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O texto a seguir faz parte dos três primeiros capítulos (de um total de 28) do meu livro "Google Marketing", sobre marketing digital editado pela Novatec (www.novatec.com.br) e lançado em abril de 2008.
Caso queira copiá-lo, faça-o livremente, mas peço que não altere o conteúdo e deixe visível os créditos "Autor: Conrado Adolpho - livro Google Marketing" com um link para o site www.conrado.com.br.
Obrigado.
O livro se encontra nas melhores livrarias do país.
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1.4 Dos blogs e jornais
Não são só as agências que consideram a internet um meio para reproduzir conceitos da velha economia, só que agora em bits e com cores RGB. Tomemos o exemplo da indústria jornalística.
Uma coisa é um jornal que tem seu conteúdo replicado na web, outra é um jornal que permite que os leitores comentem sobre suas notícias, que permita que os mesmos leitores enviem suas fotos tiradas a partir de seus celulares para fazer a notícia, que recebe notícias de jornalistas-cidadãos espalhados pelo mundo e que estão “dentro da notícia” – muito mais informados a respeito dela do que um repórter (que invariavelmente chegará atrasado ao evento), um jornal que tenha o formato de um blog e seja visto como uma vanguarda, e não como um dinossauro da mídia, um jornal que alie vídeos, podcasts, hipertextos (o hipertexto pode ser a solução para que alguns jornalistas parem com a mania de “requentar” notícias já dadas como se fossem deles).
Definitivamente, uma empresa jornalística que oferece uma outra proposta de valor para o consumidor. O jornal reconstruído com DNA interativo.
Muitos jornais consideram os blogs, de DNA interativo, de fato, como inimigos e os vêem como talibãs ladrões de público que, muitas vezes, copiam a notícia que tantos repórteres deram o sangue para obter e veiculam conteúdo que acaba por denegrir a atividade jornalística, achincalhando com a profissão do repórter.
Blogs também são freqüentemente citados como tendo conteúdo-lixo e qualidade duvidosa. Isto equivale a dizer que os cidadãos comuns não têm nada a dizer e que a nobre arte de informar não pode passar pelas mãos sujas daqueles que não têm no sangue a veia jornalística. Não sei, não, mas este discurso parece-me um pouco ditatorial.
Na disputa velada entre blogs e jornais, O Estado de São Paulo veiculou há pouco tempo uma campanha que deixou muitos leitores e autores de blogs, para dizer o mínimo, indignados – basicamente chamou blogs de pouco confiáveis.
Em vez de ver os blogs como aliados no trabalho importante de informar a população sobre o que acontece no mundo e na democrática ação de emitir uma opinião ao mundo – seja ele contra ou a favor desta opinião – os jornais vêem os blogs como uma ameaça ao seu sistema secular.
Por que os jornais não criam um “coloque esta notícia no seu blog” em vez de fechar o conteúdo de seu site?
Por que os jornais não pedem aos usuários “vocês podem contribuir com esta notícia?” em vez de de tachá-los de pouco confiáveis?
Por que os jornais não linkam as notícias de seus “concorrentes” – jornais ou blogs – em vez de falar que foram eles próprios que deram o furo?
É preciso esquecer tudo e aprender de novo, com outros professores. O mundo mudou – e andar em uma direção enquanto a Terra está girando em outra pode não parecer, mas é andar para trás.
Iniciativas 2.0 no mundo da produção de texto de maneira colaborativa já aparecem timidamente aqui no Brasil. Vale destacar o Blogblogs e o “Interney Blog” – mais discutido adiante no capítulo sobre blogs – um portal de blogs que se define como tendo “a pretensão de estimular o crescimento e o desenvolvimento da blogosfera brasileira, oferecendo a seus participantes hospedagem e liberdade total de criação, e ainda oferecendo a seus autores a possibilidade de remuneração”.
No Capítulo 20, destinado aos blogs, apresentamos vários cases e a lista dos blogs mais populares da blogosfera para você parar de reclamar que na internet só tem lixo. Merecem destaque o Digestivo Cultural, o blog Brainstorm#9 e o Carreira Solo – isto para só citar uns poucos. Vários outros sites e blogs que provam existir muita vida inteligente na internet serão citados aqui.
Tenho certeza de que, após ler alguns artigos e posts dos blogs mencionados neste livro, você vai chegar à conclusão de que a Talent, na campanha para o Estadão, não foi fiel à realidade do mercado que, ao invés de centrada nas grandes instituições, agora está centrada no consumidor.
Para algumas pessoas, há mais segurança em ler uma notícia com o selo de um grande jornal, porém, o consumidor, muitas vezes, confia mais no que um outro indivíduo “comum” tem a dizer, mesmo que ele não seja um profissional . Esta é a mesma velha ladainha entre o que é melhor, a Wikipédia ou a Encyclopedia Britannica.
O Estadão poderia aproveitar a opinião de tais indivíduos anônimos e em grande quantidade que já povoam a web, mas não ir de encontro a eles.
A Natura fez uma excelente ação de marketing quando se uniu a uma blogueira, como veremos no capítulo destinado a blogs, e hoje tem uma imagem muito mais sólida e confiável frente ao seu mercado.
Ao longo do livro você aprenderá a extrair o máximo deste novo pensamento que impera no mercado. Aprenderá como criar relacionamentos com seu público-alvo a partir das ferramentas disponíveis na internet, assim como novas ferramentas que sejam adequadas ao novo ambiente interativo, aprenderá a criar o seu blog, seu podcast, a utilizar as ferramentas da web 2.0.
Segundo a Wikipédia,
Web 2.0 é um termo cunhado em 2003 pela empresa estadunidense O’Reilly Media para designar uma segunda geração de comunidades e serviços baseados na plataforma web, como wikis, aplicações baseadas em folksonomia e redes sociais. Embora o termo tenha uma conotação de uma nova versão para a web, ele não se refere à atualização nas suas especificações técnicas, mas a uma mudança na forma como ela é encarada por usuários e desenvolvedores.
Tim O’Reilly, precursor do uso do termo web 2.0, diz que:
Web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva
Ainda na Wikipédia, temos alguns outros preceitos com relação à web 2.0 que valem a pena ser transcritos:
Segundo estes princípios, os softwares são desenvolvidos de modo que fiquem melhores quanto mais são usados, pois os usuários podem ajudar a torná-lo melhor.
O conteúdo dos websites também sofreu um enorme impacto com a web 2.0, dando ao usuário a possibilidade de participar, via de regra gerando e organizando as informações. Mesmo quando o conteúdo não é gerado pelos usuários, este pode ser enriquecido com comentários, avaliação ou personalização.
Algumas aplicações web 2.0 permitem a personalização do conteúdo mostrado para cada usuário, sob forma de página pessoal, permitindo a ele a filtragem de informação que considera relevante.
A organização do conteúdo é feita também pelo próprio usuário sob forma de marcações, em contraste de uma taxonomia do sistema. Para se aproximar do seu público, aprenderá a utilizar todo o potencial do mecanismo de busca do Google sem ter que gastar um único tostão, verá como veicular a sua marca de maneira inovadora para milhares de consumidores por meio do YouTube, aprenderá a direcionar conteúdo para seus nichos de mercado e, seja a sua empresa grande ou pequena, aprenderá como usufruir das novas ferramentas que nascem na internet como cogumelos. Dentre a enorme variedade delas, existem várias que têm exatamente as funcionalidades de que você ou sua empresa precisam.”
Talvez as melhores definições venham dos próprios profissionais de internet que estão no próprio Brasil. Vi no blog web 2.0 BR algumas definições de nomes de peso na internet brasileira, que reproduzo a seguir:
■ "Melhor aproveitamento da inteligência coletiva e do poder de processamento da máquina cliente. Poder às pessoas." – Marco Gomes – co-criador do Boo-Box.
■ "A web 2.0 representa a transição para um novo paradigma onde a colaboração ganha força suficiente para concorrer com os meios tradicionais de geração de conteúdo." – Renato Shirakashi – criador do Rec6.
■ "Mudança ocorrida na vida dos usuários que, com a banda larga, passam mais tempo on-line e exercem massivamente o potencial interativo da internet." – Carlos Nepomuceno – autor do livro Conhecimento em rede.
■ "Web 2.0 é um buzz word que define conteúdo gerado pelo usuário e com foco no compartilhamento de informações. Tudo regado a AJAX." – Nando Vieira – criador do Spesa.
■ "Web 2.0 é um novo paradigma na utilização e criação de web sites mais participativos e colaborativos." – Fabio Seixas – criador do Camiseteria.
■ "Web 2.0 é o termo usado para identificar uma nova forma de navegar pela internet e, conseqüentemente, de desenvolver aplicações orientadas à esta nova geração de internautas." – Diego Polo – criador do Linkk.
■ "Web 2.0 é como chamamos, depois de uma profunda análise histórica da web, um conjunto de práticas que ao longo dos anos provaram dar resultado." – Gilberto Jr – criador do Outrolado.
■ "A Web 2.0 aponta para uma mídia popular, independente de grandes corporações, recriada pelos seus próprios usuários." – Frederick van Amstel – editor do Usabilidoido.
■ "O registro dos fluxos de conversação entre usuários e o registro destes fluxos ao redor de aplicações." – Mauro Amaral – editor do CarreiraSolo.org.
■ "Web 2.0 é buzzword, é fato que a internet está sofrendo transformações, mas precisamos rotulá-la para que estas mudanças tenham validade? Pra maioria da população mundial, que ainda está off-line, essa é a web 1.0." – Edney Souza – editor Interney.
■ "Sinaliza uma fase na web onde se pratica a liberdade de falar e ser ouvido. É uma conseqüência natural do desenvolvimento da internet." – Vicente Tardin – editor do Webinsider.
■ "Web 2.0 usa a web como plataforma de socialização e interação entre usuários graças ao compartilhamento e criação conjunta de conteúdo." – Guilherme Felitti – repórter do IDG Now!
■ "Na web 2.0 não somos mais nômades caçadores-coletores: temos nome, plantamos conteúdo, colhemos conhecimento e criamos novos mundos." – Rene de Paula Jr. – projetos especiais, Yahoo! Brasil e editor do blog Roda e Avisa.
A revolução trazida pela internet para a comunicação com o mercado já é sentida na pele por muitos países do mundo com bem mais intensidade do que o é aqui, porém, em um “mundo não tão plano assim”, sabemos que para tais mudanças chegarem ao país de forma abrangente (atingindo em massa as classes C e D, além das já plenamente atingidas A e B) é apenas uma questão de tempo, de pouco tempo.
O blog BlueBus (outro que você pode colocar nos seus “favoritos” – 12 anos no ar) trouxe a notícia de uma pesquisa Mediascope Europe, realizada pela European Interactive Advertising Association, que diz que os jovens europeus estão usando mais a web do que a TV – 82% dos que têm entre 16 e 24 anos usam a internet de cinco a sete dias por semana, enquanto os que assistem à TV com a mesma regularidade estão na casa dos 77%.
Agências, preparai-vos, pois o debate está apenas começando e ele será muito benéfico para todos – anunciantes, agências, veículos e empresas de tecnologia em geral.
No evento DigitalAge2.0 (agosto de 2007), Luis Grottera, presidente da TBWA Brasil, e Suzana Apelbaum, sócia da Hello, ex-África e ex-Click, mostraram bem os dois lados em que a velha mídia e a dita nova mídia se encontram. Grottera defendeu o comercial de 30 segundos na TV e disse que internet nem é tudo isto que estão dizendo. Defendeu arduamente que uma campanha de TV gera recall de 20 a 30%, e, em sua opinião, trata-se de uma excelente média. Suzana apresentou cases de muito retorno para o anunciante, inclusive a campanha “Evolution”, criada para a DOVE pela Ogilvy – premiada em Cannes.
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