Como será o mundo em 2024? Parte I

Imagino a cena.
O ano é 2024, eu no auge dos meus 50 anos tento explicar para meu filho mais novo como era vida em 2009.
- (…) e existia uma coisa chamada “grade de programação” que os canais de tv, desculpe, smarttv, escolhia os programas que iam passar do início ao fim da programação do dia.
- Pai, o que eram canais de tv? Em alguma hora do dia os programas paravam de passar?
Penso que será uma longa conversa. Devia ter escolhido outro assunto mais fácil, como “o que era o livro” ou “porque os celulares não recebiam e-mails”.
- Você já se conectou no EAD da escola de hoje? Digo, tentando dar um fim ao assunto lembrando-o da aula que ele ainda não tinha assistido. Os deveres da escola agora eram feitas pela smarttv.
- Pai, recebi um twittervideo outro dia de uma propaganda de um produto chamado Bombril. Era engraçada, mas um pouco mal feita. Isso era a tal “grade de programação”?
- Não, filho. as propagandas passavam entre os programas da grade de programação. Na realidade, os programas eram só uma boa desculpa para as pessoas assistirem as propagandas – penso que não devia ter continuado a conversa, mas não resisti em emitir minha opinião a respeito do quão absurdo era termos que assistir os tais intervalos comerciais no meio de um filme, cortando todo o suspense da cena do vilão que ia matar o mocinho.
- A grade de programação cortava o filme no meio para mostrar a propaganda? Que coisa horrorosa. Vocês não reclamavam no Twitter?
- O Twitter ainda não era uma rede global de comunicação, na verdade, era, mas os twits não apareciam na smarttv. Era tão normal assistirmos os intervalos no meio do filme que nós não achávamos que poderia existir outro jeito. Mas, voltando à grade de programação, era como se o Googlesoft – novo nome que o Google ganhou depois que comprou a quase falida Microsoft – escolhesse quais filmes do YouTube que todo mundo iria assistir em uma determinada hora. Você poderia escolher entre assistir e não assistir. E se perdesse o filme naquele dia, poderia assisti-lo de novo alguns meses depois quando o Google decidisse transmiti-lo de novo. Ah, em um mundo que só existiam uns 30 filmes passando a cada hora.
-Pai, não sei se entendi direito, mas a sua vida era muito chata.
- Era, sim, filho. Era, sim. Falo me lembrando que eu até gostava das propagandas do Bombril.
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By Marcelo, 04/11/2009 @ 14:31
Vc não acha um tanto quanto precipitado dizer que a moda “du jour”, aka Twitter, será relevante em 2024?
Eu não apostaria um centavo nisto.
By Conrado Adolpho, 04/11/2009 @ 14:42
Olá, Marcelo,
Também não apostaria um centavo nisso, mas, para não criar um nome estranho e para facilitar o fluxo da história, usei o Twitter.
Não dá para dizer que isso acontecerá e nem que não acontecerá.
Foi uma boa observação, mas o ponto principal da narrativa, que é bem curta, é o absurdo da “grade de programação” em tempos de YouTube. Quando a narrativa é curta, nos concentramos em alguns aspectos em detrimento de outros.
Abração
By Raphael Daolio, 10/11/2009 @ 14:45
Eu concordo plenamente e digo mais. Em 2024 a integração entre todas as plataformas será tão natural que as pessoas não saberão mais o nome de cada ferramenta como Twitter, Youtube etc…Tudo estará integrado e rodando no “Céu”, uma vez que já estaremos acima das “Nuvens” computacionais.