Eu sou do Jazz – Por Conrado Adolpho

É engraçado, mas poucos que me conhecem sabem que sou aficionado por jazz. Sou capaz de escutar por horas a fio suas linhas melódicas e, recentemente, descobri que escutar jazz enquanto estou trabalhando aumenta meu rendimento em pelo menos 200%. Principalmente Bebop.

Engraçado, não é?

As improvisações sobre o tema, comuns no jazz, levam muito – inclusive a mim – ao delírio. A música nos leva a um estado alterado de consciência em que naquele breve momento do acorde o mundo sucumbe à melodia. Um momento mágico.

De vez em quando vou deixar uns posts de artes em geral, que por sinal, gosto muito. Pintura – com destaque para a arte impressionista e barroca – dança – com destaque para flamenco e tango – escultura e muita música.

Música é uma locomotiva para mim. Cada acorde é um movimento do pistão que não apita mas assovia canções. Com relação ao jazz, talvez goste tanto dele porque sua natureza remete a um assunto que volto sempre nesse blog – o caos e a ordem. A entropia da mente, da criação e do universo gerando uma explosão criativa inexplicável.

Não dá para começar a falar de jazz sem falar de Miles Davis. Esse, que sem dúvida alguma, é um dos maiores expoentes desse estilo, foi magistral ao seu trompete calmo, com personalidade e extremamente melódico. Ele influenciou todas as gerações de músicos (de jazz e de vários outros estilos) que vieram depois dele.

Para quem está começando a ouvir jazz (nada de Kenny G., pelo amor de Deus), escutar Miles pode ser uma dádiva. Aconselho começar com o que foi uma de suas principais obras e que é um dos álbuns mais famosos do mundo – Kind of Blue.

Entre 1955 e 1957, Miles Davis imortalizou o que se chamou de Miles Davis Quintet. Em 1959, Miles volta a reunir alguns elementos do quinteto e grava Kind of Blue. Participam do disco:

Miles DavisTrompete;
Julian “Cannonball” AdderleySax Alto
John ColtraneSax Tenor
Wynton KellyPiano (Faixa 2)
Bill EvansPiano
Paul ChambersContrabaixo
Jimmy Cobb Bateria

É mais ou menos como reunir em um mesmo time o Pelé, o Maradona, O Zico, O Ronaldinho, o Garrincha, o Romário e o Ronaldinho Gaúcho. Como técnico: Bernardinho. Um time de primeira linha que não poderia resultar em nada menos do que um dos melhores discos de jazz de todos os tempos. (você estranhou a palavra “disco” – lembre-se que estamos em 1959)

Abaixo, deixo um presente para vocês. Um vídeo da gravação de So What, primeira faixa do Kind of Blue. Vale à pena cada nota. Gravação de 1958 com Miles e Coltrane. Veja:

  • http://www.akop.co Alexandre Kopelevitch

    Obrigado pela playlist Contrado!

    Gostaria de compartilhar também uma rádio que escuto bastante (no caso é Blues): http://www.radiotunes.com/modernblues

  • http://oscristaos.net Gabriel Monegatto

    Miles Davis e o seu trompete! hahaha;

    Ai sim mutante, excelentes escolhas.

  • Caroline Carvalho

    Amo MPB, Blues, Hip Hop, Samba de raiz…

  • http://www.aguiadasvendas.com.br Joval Lacerda

    Grande Conrado, sou amante das trilhas sonoras de filmes. Utilizo trilhas para produzir meus materiais de treinamento. Geralmente me emociono quando ouço determinadas trilhas e isso favorece a construção de textos regados a muita emoção.

  • Gizella Gigliotti

    Amo Jazz tb Conrado, ainda mais Miles Davis!!! <3
    Também viajo na música e no meu mundo quando escuto. Excelente dica! 😉

  • Edson

    Tudo bem, Conrado? Interessante opinião. Por acaso, ontem eu estava lendo o “The Animator’s Survival Kit” de Richard Williams (diretor de animação do Roger Rabbit), e lá pela página 41 ele conta que a experiência dele (e de muitos outros) é exatamente oposta à sua. Uma das primeiras lições do livro é justamente “Unplug!” Tire os fones de ouvido, desligue o rádio, pare a música, feche a porta, etc.
    Ele diz que como muitos artistas, costumava ouvir música clássica ou jazz enquanto trabalhava. Até que um dia ele visitou Milt Kahl, o “Michelangelo da Animação”.
    Disse que perguntou inocentemente se ele escutava musica clássica enquanto trabalhava. Ele retratou isso em algumas ilustrações inesquecíveis:
    https://uploads.disquscdn.com/images/b1fcf0ce6fd1eba71878e3daa4b6c762b8333d313a8ea0656395f80f27f0904e.jpg
    https://uploads.disquscdn.com/images/350017f4b08d4ad5ffcf04c90244421dd3bb1448a0012c2eab3e69b2a43a6244.jpg https://uploads.disquscdn.com/images/004367f17da1a3d50d34404f7e9b346704bcffc59d235fd1ecc49ecaa33fca0e.jpg
    Richard disse que como isso veio de um gênio, ele ficou impressionado. Depois disso ele passou a apreciar o silêncio antes de pegar o lápis – e suas animações melhoraram muito. Disse que passou a dica pra frente, e muitos artistas sentiram melhorar seu desempenho. Contou que dois animadores (computer animators) viciados em ouvir música foram ridicularizados por seus colegas por não terem mais fios na cabeça – só que todos ficaram impressionados com a melhora da qualidade do trabalho dos dois.
    “end of lesson one”
    Eu sei, cada um é diferente do outro, mas é algo a considerar. Mas a minha experiência é semelhante. Talvez devido o superestímulo que ocorre todo o tempo no mundo moderno, a mente funcione melhor sem ruído de fundo (mesmo se o ruído for boa música). De resto, sei que você leu a Autobiografia do Yogananda, que dizia: “Deus começa onde o movimento cessa”.
    Um abraço.

    • https://leandroborges.net/ Borges

      Eu acredito que o Conrado goste de Jazz, e por isso ele consiga produzir mais. Mas se remealmente ele fosse um aficcionado, ele não conseguiria trabalhar e se concentrar a mesmo tempo.

      Aficcionados por Jazz estão atentos a cada nota musical, à guitarra, ao contrabaixo, tentando descobrir qual o tempo do compasso composto de determinado trecho… Ou seja, é impossível se concentrar.

      Agora, bloquear a música urbana com sons agradáveis, sim, pode ajudar muito na concentração e produtividade.

  • Araújo Corretora

    Boa música!

  • Lilian Ferreira

    Esse é um dos melhores álbuns de Jazz que já ouvi! Miles Davis is so special!!

  • http://sineserraempregos.com.br/ Pedro Silva

    Eu sabia que você gostava de jazz, alguns vídeos seus tem música de fundo de jazz.

    Conrado, que tipos de filmes, series ou documentários você gosta de assistir?

    Abraço

    Pedro Silva
    http://petshoplinhares.com