Categoria: sociedade digital

Apresentação sobre gamificação

Para quem já me ouviu falar várias vezes sobre “gamificação“, essa apresentação que encontrei no site Update or Die ajuda muito no entendimento dessa tendência.

 

Game Thinking

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A lebre e a tartaruga: uma breve reflexão sobre as mudanças na indústria da comunicação

Sempre me questionei com relação a real função dos contos de fada. Um deles é o da lebre e da tartaruga. Dizer que a tartaruga ganhou da lebre só porque ela entrou de “salto alto” na corrida, convenhamos, não condiz com a realidade. A meu ver a lebre ganhou a corrida, sim, e ponto. A história que conhecemos foi contada, no mínimo, pela tartaruga.

Em tempos de internet vemos lebres e tartarugas se digladiando a todo momento. O mercado está cheio de tais exemplos. Empresas novas e ágeis que vencem (e que compram) as seculares instituições sobre as quais baseou-se a economia das últimas décadas. O exemplo AOL-Time-Warner perdeu sua posição de notícia chocante para a recente Google-Motorola. Aquisições que acontecem e que, para os mais velhos, simplesmente não fazem sentido segundo a lógica industrial, lenta e pesada.

A velocidade tem vencido a senioridade e não há muito o que fazer ou lutar com relação a isso, só constatar o fato e agir em função dele. Costumo dizer que qualquer modelo de negócios que não tenha mudado muito nos últimos 20 anos vai mudar radicalmente nos próximos 5. O modelo do mercado publicitário e de comunicação como um todo já está sentindo essa necessidade de mudança. Vivemos na era da lebre, não mais da tartaruga.

Algumas agências agem como a tartaruga que dominou uma era e que agora reina, mas já não governa como outrora. As que antes tinham seu quinhão garantido, veem-no diminuir dia a dia e já se questionam a respeito do futuro. Agências que trabalham somente no mercado tradicional de comunicação se perguntam para onde este barco está navegando e quem é o louco que está no timão. Não acho que a resposta seja fácil, porém, vou esboçar uma opinião sobre o tema.

A primeira pergunta que geralmente me fazem é de onde vem a receita das agências online. Uma agência online, em média, ainda não fatura tanto quanto uma agência convencional. O motivo é simples: internet não tem BV e dá muito trabalho. Muito, mesmo. Isso é fato.

Mão-de-obra extremamente qualificada, mensuração de resultados a todo tempo via ferramentas de web analítica, prazos apertados em projetos complexos que envolvem muitas pessoas de competências diferentes, falta de profissionais no mercado inflacionando os salários do setor, clientes que não entendem o que é o digital pedindo coisas impossíveis de serem feitas no budget e prazo definidos etc.

O modelo parece insustentável e incompatível com uma era de economias e de extremo cuidado pós-crise (sendo que, para muitas empresas de atuação global, a crise ainda não acabou). Não é difícil perceber que, se não mudarmos o modelo da agência atual, a margem tende a diminuir até a autofagia do segmento.

Um modelo que hoje tem mostrado força é o da agência que une ações online e offline (passeando naturalmente entre os “dois mundos”). A Agência Click já partiu para esse modelo há algum tempo. Vejo que um passo natural nesse sentido é unir ações de guerrilha, como a Espalhe tem feito, com ações online e comunicação tradicional. Engajar o consumidor, porém, isso pode dar tanto ou mais trabalho que a comunicação via web que mencionei no início do artigo. A conclusão é de que, independente do tipo de agência, web ou “360″, a época das contas gordas com trabalho razoável vai acabar. A maré, caso o modelo atual insista em perdurar, será de trabalho insano com remuneração parca.

Muitas agências ainda insistem no modelo tartaruga “TV-jornal-revista” simplesmente porque não entendem o mundo digital da lebre. Fazer com que equipes do universo das ciências humanas, em que o profissional que mais sabe mexer no Excel é o “mídia”, se mescle ao universo das ciências exatas, em que palavras como “scrum”, “php” e “gerenciamento de projetos” fazem parte da rotina não é nada fácil.

A internet une as humanas e as exatas, porém, de modo bem mais complexo. A coisa toda agora é “caórdica”. Qualquer ação digital tem que contemplar a possibilidade de críticas em tempo real e exponencial, falta de controle, ambiente fluido e ligeiro. Ter que “trocar o pneu com o carro andando”. Pontos que o mercado industrial acostumado a comando-controle não sabe lidar. Um ambiente que não se encaixa suavemente na estrutura hierárquica empresarial moderna, diga-se de passagem, baseada na hierarquia militar, tartaruga.

Apesar das agências não quererem esse modelo para elas – e eu digo que elas eram felizes e não sabiam – o ponto é que os clientes estão demandando trabalhos e estruturas online dinâmicas e voltadas para resultados offline tangíveis. Isso força às agências a terem seus departamentos online ou, no mínimo, uma cultura digital, interativa, que extrapole o rótulo digital e crie soluções inovadoras que integre o analógico e o digital de maneira sinérgica e eficiente. O mundo da tartaruga e o da lebre em comunhão – não poderia haver algo mais difícil de se obter.

O caminho parece ser esse, mas não sem dor. Algumas grandes agências só faltam construir barragens para conter o que não é possível segurar: a força da natureza humana libertária e consciente do que é melhor para si mesmo. Compram agências web que se destacam na região para deixá-las no ostracismo ou fechá-las, convencem os clientes de que “esse negócio de internet não faz verão” e subjulgam a comunicação online como um mero apêndice da convencional. Não poderia haver erro maior em um mercado que já mudou (a discussão “se o mercado vai mudar ou não” já caducou. Todos sabemos que esse é um caminho sem volta).

É necessária uma nova abordagem de negócios e um “desapego” com relação ao que sustentou o mercado na era industrial. O velho Ogilvy, se hoje estivesse vivo, seria certamente um homem transmidiático. Sim, a palavra é transmídia. Se fosse só o universo web versus o universo tradicional, seria até mais fácil de entender. A realidade não é assim. O caminho está na experiência da tartaruga e na velocidade da lebre andando de mãos dadas, o que gera conflitos naturais por unir competências tão distintas.

Unir o mundo dos átomos e o mundo dos bits muda qualquer tipo de empresa – agência, veículos e clientes – de forma disruptiva e não linear. Visualizações de soluções existem, mas nenhuma mantém o status quo. Todas representam rupturas no modelo atual de remuneração, serviço, contratação etc. Ou seja, uma mudança no mercado de comunicação de modo geral.

A explicação para toda essa mudança é a de que não foram as empresas que mudaram, foi a economia. Não foi o setor, foi o comportamento e a cultura da sociedade. A mudança vem de algo anterior ao nosso segmento ou mercado-alvo. Uma vez que chegamos em uma economia baseada em informações, em dados, em bits espalhados pela rede – essa tecitura subjacente às nossas vidas – tudo muda.

Alguns pontos fazem com que a internet seja diferente de tudo que apareceu antes em termos de comunicação e isso não é novidade para ninguém. A escala global ao alcance de um garoto de 12 anos em sua casa é um deles. A total e imediata mensuração de resultados é outro. A queda da geografia criando um local virtual, que coexiste com o nosso já conhecido local físico newtoniano é outro.

No mercado de agências, a pressão por resultado de curto prazo na comunicação vai aumentar cada vez mais. Por dois motivos, primeiro porque hoje é possível estimar resultados. Segundo por algo chamado “fantasma da crise”. Agências que gerarem resultados para o clientes em escala conseguirão gerar muita receita independente de comissões pois mostrarão à empresa o quanto ela economizou de forma mensurável e, devido ao alcance da rede, isso pode representar muito dinheiro para a empresa. Mudamos do discurso “é difícil mensurar publicidade” para o “minha agência aumentou minha receita em 25% com a ação de revista associada a Adwords em apenas 12 dias”, por exemplo.

Em função disso, percebo um movimento futuro em que as agências vão se dividir em três grandes grupos:

O primeiro grupo é o de agências que vão mudar seu foco de “criação de comunicação” para “empresa que entrega resultados mensuráveis de vendas a curto prazo”. Alguns segmentos de mercado irão naturalmente migrar para esse tipo, principalmente varejo e pequenas empresas de serviços – imobiliárias, concessionárias, segmento hoteleiro dentre várias outras. A internet terá papel preponderante nesse grupo. A agência cobrará basicamente em cima dos resultados mensuráveis que ela obtém para o cliente e sua performance determinará seu sucesso. Um modelo de parceira de alto contato entre cliente e agência e fidelidade baseada em satisfação medida no caixa. Um modelo de corrida constante atrás do consumidor, porém com excelente remuneração. Não indicado para os que têm estômago sensível.

Já temos empresas nesse modelo. No mercado norte-americano temos o modelo pay-per-click – como o Google-, o modelo pay-per-lead – como a portuguesa ActualSales, que teve faturamentos de 10 e 15 milhões de euros em 2009 e 2010, respectivamente – e o modelo pay-per-sale, que está iniciando como uma estratégia para ganhar o cliente que está no modelo pay-per-lead. Quanto mais de nicho for o cliente, melhor esse modelo vai se encaixar em suas necessidades porém, o modelo pay-per-lead não é exclusivo de clientes pequenos. Basta ver a lista de Clientes da ActualSales, que inclui Microsoft, Citroen, EDP, Telefonica dentre várias outras.

Dentro desse grupo, teremos também as agências maiores com foco em grandes clientes de varejo como Casas Bahia ou Magazine Luíza. Para esses, a mídia tradicional deverá trabalhar em conjunto com a internet para promover vendas em larga escala. O pagamento será cada vez mais baseado em performance de vendas. As Casas Bahia já experimentaram a comunicação mista online/offline baseada em cupom de desconto divulgado no Adwords para o Super Casas Bahia com êxito de 4% em compras efetuadas no evento, em campanha online feita pela Energy.

Pagar por resultado, inegavelmente é muito sedutor para o cliente e esse modelo em breve estará no Brasil com força total mexendo nas bases de nossa indústria baseada em cobrar por apenas comunicar, independente do resultado que isso traga.

O outro grupo vai trabalhar brand sem a necessidade de resultados em vendas a curto prazo. Alguns segmentos estarão nesse grupo, principalmente grande empresas e modelos de negócios que tenham que se preocupar com gerenciamento de crise a todo momento (no qual estão inseridas empresas como Petrobras, Vale dentre outras).

Durante alguns bons anos ainda a mídia tradicional terá papel preponderante nesse grupo. Na verdade, esse tipo de empresa compra todo tipo de mídia que construa sua marca, mas em um país em que ainda há mais de 110 milhões de pessoas completamente fora da rede, a mídia tradicional ainda será essencial. Esse é um mercado restrito que deverá ser cada vez mais competitivo e que será disputado por grandes agências.

É importante ressaltar que algumas grandes empresas já estão aderindo também às empresas no modelo pay-per-lead como as de venda de planos de telefonia ou TV a cabo, que tem foco em geração de leads a todo momento.

Para citar o terceiro grande grupo, vamos antes falar de uma mudança que já está acontecendo, principalmente para pequenos clientes: a dos próprios clientes fazendo toda a sua comunicação direto com o veículo, desintermediando a agência. Isso devido às soluções satisfatórias de comunicação que o cliente terá a sua disposição. Clientes poderão fazer banners, cartões de visitas, cartazes e folders como hoje fazem sites semi-prontos.

Na área de veiculação, clientes poderão comprar espaços diretamente de estações de rádios ou espaços em jornal por meio de um Google da vida – como em seu programa Adsense – porém, no mundo off line. O que não deixa de ser uma espécie dos tão polêmicos bureaus de mídia.

Logo, logo aparecerá alguma empresa brasileira de compra de espaço publicitário via leilão online em veículos que querem diminuir seu calhau, geralmente os menores. Isso já é realidade em vários outros países. Um Google Adwords brasileiro para atuar no mercado eletrônico e impresso. Leis não irão segurar isso por muito tempo em um mundo globalizado em que o cliente quer gastar cada vez menos. Os próprios veículos poderão criar tais soluções. Consigo enxergar um modelo de compra coletiva de espaço publicitário com plataformas criadas pelos próprios veículos ou empresas segmentadas para esse fim.

Ainda com relação a soluções web based em que o próprio cliente poderá confeccionar o seu anúncio, é lógico que o layout não ficará tão bonito, nem tão objetivo. A trilha sonora do anúncio de rádio não ficará tão adaptada ao produto. A locução poderá ser comprada pela internet, mas o texto poderá não ficar tão bom. O ponto principal é que, independente de ficar perfeito ou não, tudo isso será uma solução satisfatória e será muito barata, pois será um auto serviço que eliminará mão de obra do veículo ou fornecedor. Bom para o cliente, bom para o veículo. Ruim para a agência.

Ainda há o papel de empresas de Crowdsourcing Advertising como Zooppa, We Do Logos, NoAgency (recentemente comprada pela ActualSales) e outras que não são agências, mas sim, comunidades de profissionais de comunicação desenvolvendo trabalhos pela internet. Muitos desses profissionais trabalham em outras agências. A palavra é comunidade. A Zoopa, por exemplo, tem mais de 70 mil membros desenvolvendo trabalhos para Nova Schin, Sky, Microsoft, Tecnisa, Danone e muitas outras grandes empresas em um sistema de inovação aberta em comunicação.

Tudo o que puder ser transformado em bit, será comprado, brifado e enviado pela web. De locução de anúncio de rádio a arte de impressos. Com a possibilidade do cliente receber dez, vinte opções e escolher a que mais gostou a um preço menor do que pagaria na agência por três ou quatro. Difícil resistir a essa proposta de valor. É a lebre em ação. Não adianta alimentar a negação porque este cenário já é realidade.

Provavelmente as próprias gráficas desenvolverão softwares web based facilitando o trabalho de criação de cartazes e outras peças gráficas. As rádios desenvolverão softwares web based para a confecção de anúncios e ainda terão uma comunidade de locutores como a Zooppa tem de criativos. Já há empresas como a Zazzle, presente em 17 países, com mais de 500 mil produtos únicos criados de maneira customizada por dia, de cartões de visitas a bottons, de posters a gravatas. Os clientes enviam sua arte – que pode ser criada no próprio site por meio de ferramentas online – e tem o seu produto em mãos por demanda.

Percebo que em pouco tempo não haverá muitas agências de comunicação no modelo atual para clientes pequenos, somente para os médios e grandes. É nesse terreno árido que surgirá o terceiro possível grande grupo de agências: as que virarão veículos criando suas próprias soluções de comunicação para os clientes como uma reação natural ao movimento de desintermediação dos veículos com relação às agências.

A tecnologia, tanto de software quanto de hardware, hoje está muito barata e acessível. Qualquer um com verba mínima necessária para contratar um desenvolvedor web e um designer, consegue fazer um aplicativo para Facebook ou smartphone, consegue fazer um site para um público segmentado, criar uma rede social etc. Algumas agências médias já estão partindo para esse modelo já que estão vendo suas margens baixarem dia a dia. Se transformam em vendedores de sua própria solução de veiculação de marcas.

Isso faz com que a agência vire uma agência de si mesma e extrapole a venda pura e simples de serviço que depende de mão de obra qualificada, cara e escassa. Assim a agência passa a vender tráfego e veiculação para o cliente e ganha com a escala que a internet possibilita. Nesse modelo, quanto mais followers, friends etc for associada ao produto criado (aplicativo, site etc.), mais a agência ganhará em poder de barganha com o cliente gerando uma maior fidelização e vendendo soluções agregadas de criação para a sua plataforma. Cria-se um novo modelo de negócios em que nesse caso é a agência que desintermedia o veículo vendendo o contato direto do consumidor para o seu cliente.

Agência que estão partindo para esse modelo normalmente trabalham segmento por segmento utilizando a expertise que já tem em conhecimento do mercado consumidor e como atingi-lo. Algumas agências norte-americanas já migraram para esse modelo e a tendência é que isso se espalhe para outros países, inclusive para o nosso.

A conclusão a que chegamos, seja por que caminho for, é a de o mercado está mudando bastante e tais modificações não estão dando ares de diminuição de velocidade. Pelo contrário. A cada novo tablet, a cada novo smartphone com mais funcionalidades, a cada nova mídia social que surge, maiores são as possibilidades, logo, maior o número de novos players para desestabilizar o mercado que conhecemos e mais as empresas lebres levam vantagem.

A internet mudou a economia, portanto, mudou também todo o restante que vem a partir daí. Estamos diante de uma era de transformações profundas que não devem ser ignoradas. Repensar a sua empresa diante de tais mudanças no mercado pode ser a diferença daqui a poucos anos entre ter ou não ter mais uma empresa. A lebre e a tartaruga devem trabalhar em conjunto, porém, enquanto isso não acontece, a lebre está vencendo a corrida. Não leve tão em conta os contos de fada, a realidade é bem diferente.

Projeto 15minutos.edu

 

Para quem me conhece, já deve saber da minha inclinação social. Querer mudar o mundo, mas é incrível como que fazer isso sozinho não é fácil. Já tive várias ideias, porém, ainda não consegui um grupo de voluntários que realmente fizesse a coisa toda andar. Como meus projetos sociais são sempre baseados em internet, preciso de programadores, designers etc.

A ideia é até o fim do ano, separar uma quantia de dinheiro para bancar alguns desses projetos, porém, tive a ideia de um que pode ser algo bem simples e altamente colaborativo.

A ideia é gravar vídeos de 15 minutos com tópicos de educação, principalmente história, geografia e português, que são as principais ferramentas para a formação da consciência política de um cidadão. O indivíduo que sabe interpretar um texto, é um indivíduo livre. Um que sabe a história de seu país e do mundo, tem o poder sobre a informação e corre menos riscos de repetir os erros do passado. A geografia, principalmente com seu lado geopolítico, torna o indivíduo capaz de pensar por si mesmo.

Todos esses vídeos seriam distribuídos pelo YouTube e outros meios para que as pessoas possam baixá-los, assisti-los e aprender a pensar sobre eles.

É apenas uma ideia. Eu já vou começar criando um canal para isso e gravando algo que eu saiba. Depois que criá-lo, comento o nome do canal por aqui.

Quem está comigo nessa iniciativa?

O perigoso meio termo…

Tenho escutado algumas comparações entre as revoltas nos países árabes e a nossa marcha contra a corrupção de 7 de setembro. Acho que não cabe tal comparação, mas gostaria de ouvir a opinião de vocês.

Estamos em um perigoso meio termo em que a quantidade de insatisfeitos (que compreende o que está acontecendo de fato na política corrupta) não gera massa crítica suficiente para derrubar um sistema que está enraizado nas oligarquias nacionais. Algo muito mais profundo e perigoso do que a classe média AB pode absorver. Em alguns estados ou regiões vive-se uma ditadura disfarçada de democracia. Goethe dizia que “ninguém é mais escravo do que aquele que pensa ser livre sem o ser”.

Assim como a dificuldade de se entender o próprio mundo árabe (http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/oriente-medio/12293-analise-estrategica-das-revoltas-nos-paises-arabes.html) não é fácil entender esse sistema político brasileiro calcado em interesses de uma nação de mais de 190 milhões de pessoas. A quantidade de dinheiro que circula nesse país é grande o suficiente para corromper o mais reto dos Policarpos ou criar simulações de realidades dignas de uma Matrix.

Fico muito feliz pela iniciativa da marcha partir de um movimento virtual gerando um movimento real, porém, tenho minhas dúvidas sobre sua efetividade a curto prazo.

Não vivemos uma ditadura armada com penas de morte, policiais espancando civis em praça pública nem ao menos um sistema militar brando. Corrupção é um tema conceitual demais para boa parte da população. Todos entendem a palavra “morte” ou “espancamento”, mas poucos compreendem o real significado da palavra “democracia”, “liberdade”. São palavras que exigem reflexão, pensamento abstrato e leitura sobre tais temas. Palavras que, para seu correto entendimento, exigem uma educação formal razoável – o que todos sabemos que a maior parte da nossa população está longe de ter. Com notícias de “Brasil forte”, “Brasil potência”, “Brasil bola da vez”, esse assunto se torna ainda menos compreensível para muitos.

A passeata foi idealizada e feita na prática pela classe média (não a “nova classe média”, mas a “velha classe média”). Mais instruída e que vê boa parte do seu dinheiro ir embora em impostos. A que fica indignada por conta das notícias porque teve sua razoável educação formal para entender que crimes hediondos não precisam ser só estupro ou latrocínio, mas roubo de merenda escolar também. A própria internet ainda é um instrumento de apenas 74 milhões de pessoas no país (em um país com mais 190 milhões) – sendo que poucas dessas leem um Observatório da Imprensa ou um blog politicamente isento. Orkuts, Facebooks, MSNs ainda ocupam boa parte do tempo em rede. Não que isso seja ruim, pelo contrário, mas contribui muito pouco para formar politicamente um cidadão consciente de seus direitos e deveres. Para formar um cidadão que ferve seu sangue ao ouvir notícias de milhões sendo desviados ao invés de construção de escolas ou hospitais.

Torço para que esse movimento se espalhe para o restante do país, não só a classe média, mas para todos. Que contamine positivamente todas as classes e credos. Que de fato saíamos todos, pobres e ricos, às ruas para protestar e mudar algo. Façamos a nossa versão do panelaço. Torço para que paremos de votar nos corruptos e que paremos de nos preocupar apenas com o “meu próprio pão de cada dia” e passemos a nos preocupar com o “nosso pão de cada dia”. Acho porém, que essas questões são muito mais profundas do que algumas dezenas de milhares de pessoas saírem às ruas para criticar em um dia 7 de setembro.

A crítica deveria acontecer todo dia. Deveria acontecer em todos os lugares. Deveria acontecer na frente da casa de cada político demagogo. E os outros dias? o dia 8 de setembro, o dia 10 de novembro, o dia 18 de janeiro? Os outros dias sem nenhum simbolismo, que não representam nada além de mais um dia em nossas vidas cotidianas? Estes, diante da situação de chacota política que vivemos deveriam ser tão importantes quanto um 7 de setembro para se combater a corrupção.

Vivemos no meio-termo. Nem a ditadura egípcia, nem o paraíso nórdico. Vivemos em um Brasil emergente. “O Brasil potência” em que milhões ainda sofrem de insegurança alimentar grave. O “Brasil potência” em que dezenas de milhares de crianças ainda vivem na rua etc etc.

Não chego a ser nenhum profundo entendedor de política, mas acho que deveríamos refletir sobre o fato para tomarmos consciência do que realmente está acontecendo no nosso país e o que podemos mudar – e como devemos mudar.

“Inovação Acelerada pela Multidão”, segundo Chris Anderson

Um professor meu, chamado Roquete (o lendário Roquete) sempre falava de uma frase que até hoje trago comigo e cito em meu livro: “copiar para criar, criar para competir, competir para vencer. Já estamos na segunda fase”, proferida por Takeo Fukuda, primeiro ministro do Japão em 1968. Japão depois de ser arrasado por duas grandes guerras.

De fato, foi o aconteceu ao longo de alguns anos.

Estamos frente a um novo estágio da humanidade, o do aprendizado utilizando o que o outro aprendeu. Imaginem quantas pessoas não tem coisas a ensinar. Esse vídeo do Chris Anderson – o sempre brilhante Chris Anderson – dá bem uma ideia do que está por vir nesse novo estágio. É muito bom estar vivendo nessa época.

Eu confesso que já aprendi passos de forró pé-de-serra no YouTube. Também confesso que já aprendi muito com as palestras do TED, pelos vídeos da próprio site deles. Vídeos tornam a informação concisa, direta, estimulando várias partes de nosso cérebro ao mesmo tempo. Faz com que assimilemos muito mais informação por espaço de tempo do que qualquer outro meio. O próximo estágio é uma entrada USB em nosso cérebro – um método Matrix de aprendizado. Por enquanto, temos o vídeo.

Friedrich Hayek falava que “a civilização assenta-se no fato de que nós todos nos beneficiamos de conhecimento que nós não possuímos”, porém, disperso na sociedade. O que nos leva fatalmente a assimetrias informacionais.

A internet espalha o conhecimento de um modo que ele não podia prever. O que Hayek diria hoje com a web? Quão maravilhado não ficaria com as possibilidades desse novo meio?

Um outro caso, que vou também retirar das palestras do TED é o do vídeo abaixo do projeto “Buraco na Parede”. Outro vídeo que vale muito a pena assistir. Apenas 17 minutos da sua vida por algo impagável :)

Escrevi essa história em um outro post meu. Vou reproduzir o que escrevi anteriormente:

A educação tem sido uma outra área em que a internet tem transformado vidas. Sugata Mitra com seu projeto entitulado “buraco na parede”, que em 1999 embutiu um computador ligado à internet em uma bairro pobre de Nova Deli e percebeu que as crianças aprenderam muita coisa sozinhas ao interagir com uma máquina que a grande maioria delas nunca sequer tinha visto. O indiano Salman khan, que foi notícia em praticamente todo o mundo, que ajuda gratuitamente crianças a entender matérias como matemática, física e biologia por meio de vídeos no YouTube.

A minha crença de que a internet pode mudar o mundo se torna cada vez mais forte ao observar casos como esses.

Minha entrevista na CBN

Amigos,

Compartilho com vocês a seguir o vídeo da entrevista que fiz na CBN.

Imagem de Amostra do You Tube

Breves devaneios de um otimista digital

Nos livramos da paranoica máquina déspota de Chaplin em Tempos Modernos, mas continuamos oprimidos e pequenos. O que nos oprime, contudo, não é mais a imensa engrenagem, mas o ínfimo bit. Ao contrário dos tempos em que a ignorância regia o planeta, não é mais a escassez de informações que nos estorva, mas o excesso delas. Como um exército de formigas, os bits nos cobrem, nos subjugam. As engrenagens, essas, coitadas, passaram a ser controladas por eles também.

A promessa da desobrigação humana proporcionada pela tecnologia só nos torna cada vez mais ocupados. A imensidão de escolhas da pós-modernidade nos leva de volta ao prosaico. Desejamos consumir o vazio. Procuramos o sossego do espaço em branco, sem encontrá-lo, porém, em meio ao tudo que existe.

A ansiedade gerada pela notícia não sabida nos faz obstinados e vorazes leitores de emails, posts e tweets. Um segundo que se perde parece ter o poder de mudar a história de toda a humanidade. Enquanto isso, Ele, o tempo, passa, apático à nossa angústia. Vivemos cada vez mais rápido. Quanto mais velozes, mais efêmeros. Desperdiçamos a essência da contemplação. Triunfamos na abrangência, mas nos perdemos do detalhe. Cassiano Ricardo, poeta joseense, já nos dizia no início do século XX que

“Diante de coisa tão doida
Conservemo-nos serenos

Cada minuto da vida
Nunca é mais, é sempre menos

Ser é apenas uma face
Do não ser, e não do ser

Desde o instante em que se nasce
Já se começa a morrer.”

A eterna peleja do tempo. Temos estado tão atribulados. Atarantados com o cotidiano, confundimos o fim com o meio, o palco com a plateia. Será que nossa missão como seres humanos é simplesmente acumularmos riquezas o mais cedo que conseguirmos, vivermos das suas benesses e adiarmos a morte o quanto pudermos? Será que é só isso?

Há de haver uma saturação em que procuraremos o sentido de tudo isso. Corremos tanto que não sabemos mais para onde e nem porque. Se espreitarmos a vida em torno, como um ser nos observando de fora de nós mesmos, perceberemos um movimento, ainda que sutil, da busca de si próprio. A procura pela autenticidade das coisas.

Diante dessa pintura caótica e complexa do mundo em que vivemos, gostaria de lhe dar uma dica dessa nossa longa viagem, e a que considero a mais importante: tome cuidado para não perder o fator humano. A tecnologia não substitui o motivo pelo qual estamos todos aqui – construir um mundo melhor visando o bem comum e sermos felizes sem causar a infelicidade alheia. A tecnologia é uma ótima ferramenta para aproximar o ser humano de si mesmo. Foi feita para servir o homem, não o contrário. Se isso lhe soa como “use filtro solar”, você está certo. É necessária uma volta ao prosaico, uma volta a essência do próprio ser.

A sua prosperidade será medida pela quantidade de pessoas que você ajudou a prosperar também. A sua felicidade, pela quantidade de felicidade que gerou nas pessoas que tomaram contato com você. Madre Teresa citou uma frase certa vez que deveríamos trazer conosco como uma lição de vida: “Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz”.

É a nossa capacidade de nos solidarizarmos com nossos semelhantes e lutar pela humanidade de cada um deles – lembre-se do conceito de Ubuntu – que nos fará uma espécie vitoriosa. Será essa solidariedade que nos livrará do trágico final com o qual flertamos a cada homicídio ou desejo de vingança – a auto-destruição, como algumas vezes na história do mundo nos aproximamos tão perigosamente vendendo barato o nosso maior dom, a vida. A tecnologia, a internet, o marketing digital são só meios para construirmos uma história que desejaremos contar aos nossos netos. A tecnologia não é um fim em si mesma. Apenas um meio.

A internet é um meio para construirmos um legado e para que partamos deixando um mundo melhor do que o que encontramos quando chegamos. Um meio para promovermos uma vida digna para quem, por exemplo, a maior preocupação hoje não é se a campanha vai viralizar ou não, mas se irá conseguir comer no dia seguinte.

Há cerca de 1 bilhão de pessoas que passam fome no mundo. 1% da população detém 43% da riqueza mundial e 43% da população reparte 2% da riqueza. Cerca de 50% da população mundial vive com US$ 2,50 por dia. Esse não é o mundo que queremos deixar para nossos filhos. As estatísticas nos mostram que devemos fazer algo para mudar esse quadro e rápido. O abismo social está se tornando insustentável e o resultado nós já sentimos a cada calafrio que nos invade quando algum desconhecido se aproxima para perguntar as horas.

A mudança de consciência do ser humano com relação ao que está fazendo consigo mesmo já vem acontecendo há alguns anos, porém, faltava um elemento de ligação. Que fizesse com que as tímidas e estanques iniciativas formassem um único corpo para transformar a realidade. Acredito na internet como esse elementos de coesão. Uma ferramenta de democratização do conhecimento gerador de riqueza, de distribuição mais igualitária de renda em nível global e de formação de indivíduos que compreendam e aceitem a diferença. Posso ser considerado um otimista, mas quando observo as belíssimas ações sociais que pequenos grupos de pessoas têm realizado ao redor do mundo para transformar sua sociedade, vejo que tenho motivos para acreditar na solidariedade, na consideração do ser humano com os seus semelhantes – do latim “con”= junto e “sidera”= estrelas, por alguém junto às estrelas.

Em uma passagem do filme “O Dia em que a Terra Parou”, Keanu Reevers (na versão mais moderna), interpretando o extra-terrestre Klaatu com poderes de exterminar toda a raça humana, tem uma discussão filosófica com um prêmio Nobel, Professor Barnhardt (interpretado por John Cleese). O motivo da eminente exterminação da nossa espécie seria o que estaríamos (e estamos) fazendo com o planeta Terra, um dos poucos planetas no universo capaz de abrigar formas complexas de vida: destruindo-o. O professor argumenta que a humanidade, diante de uma situação limite, acharia seu caminho, assim como a própria espécie de Klaatu encontrou o seu. Algo como Jeff Goldblum dizendo “Nature finds its way” (a natureza encontra seu próprio caminho) em Parque dos Dinossauros. Estamos nessa situação limite. A crença de que a humanidade encontrará seu próprio caminho antes de ultrapassarmos o limite a partir do qual não haverá mais volta, divide o mundo entre otimistas, pessimistas e os que não pensaram sobre o assunto (que representa a maioria, infelizmente).

Nossa espécie não chegou até aqui por um mero acaso. Somos fruto de uma evolução contínua que nos trouxe das cavernas aos arranha-céus. Da pedra lascada ao iPad. As mazelas humanas das quais somos todos vítimas, ricos ou pobres, são frutos da vontade e da vaidade de uma porcentagem ínfima da população. A porcentagem que ainda detém o poder representado unicamente pela quantidade de zeros em sua conta bancária. Um Egito, uma Líbia, um ReclameAqui ou uma crise global de 2008 levando poderosos a bancarrota e fazendo países até então considerados pobres a ganharem o estatus de “emergentes” nos mostra que o eixo de poder está mudando de sentido.

Em um mundo em que o local virtual faz com que as pessoas se unam para lutarem pelos seus direitos independente do local onde habitam, bastando para isso ter uma conexão com o mundo e um hardware, faz com que a vontade de muitos seja mais forte do que o poder de poucos. Um novo mundo de possibilidades se abre a partir de então. Uma saída para o beco em que a humanidade se encontrava até o século passado em uma economia baseada na indústria e na manufatura. O poder será cada vez mais medido pela conexão e pelo compartilhamento, não mais unicamente pelo dinheiro. Será medido pelo capital social, não tanto pelo capital monetário. Talvez o melhor exemplo disso atualmente seja o Facebook.

É lógico que existe uma grande chance da história ainda nos reservar algumas surpresas com relação a isso. Com o aumento de poder advindo das massas conectadas, governos brigarão, não mais por terras ou petróleo, mas pelo controle da conexão. A semente disso já está acontecendo com sob o tema “imparcialidade da rede”. Será um mundo em que possivelmente hackers serão revolucionários construindo redes de conexão clandestinas e paralelas para manter a comunicação livre. MadMax parecerá um filme infantil diante de um mundo, como diria Thomas Friedman, quente, plano e lotado, e ainda com batalhas centradas em domínio de alta tecnologia de infra-estrutura de conexão global. A humanidade encontrará seu jeito? Acredito que sim.

A internet chega ao nosso cotidiano como um fator de coesão e potencialização humana. Uma enorme rede neural que transforma o próprio planeta Terra em um grande cérebro. Um cérebro é formado por neurônios e sinapses, dentre outros elementos. Atualmente o planeta, nossa plataforma cerebral global, é formada por cérebros e conexões. Um cérebro de cérebros. Não há como imaginar onde essa massa cefálica multicultural poderá nos levar dado que não sabemos ao certo nem a capacidade total de nosso próprio cérebro.
Assim como o organismo da menina do início de Guerra dos Mundos intuitivamente sabia que seu organismo solucionaria sozinho o problema do corte, acredito que esse grande organismo formado pelo nosso planeta Terra, seres humanos e a internet, que chamo carinhosamente de sistema geohumanointerativo, resolverá as suas próprias mazelas (recomendo ler a teoria de gaia, que considera o próprio planeta como um sistema complexo vivo).

Mudar o mundo não é algo fácil. Muitos dos que leem esse artigo tentam mudar a cabeça de seus chefes, de suas famílias ou simplesmente de seus amigos tentando mostrar que a internet é algo muito maior do que se percebe. É uma força criada pela natureza humana que modificou profundamente o criador. Que lhe fez enxergar mais longe e a criar uma nova dimensão existencial que interfere e modifica a dimensão física cotidiana. Da mesma maneira que você leitor, tenta mudar a cabeça dos seus pares quanto a eficiência da internet para mudar uma empresa, eu tento, através desses parágrafos finais, convencê-lo da internet como uma ferramenta de mudança global.

Mudar o mundo exige esforço, dedicação e principalmente persistência – “as pessoas não falham, elas desistem”, é a minha filosofia de vida. Não desista dos seus sonhos e conseguirá o que quiser, até mesmo mudar a sua própria realidade e das pessoas que o cercam por meio da rede. Finalmente, nós, indivíduos até então isolados pelo espaço, temos a oportunidade de nos juntarmos para discutir a mudança nesse espaço virtual e aumentarmos as chances de sucesso na nossa empreitada de construir um mundo melhor.
Concluído isso, terminarei meu breve devaneio, com uma frase que deve fazer você pensar:

Estou disposto a mudar o mundo. E você?

O futuro do e-commerce

Respondi algumas perguntas em uma entrevista sobre e-commerce para a Revista Crescimento Empresarial e gostaria de compartilhar a resposta de uma das perguntas com vocês. Comprem a revista para verem as outras respostas, ok? :)
Revista Crescimento Empresarial: O que podemos esperar do comércio eletrônico para os próximos anos?

Conrado Adolpho: Para entendermos a trajetória do comércio eletrônico ao longo dos anos, podemos estudar a própria história do varejo. Inicialmente tivemos os pequenos bazares vendendo itens de necessidade básica – comida, principalmente. Posteriormente os bazares cresceram acompanhando o crescimento populacional e do consumo e se transformaram nos grandes magazines vendendo de tudo.

Os magazines reinam durante um tempo – ganham a guerra – mas começam a perder público para as lojas segmentadas – começam a perder algumas batalhas. Pequenas lojas especializadas em tênis, em perfumes, em eletrônicos e outros itens passam a se posicionar melhor do que os magazines (como defenderia Al Ries).

As pequenas lojas especializadas crescem e começam a tirar muito público dos magazines. As ações desses grandes magazines já não valem tanto. A maioria não suporta a competição (Mesbla, Mappin e vários outros) e poucos sobram no mercado concentrando poder devido à geografia. Há espaços para poucos magazines no mundo fragmentado de hoje, principalmente quando temos os shopping centers, espaços agradáveis e de convívio com lojas de todos os tipos. A massificação da segmentação.

Alguns sobrevivem, passando de supermercados a grandes players – poucos, contudo. Um Wal-Mart consegue porque é agressivo com sua política de mercado. Quebra os pequenos supermercados locais (nos EUA) o que causa maior concentração de poder. Força os preços dos fornecedores, vende mais barato que todos e fica cada vez maior na região e posteriormente, globalmente.

Quanto maior a concentração de poder, como diria Karl Marx, maior o número de fusões e aquisições diminuindo os players no mercado. No final, só restarão a Eurásia, a Oceania e a Lestásia, porém, na versão “mercado”. Pode-se traduzir para Casas Bahia/Ponto Frio/ Pão de Açúcar/Barateiro/Extra, Carrefour, Wal-Mart/Big e  assim sucessivamente.

As pequenas lojas passam a se concentrar nos diferenciais, a experiência de compra, o atendimento, o produto premium, o ambiente etc. O varejo de hoje se torna cada vez em lojas baseadas na experiência com a marca. Muitas partem para terem um espaço de convívio como a Livraria Cultura, a Livraria Saraiva, o MacDonalds (que está se reposicionando, a começar por suas lojas na Europa), Postos de Gasolina com suas lojas de conveniência e muitas outras. Deixam de privilegiar o produto para privilegiar o convívio, o social, as pessoas.

Se compararmos com a história do comércio eletrônico, veremos uma trajetória muito parecida. Inicialmente temos pequenas lojas que começam vendendo um item ou outro (Booknet) e que passam a vender de tudo (Submarino) crescendo junto com a população (no caso, o próprio crescimento do público e-consumidor). Essas lojas ficam enormes e começam as fusões (B2W), aparecem as pequenas especializadas (Sack’s, NetShoes), elas crescem e começam a tirar público das grandes lojas iniciando uma estabilização e amadurecimento do mercado. O exemplo americano é bem sintomático nesse sentido. A Amazon, maior e-commerce do mundo, não tem mais de 10% do market-share americano.

Há, porém, algumas diferença com relação ao varejo tradicional, uma delas é preponderante para a mudança do cenário do varejo tradicional para o varejo online: o fator geográfico.

As lojas do varejo tradicional dependiam da população da sua localidade para crescer. Nesse cenário, a localização da loja era fundamental. Na internet não existe o fator geográfico. Isso acelera o processo de crescimento de maneira significativa. Uma loja especializada, na internet, consegue vender para qualquer pessoa do mundo que queira comprar dela.

Antes, ela tinha que vender para o nicho de sua localidade, o que limitava muito seu crescimento. Imagine montar uma loja de material de patinação no gelo em São Paulo. É um nicho que não é tão grande em São Paulo, mas muito grande no mundo. Na internet, devido à queda da barreira geográfica, a loja de nicho vende para todas as pessoas que querem comprar tal produto, independente de onde ela esteja. Na internet, qualquer nicho vira mercado de massa, principalmente em um mundo com praticamente 7 bilhões de pessoas.

Isso muda tudo. Acelera o crescimento fazendo com ela se torne uma loja especializada enorme muito mais rapidamente. Compare o quanto uma loja como a Boticário demorou para crescer como marca especializada em cosméticos e quanto a Sack’s demorou para crescer especializada em perfumes e o quanto cada uma cresceu. Existem muitos  exemplos. Essa diferença de velocidades é devida principalmente à queda da barreira geográfica e à população crescente e ligada cada vez em tecnologia, além do aumento do poder de consumo do mundo por causa do crescimento do próprio capitalismo baseado em produção e consumo.

O comércio eletrônico ficará cada vez segmentado, da mesma maneira que o varejo tradicional. Se tornarão mais sociais (s-commerce) e se aproveitará cada vez do fator geográfico por meio do desejo e possibilidade de mobilidade (m-commerce) por parte do consumidor. A web semântica invadirá cada vez o e-commerce, mas não vamos iscutir ela por agora, pois é algo para uma outra pergunta só para tal assunto (aconselho que entenda o que é pelo livro “Pull” e em pesquisas na rede). Os produtos virão até nós na hora que precisarmos dele sem precisarmos procurá-los como fazemos hoje. Nossos celulares serão nosso supermercado e nosso cartão de crédito. Isso aumentará o nível de consumo de maneira que nem podemos imaginar.

Além de todos esses fatores, há alguns outros que potencializam esse cenário do e-commerce – o fator demográfico. Seremos 9 bilhões de pessoas em 2050 e 8 bilhões em 2025. Estamos crescendo em 1 bilhão de habitantes no planeta a ciclos de mais ou menos 12 anos. As pessoas tenderão cada vez mais a usar a tecnologia para tornar suas vidas mais produtivas e agradáveis em um mundo lotado (ou como diria Thomas Friedman, “quente, plano e lotado”). O poder de consumo só tenderá a aumentar, principalmente nos países emergentes. No Brasil teremos o bônus da demografia devido ao número médio relativamente baixo por de dependentes por adulto que hoje temos e a quantidade de pessoas na idade adulta e produtiva (vale a pena entender melhor sobre esse tema). Quanto mais pessoas produzindo riqueza, mais renda produzida, mais produtos sendo consumidos.

O e-commerce vai parar de ser chamado de e-commerce (ou m-commerce, ou s-commerce) como se fossem categorias diferentes de algo que é único para o consumidor – a compra. Não importará o canal, apenas a compra. Será como chamarmos compra em lojas de rua de r-commerce e compras no shoppings centers de sh-commerce. “Commerce” é “commerce” e ponto. É compra. É desejo e necessidade.

As pessoas comprarão produtos pelos tablets, pelos celulares, pela geladeira, pelo abajur. Haverá dispositivos de compra em todos os lugares. A praça – dos 4 Ps – estará em todos os lugares e já sabemos que quanto melhor a “distribuição”, mais vendas. A Coca-Cola nos ensinou isso no mercado tradicional. Não é agora que isso vai mudar. Só tende a aumentar.

É lógico que quanto mais longe vamos com nossas suposições, maior é o risco de errarmos. Pararei por aqui com a futurologia. Quem poderia prever o iPad há 3 ou 4 anos? A tecnologia nos surpreende todos os dias. Não dá para prevermos mais tão longe.

Uma coisa é certa, o comércio eletrônico, como ainda é chamado, mudou o mercado completamente e não há volta para isso. Ou as empresas se adaptam ou não sobreviverão a médio prazo.

Vídeo de Barry Schwartz falando sobre o paradoxo da escolha no TED

Trouxe nesse post, Barry Schwartz falando sobre o paradoxo da escolha no TED (legendado em 38 idiomas). Aliás, o site do TED tem muitas palestras sensacionais, sendo que muitas delas são legendadas pela própria comunidade (colaboração).

Um cérebro de cérebros

Se pensarmos na estrutura neural, do cérebro humano, com seus neurônios, sinapses e uma plataforma – o próprio cérebro – em muito tem em comum com a internet. Seres humanos seriam os neurônios, as sinapses seriam a comunicação via rede de informações.

O funcionamento da rede é muito similar ao funcionamento do cérebro humano, descentralizado em que há diversos caminhos para uma informação chegar de um lugar ao outro. A Terra então seria um cérebro de cérebros, dado que a internet hoje circunda o nosso planeta. Imaginar o próprio planeta como um grande cérebro formado por cérebros talvez mostre o potencial sem tamanho da rede mundial de pessoas (o que muita gente de rede mundial de computadores).

Se dizemos que não aproveitamos nem 10% do nosso cérebro, que é um só, que diremos do potencial da rede? Certamente aproveitamos ainda menos. Esse super cérebro, orgânico, descentralizado, com experiências diversas e multidisciplinar tem o poder de concentrar em si mesmo o conhecimento de toda a humanidade.

Pensando nisso, me vem à mente a questão da imparcialidade da rede. Grandes players, governos e provedores vão querer controlar a internet cada vez mais já que ela traz tamanha força – vide Egito, Líbia etc – inclusive de derrubar governos reunindo as pessoas em locais virtuais (uma vez que as ditaduras impedem as pessoas de se reunirem em locais físicos para discutir sobre o regime).

Acredito que em breve teremos políticas de controle da rede (na verdade, já temos) e contra movimentos criando ferramentas para burlar tal controle. Os hackers do futuro não serão somente sobre softwares, mas muitos sobre hardwares. Construirão internets paralelas para se comunicarem sem o controle governamental. A próxima guerra será de e por informação.

Será que esse grande cérebro conseguirá recompor a si mesmo, como um Jonh Nash se auto-curando de sua esquizofrenia, rechaçando qualquer tentativa de comando-controle por parte da elite dominante sendo a internet um organismo vivo, fluido e, de certa forma, auto-regenerativo?


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