Estratégias em redes sociais (?)

Outro dia li um e-mail de um amigo que dizia finalmente ter conseguido implantar na empresa dele uma estratégia de redes sociais: criou perfis em mais de 20 redes sociais diferentes, como Twitter, Orkut, YouTube e Facebook.

Uma boa iniciativa, porem, com alguns pontos a serem discutidos.

O primeiro ponto é que não devemos confundir mídias sociais com redes sociais. O Twitter é uma mídia social, o YouTube é uma mídia social. O Orkut e o Facebook são redes sociais.

É uma confusão frequente dado a terminologia que é muito nova ainda. Estamos criando teoria sobre a questão, mas é bom estar atento.

O segundo ponto de conflito na frase de meu amigo é com relação à quantidade de perfis criados. Você já visitou o perfil da Tecnisa no MeAdiciona? Percebeu que a Tecnisa, uma das maiores construtoras do pais, com ação na bolsa de valores etc. só tem perfis criados em pouco mais de meia dúzia de mídias sociais?

Quando for criar perfis em redes sociais, prefira aquelas que em sintonia com seu público-alvo. De nada adiante você vender bolsas femininas e ter um perfil na www.kigol.com.br. A rede voltada para amantes do futebol não tem aderência ao seu mercado. Porém, ter um perfil bem trabalhado na ByMK faz todo o sentido.

Outro ponto é que as pessoas ainda jogam segundo as regras da velha economia. O nome do jogo atualmente não é mais “vendas”, é “relacionamento”.

A sua empresa deve criar uma linha de relacionamento com seu mercado – quanto mais longa essa linha, ou seja, quanto mais longevo for o relacionamento, mais a empresa ganha. É o que o marketing 1-to-1 ou os preceitos de CRM pregavam na década passada e que ganharam um anabolizante virtual com o advento da rede.

Mais do que o ciclo de vida de produto, passe a considerar o ciclo de vida do cliente.

Criar relacionamento não é ter perfis abandonados em dezenas de redes sociais, é interagir com cada post, com cada resposta de um usuário, é se tornar presente na vida do consumidor, não na rede social.

A rede é só uma ferramenta, o objetivo é ganhar seguidores, fãs, membros ou “amigos” para geração de negócios. Não preciso dizer que para gerar negócios, não adianta abandonar o consumidor depois que você deixa o seu cartão com ele. É preciso relacionamento com ele.

O terceiro ponto que gostaria de ressaltar é confundir estratégia com tática e tática com operação.

Estratégia é o caminho que está tomando. Pode ser, por exemplo, “vender para grandes clientes para que tenhamos uma marca forte para o mercado internacional”ou então, “ser líder em custos no nosso segmento”, ou ainda, “ter a maior rede de contatos dentre todos os nossos concorrentes”.

Essas são estratégias. Elas direcionam o seu negocio.

A tática são oportunidades ou ameaças momentâneas que provocam manobras rápidas para, por exemplo, ocupar um espaço deixado por seu concorrente ou para blindar um mercado ameaçado por um novo entrante.

A tática não é a estratégia. É preciso diferenciar uma da outra para que você possa saber qual o período de duração médio de cada ação de sua empresa.

A operação é o “quem”, “quando”, “onde” etc. É o famoso “colocar a mão na massa”.

Criar perfis em 20 redes sociais não é estratégia, é operação, no máximo, tática.

Antes de tomar decisões dessa natureza, é bom fazer algumas perguntas para a sua agência ou direção da empresa: Quais os movimentos pelos quais passam os nossos consumidores? O que provocou isso?  Quem são nossos consumidores? Em que mídias sociais eles se encontram? Dentre várias outras.

Não se deve criar um perfil em uma rede só porque o concorrente tem um lá. O planejamento de marketing digital deve ser feito de modo a incluir a criação de perfis em uma estratégia maior em que todas as ações conversem entre si.

Ações isoladas, seja em redes sociais, seja em e-mail marketing ou em SEO não surtem os efeitos que as empresas desejam. Integração e correto entendimento do que está sendo feito são fundamentais para o sucesso da sua estratégia.

7 Comentários

  • By Heronildes, 20/08/2010 @ 15:30

    realmente .. tudo bem descrito, e concordo com todo o texto .

  • By Daniel Macedo, 20/08/2010 @ 17:18

    Que legal conrado! Fiz um post sobre este assunto hoje no blog da Hulahoopi da uma olhada la http://www.hulahoopi.com.br/blog

  • By Rafael Marchesin, 11/09/2010 @ 00:04

    Conrado, estou lendo bastante sobre as redes sociais e o seu texto se enquandra dentro do que já li, achei bem interessanto algumas explanações suas aqui, gostei muito do texto. Se muitos empresários ou usuários da rede lessem seu texto, acredito que passariam a pensar de uma forma diferente no momento de acessar as redes sociais.
    Por algum acaso caí no blog e gostei dele. Pretendo me tornar um seguidor do mesmo. Parabéns pelos textos.

  • By Maria Fernanda Lacerda Pereira, 15/09/2010 @ 16:03

    Conrado, é muito importante ter em mente o público-alvo para elaborar as estratégias e táticas. Do contrário a perda de tempo será inevitável.
    Abraços
    http://www.webcontexto.com.br

  • By Rafael Daibs, 24/10/2010 @ 23:59

    Boa noite,Conrado e amigos.
    Realmente, a penetração da mensagem da marca no público desejado é fomentada através da correta adequação entre mídia x target. Acredito também que o planejamento deve ser flexível para que possa ser readaptado durante o período da ação, concordam?
    Abraços!

  • By Paulo Santiago, 27/03/2011 @ 18:30

    Interessante o texto, porém sua explicação sobre os termos “redes sociais” e “mídias sociais” está ligeiramente equivocada. Por definição, “redes sociais” são um “ponto de encontro” de pessoas a partir do qual é possível que um indivíduo se relacione com outros. Esse ponto de encontro pode ser um bar, uma praça ou o Twitter ou Facebook. Já a expressão “mídias sociais” relaciona-se com a definição de mídia, ou seja, um espaço em que se divulga algo para um grupo de pessoas, a grosso modo. Portanto, tanto o Twitter quanto o Facebook, o YouTube e o Orkut assumem o papel de “rede social” e de “mídia social” ao mesmo tempo.

  • By Conrado, 28/03/2011 @ 14:33

    Olá, Paulo,

    Nós dois estamos certos. Ninguém está equivocado.

    De fato, os conceitos de mídias sociais e redes sociais são bem mais complexos do que o exposto. Redes sociais são vistas desde a antiguidade. Falo um pouco disso no post sobre a Avon.

    Mídias sociais também englobam Facebook e Orkut, sim. Facebook e Orkut são redes sociais, ao passo que YouTube e Flickr, não são.

    Não falei que as redes sociais são uma parte das mídias sociais, logo, Facebook e Orkut também são mídias, além de redes, porém, deixei o link que define tal afirmação no próprio post, para hipertextualizar no terceiro parágrafo. Lendo o conteúdo do link, essa dúvida seria dirimida.

    Vou procurar colocar as explicações no próprio texto e não no hipertexto achando que todos irão ler o que indico :)

    Grande abraço

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