Compre Já
Google Marketing - O Guia Definitivo do Marketing Digital: Compre Já

Google Marketing - O guia definitivo do marketing digital

[ Ver detalhes ]

Depoimentos

Parabenizo a ótima palestra ajudando empresários e webmasters a usarem a Internet para o mercado mundial.

Leonardo Valentin Zeferino - Impakto camisetas

-A A A+

8

O texto a seguir faz parte dos três primeiros capítulos (de um total de 28) do meu livro "Google Marketing", sobre marketing digital editado pela Novatec (www.novatec.com.br) e lançado em abril de 2008.

Caso queira copiá-lo, faça-o livremente, mas peço que não altere o conteúdo e deixe visível os créditos "Autor: Conrado Adolpho - livro Google Marketing" com um link para o site www.conrado.com.br.

Obrigado.

O livro se encontra nas melhores livrarias do país.
-------------------------------------------------------------------

 

capítulo 2
O átomo que virou bit

Há 28 anos, Alvin Toffler preconizou o que hoje testemunhamos a cada bit que trocamos na internet – a geração de riqueza passou das mãos da produção para as mãos da informação. Este simples fato tem trazido mudanças profundas na maneira como lidamos com os mais diversos aspectos da sociedade, do cultural ao político, do econômico ao religioso.

Toffler, um dos mais importantes futurólogos do planeta, previu, em 1970, que os computadores, até então imensas e pesadas máquinas, fariam parte do dia-a-dia das pessoas, apostou na redução do papel do Estado e outras previsões que, em sua grande maioria, se cumpriram.

Em 1980 lançou o clássico A terceira onda, livro no qual apresenta as diversas formas como a humanidade produziu riqueza ao longo dos séculos.

A primeira onda, primeira forma de produção de riqueza da humanidade, teria sido com o desenvolvimento da agricultura, quando o conhecimento era mínimo e do homem era exigido apenas que acordasse muito cedo e trabalhasse arduamente com seus próprios braços para que fosse próspero.

A segunda onda veio com a Revolução Industrial, tão bem-explicada por Adam Smith em seu A riqueza das nações. A produção de riqueza pela terra deu lugar à indústria e aos bens de consumo.

A terceira onda deu-se quando a produção de riqueza da indústria cedeu lugar ao conhecimento, que passou a ser não mais um meio adicional, mas, sim, dominante. Os átomos cada vez mais dão lugar aos bits de informação, fato observado e explorado por todas as nações que prosperam hoje no cenário mundial – Japão, Tigres asiáticos, China, Índia e outros em menor escala. No Brasil podemos observar as três ondas convivendo concomitantemente de maneira singular.

De 1980 até 1995, no Brasil e no mundo, presenciamos as primeiras mudanças em direção a essa nova sociedade – a informatização elevou a níveis nunca antes imaginados o fluxo e a organização da informação.

Podemos ver, por exemplo, um reflexo desta informatização na integração da cadeia de suprimentos diminuindo os níveis de estoques e aumentando a margem de lucro dos varejistas. Após a estabilização da moeda e a explosão do consumo no nosso país, sistemas que melhorassem o fluxo de informações por meio da cadeia de suprimentos transformaram o mercado de “orientação para o produto” para “orientação para a demanda”. Toda essa informatização faz com que cada vez menos os custos da cadeia produtiva estejam nas mãos da produção de bens e cada vez mais na prestação de serviços como mídia, entretenimento, educação, saúde e serviços financeiros, muitos deles exclusivamente dependentes de informação e conhecimento.

Fabricantes, atacadistas, varejistas e consumidores hoje se encontram ligados por um fluxo de dados constante que informa ao fabricante em tempo real o momento exato em que um produto seu passa pelo caixa de um supermercado, esteja ele em uma cidade de 30.000 habitantes ou em uma metrópole. Isto informa ao fabricante o nível de estoque do varejista, determinando se ele deve aumentar ou frear a produção. O controle do nível de estoques passou a ser nanometricamente controlado.

Tudo isto para quê? Para entender e agradar o consumidor. Ele é, de fato, o detentor da riqueza e do poder.

A economia do conhecimento muda completamente os parâmetros de valor. Uma idéia que gere uma vantagem competitiva para uma empresa pode valer milhões, talvez bilhões de dólares. Quanto não vale uma idéia como a que deu origem ao modelo de negócio hoje praticado pela Microsoft, ou a que sustentou o crescimento da Dell ao vender computadores antes de produzi-los de fato?

O conhecimento sobre todo o processo em que uma empresa está inserida, desde a produção do bem até o pós-compra, já na casa do próprio consumidor, incluindo seus hábitos de consumo e percepção do produto, torna esta organização mais ou menos lucrativa.

Em 1995, um fenômeno disruptivo abriu-se para o Brasil – a internet. Todas aquelas informações, que durante décadas foram transformadas em bits, agora poderiam trafegar livremente por computadores de todo o mundo, bastando, para tanto, um computador e uma linha telefônica.

A informação passa realmente a ser a verdadeira protagonista de mobilidade social. De livros a sofás, de músicas a relacionamentos, tudo é transformado em bits e comercializado por meio da grande rede. Ela perscruta e se torna cada vez mais presente em nosso dia-a-dia.

O quadro realista que podemos pintar hoje em nada se parecerá com o que pintaremos daqui a 10 anos. O que hoje pareceria Salvador Dalí, amanhã será um inocente retrato de uma cena cotidiana.

Não deixa de ser irônico que a ferramenta que está possibilitando tamanha mudança libertária no modo de vida das pessoas tenha nascido em meio ao clima da Guerra Fria, na véspera cotidiana do fim do mundo pelo holocausto nuclear. É justamente a internet que tem modificado a vida de indianos, brasileiros, norte-americanos e outras centenas de povos que vêem na rede uma chance de mobilidade social.

Não saber usar a internet em um futuro próximo será como não saber abrir um livro ou acender um fogão, não sabermos algo que nos permita viver a cidadania na sua completitude.

No livro O novo mundo digital, do consultor Ricardo Neves, li um termo que me pareceu uma perfeita definição para o nosso tempo – “renascença digital”. Uma era em que os olhares se voltam para o indivíduo, para a célula mais simples da sociedade – o cidadão. É ele quem detém o poder na era da internet.

A era pós-industrial, a era da informação – como preconizada por Alvin Toffler – valoriza o conhecimento, o qual só é produzido na mente humana aliando a informação à inteligência. A capacidade de pensar única e diferencial que faz com que sejamos a espécie dominante no planeta.

O conhecimento é hoje o que representavam, por exemplo, os grãos e a comida no início de nossa civilização. No documentário “Germes, Armas e Aço”, Jared Diamond mostrou que, pouco depois da humanidade descobrir os benefícios da agricultura e deixar de ser nômade para se fixar em um local, a descoberta de alimentos que pudessem ser estocados, principalmente grãos no Oriente Médio, liberou o ser humano para pensar em tecnologia, multiplicar-se e povoar. A estocagem de grãos liberou o homem para pensar, inovar e evoluir.

A humanidade como conhecemos começou de fato sua evolução após a invenção da escrita – há cerca de cinco mil anos. A partir de então, obtivemos a capacidade de estocar o conhecimento e não ficar mais limitado ao aprendizado local da nossa curta existência. Não tínhamos mais que reinventar uma série de coisas a cada nova geração.

Reflita sobre este parágrafo reportando-o aos nossos tempos. Com a informatização dos meios de produção, conseguimos estocar o conhecimento em uma quantidade significativa de uma maneira barata e fácil – em bits – em nossos computadores.

Seguindo a perspectiva histórica de nossos antepassados, que inventaram a escrita e passaram a estocar o conhecimento, agora conseguimos, inclusive, estocar a própria comunicação, que se tornou assíncrona com o Messenger e o e-mail. Isto sem falar de vídeos e sons.

A dupla PC-Windows possibilitou que uma grande base de usuários pudesse adotar uma plataforma padrão e, assim, preparar o mundo para o próximo passo da evolução – a compatibilidade.

Toda esta informação estocada em computadores de todo o mundo só começou a realmente mudar o mundo quando passou a ser compartilhada, alterada e reenviada por centenas de milhões de indivíduos em todo o planeta através da web.

O conhecimento “estocado”, construído por diversos indivíduos ao longo de poucas décadas de informatização, agora passa a ser compartilhado dentre todos. Não estamos falando mais só de estocar bits, mas, sim, de compartilhá-los, possibilitando aos outros reconstruir conhecimento a partir de bases preexistentes, o que torna tal reconstrução muito mais rápida e eficaz.

Podemos não estar sobre ombros de gigantes ao reconstruir uma informação na web, mas estamos sobre os ombros de milhares de seres comuns, como nós, que reconstruíram aquela mesma informação antes de nós. A meu ver, tal conhecimento em rede, tal construção coletiva pode ser ainda maior do que o mais alto dos gigantes.

O ser humano pode, finalmente, se libertar dos grilhões da ignorância se tiver um computador e uma linha telefônica. Pode acessar todo o conhecimento do mundo, se ao menos souber ler e entender o que está lendo. Pode pensar e reconstruir o seu próprio conhecimento.

A educação possibilitada pela rede pode mudar o mundo que conhecemos de maneira jamais vista. Em seu novo livro Riqueza revolucionária, Toffler mais uma vez se supera e nos mostra com uma lógica intocável que os bits irão erradicar a pobreza e, finalmente, mudar o mundo em que vivemos. Particularmente, acredito e luto por isto.

A capacidade que hoje temos de trabalhar em conjunto com indivíduos que podem estar em qualquer lugar do mundo e, inclusive, em qualquer outra época, desde que tenham registrado suas descobertas e opiniões, faz com que sejamos seres multitemporais.

Os mesmos seres multitemporais que nos tornamos quando olhamos para as estrelas (como mencionei no prefácio à primeira edição deste livro). É a teoria da relatividade em sua forma mais prosaica em que, de repente, temos o poder de dobrar o espaço-tempo como um Hiro Nakamura, em Heroes.

Passamos a existir em vários lugares e em vários tempos diferentes – uma prova disto é o memorável dueto de Nat King Cole, morto em 1965, com sua filha Natalie, cantando, em 1992, Unforgettable, sob bits anteriormente gravados por Nat.


voltar

Desenvolvido por: Publiweb - Links Patrocinados & Marketing Digital