Categoria: Webliv

Conversas e devaneios em um sábado de manhã no RJ

Olá, amigos,

Estive ainda há pouco em uma excelente conversa com Bruno Garcia, da editora Com2B na Starbucks de Botafogo (RJ). É um enorme prazer conversar com pessoas que enxergam, não só o lado de negócios do marketing, mas também o lado social.

Resolvi escrever esse post porque na conversa surgiram alguns pontos interessantes para reflexão que gostaria de compartilhar com vocês.

Já falei no post em que analisei o filme “Comer, rezar, amar” a orientalização pela qual passa o nosso ocidente. Quanto a esse assunto, vale a pena ler a revista História Viva desse mês. A matéria de capa sugere que o mundo, em 2.100, ao contrário do que aconteceu nos últimos 500 anos, será dominado pelo Oriente, e não pelo ocidente.

A foto de uma criança chinesa, na muralha da China tomando uma lata de Coca-Cola é sintomática.

Edgar Morin, no seu artigo “da necessidade de um pensamento complexo”, mostra um pouco do lado do pensamento ocidental cartesiano e compartimentalizado, em contraposição ao pensamento holístico oriental.

Em todo sistema há variáveis que são formadas a partir da interação dos elementos do próprio sistema. Um sistema de 2 elementos há 3 objetos de estudo: o primeiro elemento, o segundo elemento e a interação entre os dois elementos – que por si só constitui uma variável. Utilizando o mesmo raciocínio, em um sistema de 3 elementos há os três elementos, as 3 interações dois a dois e 1 interação entre os 3 formando 7 objetos de estudo.

Em um mundo simples, em que há poucos elementos, é mais fácil inferir sobre seu funcionamento conhecendo somente os elementos em si e não as interações entre eles. O mundo atual é complexo demais para ser analisado dessa maneira. O número de objetos de estudo que representam as interações entre os elementos é muito maior do que a própria quantidade de elementos do sistema. Isso constitui um sistema complexo.

Quem diria que uma crise imobiliária nos EUA quebraria a Islândia? Elementos demais, interações demais. A previsibilidade vai por água abaixo em um mundo caótico e complexo. Um novo tipo de raciocínio deve ser praticado. Um raciocínio que lide com o ambiente líquido a todo momento.

A visão necessária para a sua compreensão deixa de ser cartesiana e separatista para ser holística, sistêmica, oriental. A visão que analisa o “todo” e não só as partes, para entender o conjunto. A própria medicina está se voltando para o estudo do contexto e não só para o sintoma de forma isolada. O ser humano é um sistema complexo. E ponha “complexo” nisso.

Outro tema interessante para discussão e reflexão que surgiu na mesa foi a questão da simulação da realidade a partir do desejo de se atingir a idealização imposta pela “vitrine”. Bauman discute sobre isso (no excelente e pessimista “Vida para consumo”) e Jean Baudrillard em “Simulacros e Simulação” (meu próximo livro da lista) também.

As pessoas vêem a estética produzida na vitrine e querem para si aquela idealização de mundo. O manequim perfeito, o carro sem arranhões ou a pele sem rugas. Como uma rosa que não traga seus espinhos ou a pele que não mostre suas marcas do tempo e da experiência de vida. O mundo impessoal, plástico e sem defeitos. Um mundo que definitivamente não existe.

A Editora Abril fez um estudo há alguns anos sobre “Y Trends”, tendências da geração Y. Uma das tendências era o “consumo de expectativa”. Muitas vezes o consumo da expectativa pela aquisição do bem é maior do que a satisfação pelo bem adquirido em si. Toda a industria do consumo trabalha sobre isso. Pense na Apple para exemplificar melhor essa parte.

A invenção de si próprio por meio de uma adaptação tosca de uma realidade inventada e conceitual. Nem preciso dizer o quanto isso influencia na percepção de felicidade de uma pessoa. Percebe-se tal busca em aspectos como as roupas e posturas adotadas por pessoas de diversas classes sociais. O livro “O brasileiro e seu corpo” (outra indicação de Bruno Garcia) de João Paulo Medina, discute um pouco esse assunto. A postura que revela.

Enfim, devaneios em um mundo digital. Pensar sobre a sociedade é o que faz com que entendamos o ambiente que estamos. Tenho certeza de que uma parceria de peso está se formando e posso lhes dizer, amigos leitores: aguardem novidades que virão do Rio de Janeiro. Não só um Treinamento Google Marketing, mas também outros eventos que farão diferença no mercado digital carioca.

Abraços a todos :)

A internet como instrumento de transformação do mundo

Para quem me conhece pessoalmente, sabe que uma das minhas maiores preocupações não é a otimização de um site ou uma campanha de links patrocinados, é como utilizar a internet para construir um mundo melhor. A internet, na minha visão, é uma ferramenta de transformação do quadro social.

O Banco Mundial revelou em um estudo relacionando o crescimento da economia de um país com o crescimento da banda larga em seu território. O objeto de estudo foi 120 países no período de 1980 a 2006. Tal análise revelou que para cada 10% de penetração da banda larga há um aumento de 1,21% no PIB per capita nos países desenvolvidos e 1,38% no PIB per capita dos países em desenvolvimento.

A internet muda a sociedade ao passo que, em uma economia baseada em informação (dinheiro, hoje, é “informação sobre dinheiro”, é bit), a rede é em si um meio natural de disseminação de dados. Uma compra de um produto em um e-commerce é compra de informação sobre produto (foto, preço, especificações técnicas etc.). Pagar com cartão de crédito é pagar com informação sobre dinheiro.

Um artigo interessante do portal Abril comenta sobre o crescimento da economia a partir da disseminação da banda larga colocando alguns exemplos reais em pauta. Há centenas, milhares de outros.

Atualmente no Brasil, segundo um estudo do IBGE, temos um quadro de insegurança alimentar que atingia 30,2% do lares brasileiros em 2009 (esse percentual era de 34,9% em 2004). 11,5 milhões de pessoas ficaram sem comer em pelo menos um dos 90 dias que antecederam à pesquisa, caracterizando um quadro de insegurança alimentar grave. Um artigo do site do Globo comenta tal estudo.

Se internet é um meio natural para a disseminação de informação e, atualmente, informação é dinheiro, nada mais natural do que a internet ser utilizada para a distribuição de renda. Isso já está acontecendo.

Um site americano, o  Donorschoose.org, promove a distribuição de renda por meio da rede. Você entra no site, escolhe uma escola e doa uma quantidade também escolhida por você para a compra de material escolar para escolas distribuídas por todo o território americano.

Um outro site, o The Girl Store.org, promove a compra de uniformes, material escolar e outras necessidades para garotas indianas sem condições financeiras para arcar com tais compras. Por meio de um crowdfunding solidário, a internet ajuda a mudar o quadro social de pessoas em todo o mundo.

O Brasil poderia ter muitas iniciativas desse tipo para fazer com que as milhões de pessoas que carecem de segurança em sua alimentação possam ter uma vida mais digna. Basta arregaçarmos as mangas.

Estou começando um projeto para distribuição de alimentos via internet para uma instituição nacional que atua nesse sentido. Quem tiver interesse em ajudar, entre em contato.

Vamos mudar o mundo?

Abraços a todos os leitores


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