em um jogo que envolve todos os outros países do mundo, principalmente, os de maior poder aquisitivo.

Como em um “Monopólio”, (você se lembra do jogo Monopólio?) o Google quer ganhar grupos de nações, não países isolados. “Se é do modelo Facebook que eles (o mundo) gostam mais, daremos Facebook – mude a interface, mude as funcionalidades, coloque os joguinhos famosos no Facebook e vamos partir para a inovação baseada em cópia e na compra”.

“O Brasil não está migrando para o novo Orkut? Não tem problema, estamos preparando uma nova ofensiva que será a grande rede social do Google”

Me parece a Guerra das Colas ou a Batalha dos Browsers se repetindo em outros campos. Os jogadores e as peças mudaram,  mas o espírito da batalha continua o mesmo – o da velha economia.

O problema é que a Guerra hoje se vence com armas diferentes. Armas que têm muito a ver com preferências individuais do que quem tem mais arqueiros ou cavalaria. É a nuvem disforme de consumidores que pendem os pratos dessa enorme balança com uma fluidez muitas vezes não compreendida antes da balança virar. É no micro-target que se vence a guerra.

Será um jogo interessante que, ao contrário do que muitos dizem, não acho que será o consumidor a sair ganhando dessa guerra. O próprio Facebook não é lá essas coisas em termos de funcionalidades, mas é a festa mais cheia. Independente da cerveja estar quente, é lá que todos querem estar.

O que vejo é que a batalha das redes sociais está começando e ainda trará muitas surpresas e desavenças. Vamos esperar para entender melhor como que a velha economia continua influenciando na nova economia.

Gráfico “Boom das mídias sociais”

É meio antigo, mas vale a pena:

Uma das maiores redes sociais do mundo (e não é o Facebook).

Outro dia estava lendo sobre uma rede social que já conta com mais de 300 milhões de membros e está presente em mais de 100 mercados. Em número de usuários ela só perde para o Facebook (mas dá muito mais lucro do que ele). Anualmente essa rede social fatura mais de US$ 10 bi e cresce de vento em popa.

O mais incrível é que ela tem mais de 100 anos, é uma marca conhecida mundialmente e ninguém acha que ela é uma rede social.

Para quem falou, “Avon”, acertou.

A Avon é uma das maiores redes sociais do mundo e desde sempre pratica o que hoje chamamos de comércio social – a junção do conceito de rede social com comércio, no caso pós-moderno, eletrônico.

Para entendermos a Avon como um case de sucesso de rede social aliada a comércio, vamos nos remeter a meados do século XIX, quando a Sears iniciou suas vendas por catálogo. Em 1876, em meio à expansão dos Estados Unidos para o interior, o gigante do varejo – Sears – percebeu que estava perdendo muito mercado em cidades de poucos habitantes, mas numerosas em quantidade.

Uma cidadela de mil habitantes, por exemplo, não justificaria a estrutura de uma Sears, mas certamente geraria vendas se bem trabalhada. A solução foi criar os famosos catálogos da Sears. Levava a informação sobre os produtos, mas não levava, de fato, os produtos.

A mesma estratégia de venda por catálogos foi utilizada pela Avon em 1896, menos de uma década após a sua fundação. A venda direta, porta a porta, aliada ao catálogo de produtos, transformou a Avon na líder mundial de vendas diretas ao longo dessas décadas.

A venda por catálogo é baseada na venda de informações sobre produto. O produto é entregue depois, no caso da Avon, cerca de 20 dias depois. Qual a diferença disso para uma venda em um site de comércio eletrônico? Somente a tecnologia. O conceito continua o mesmo – a venda de informação ao invés da venda do produto em si.

Alie-se a isso a questão da rede social. O que as revendedoras da Avon fazem ao visitar suas clientes e o conceito de rede social e não é muito diferente. As revendedoras têm uma rede de contatos, se tornam amigas das clientes (ou transformam as clientes em amigas) e, entre uma opinião sobre maridos e escola dos filhos, vende-se um produto.

A base é a amizade e a confiança na marca Avon e na revendedora, uma pessoa que entra na sua casa periodicamente. O comércio  é apenas conseqüência.

David McConnel, fundador da Avon criou, muito bem, diga-se de passagem, o conceito de comércio social sem nunca ter imaginado a internet e o Orkut, mas seu resultado está bem alicerçado sobre os conceitos que hoje tanto ouvimos falar com relação a Facebooks e Twitters.

Em tempos de internet, a Avon não poderia deixar de estar na internet, e está. É uma marca cada vez mais interativa e criou uma outra marca – Mark – para ter maior aderência com o público jovem, que tem aplicativo para iPhone e venda pelo Facebook. O verdadeiro comércio social.

O fato da Avon, maior rede de comércio social do mundo, off-line, estar direcionando esforços para atividades online mostra uma tendência clara de migração do comércio eletrônico para comércio social.

No outro extremo, que tal analisarmos o maior varejista do mundo para detectarmos tal tendência: a Amazon.

Recentemente o escritório de marcas e patentes dos Estados Unidos concedeu à Amazon uma patente de uma rede social. Será um movimento do maior varejista online em direção a Avon – criar a rede social baseada em comércio eletrônico?

Só o futuro dirá. Uma coisa é certa: em pouco tempo, plataformas de e-commerce que imitam o varejo off-line, que se limitam a mostrar os produtos e ter uma rotina de carrinho de compras, farão parte da pré-história do comércio eletrônico.

Não há ninguém melhor do que os nossos amigos ou clientes de uma determinada marca para falar sobre a qualidade dos produtos ou serviços. Essas pessoas estarão em nossa rede social.

Aliar comércio eletrônico à rede social, principalmente com a utilização de aplicativos em smartphones, será o futuro do que hoje chamamos de maneira prosaica de e-commerce, e que provavelmente se chamará simplesmente “comércio”.


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