Quem é seu sócio ou cônjuge?

Quer saber de verdade que tipo de pessoa é seu sócio (ou cônjuge)?

Quer saber em quem confiar na hora do aperto?

Há duas maneiras.

A primeira maneira é dar poder para as pessoas. Fique pobre e comece a pedir por ajuda. Fique doente e comece a pedir para cuidarem de você. Precise verdadeiramente dos outros.

Quando as pessoas tem poder, elas mostram quem realmente são. Será que aquelas pessoas nas quais você confia realmente lhe apoiarão quando você precisar? Pode acreditar: a ajuda aparecerá de onde você menos esperar. E talvez não seja de quem você acreditava vir o apoio.

Escutei uma vez o Rolim Amaro, falecido líder da TAM, falar uma grande verdade: “existem as pessoas que te trazem dinheiro e existem as pessoas que o dinheiro te traz”. Concordo. Sabedoria é saber distinguir umas das outras.

Lembro-me de que quando tinha uma empresa de relativo sucesso no passado, tinha centenas de amigos, sócios felizes e clientes satisfeitos.

Minha festa de aniversário teve mais de 200 pessoas.

Quando essa empresa quebrou, se tivesse feito uma outra festa, ela caberia em uma daquelas mesas de bar de 4 lugares. E ainda ia sobrar cadeira. Sendo que somente um dos 5 antigos sócios estaria nela.

Aprendi o valor da lealdade para quem lhe ajuda na dificuldade nessa época. Lembro-me de uma passagem da vida de Onássis em que alguém lhe disse para anotar o que as pessoas lhe fizeram de bom ou de ruim em uma caderneta para saber quanto tempo destinar para cada uma delas depois.

Dica: seja totalmente leal a quem lhe ajudou na crise e lhe tratou bem quando tinha poder sobre você.

A segunda maneira de conhecer quem as pessoas são de verdade é pressioná-las ao limite. Quanto mais você espreme uma pessoa, mais ela põe para fora tudo o que está do lado de dentro.

Experimente viver uma crise com o seu sócio. Mas nada de “marolinha”. Tem que ser daquelas crises de chorar de noite no quarto escuro. Falta de dinheiro, excesso de credores, falta de apoio e excesso de opiniões alheias sobre o que você “deveria ter feito”.

Quando uma sociedade fadada ao fracasso vive uma crise dessas, a primeira coisa que acontece é a caça às bruxas, ou seja, a procura pelos culpados.

Se a pessoa ao seu lado começa a apontar culpados (pior ainda se você é o acusado como culpado) mas não arregaça as mangas, cuidado. Se reclama, mas não tem atitudes maduras e objetivas, pense bem.

Racionalidade na crise é uma dádiva. É o que faz a diferença entre a empresa que vence na crise e a que perece nas dívidas.

Para conhecer as pessoas, analise os pequenos momentos de poder (como trata porteiros, garçons, manobristas e empregados em geral) e as pequenas crises (falta de dinheiro no caixa para pagar as contas desse mês). As atitudes diante desses breves momentos lhe dirão muito mais a respeito do seu sócio do que palavras empoladas e roupas garbosas.

Tenho uma última pergunta para você. E se o seu sócio lesse esse texto, o que ele pensaria de você?