Se levo esse sorriso…

Esse mundo virtual, algumas vezes, é bem estranho. Se você não se policiar perde o fator humano. O calor que faz com que nos percebamos parte da mesma espécie. O monitor distancia e cria um autismo digital em que nos remete a falsa percepção de que nosso mundo nos basta. Schopenhauer tem uma frase que gosto muito e termino todas as minhas palestras com ela: “Todo homem toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo”. Lembre-se sempre dessa frase para não cair nesse erro.

O mundo digital é só uma parte do mundo real, aquele no qual vivemos no dia a dia. O mundo que tem o cheiro de mato molhado que nenhuma máquina consegue imitar ou o por do sol que não consegue ser capturado em sua essência nem pela câmera mais potente. O mundo em que, somente lá, vemos do sorriso espontâneo da criança ou a sensação de beber nos lábios da mulher amada o perfume de seus sorrisos, como diria Vinícius. Esse mundo é o mundo real. E é sensacional.

Várias das pessoas que estão no meu Facebook ou no meu Twitter se resumem a nomes, fotos, informações compartilhadas. Há quem diga que somos o que compartilhamos, mas somos bem mais do que isso. Por isso faço questão de conversar com as pessoas ao final de cada palestra. A internet é uma rede de pessoas, não de computadores.

Gente é o que importa. Há uma frase que gosto muito que fala um pouco disso, “conseguimos fazer uma festa sem dinheiro, mas não conseguimos fazer uma festa sem amigos”. O dinheiro não está nos bancos, está na sua capacidade de ser feliz fazendo o que você gosta. Na sua capacidade de amar o ser humano em suas diferenças e se importar com cada um dos que cruzam seu caminho, se importar de maneira honesta e verdadeira. De viver com propósito.

Existe um conceito africano chamado de Ubuntu – o mesmo nome do universo Linux – que significa, segundo Mandela, que só somos humanos através da humanidade dos outros. Se privamos os outros de exercer a sua condição humana nos tornamos menos humanos também – “Eu sou porque nós somos”.

Encorajado pelas histórias de alguns amigos (que, por sinal, bem mais difíceis do que a minha), resolvi escrever um post com a história da minha vida. Conto para poucas pessoas, mas acho que é importante para que me entendam na totalidade, não só o Conrado palestrante, ou o Conrado autor de livro, mas o Conrado Adolpho ser humano. Não quero ser só um rosto nos Facebooks de vocês :)

Poderia escrever um livro com essa história, mas vou começar com um post. Um longo post, mas, ainda assim, um post…

Para quem não sabe, sou natural do Rio de Janeiro. Quando terminei o 2º grau na minha cidade natal, resolvi fazer uma faculdade de ponta, porém, como a maioria dos adolescentes, não sabia exatamente o que queria. Se naquela época – 1991 – houvesse internet, eu saberia.

No início daquela década de 90, tendo estudado no colégio marista São José boa parte da minha vida, só existiam 2 profissões que eu conhecia melhor: advocacia (profissão da minha mãe), medicina (profissão dos meus tios). Engenharia era algo que não fazia a mínima ideia que existia e muito menos para que servia. As preocupações naquela época eram de sobrevivência básica. Venho de uma família pertencente às “classes menos favorecidas”, para ser politicamente correto :)

Apesar de ter feito colégio particular, minha mãe trabalhava noite e dia para conseguir me manter nele. Amigos chegavam de carro, lógico, enquanto ela ia me buscar de ônibus. Carro na família só demorou mais que o nosso primeiro aparelho de telefone – que demorou tanto que quando veio, já não valia mais nada. A infância foi bem difícil (na verdade, bem mais difícil para a minha mãe, para que fosse mais fácil para mim).

Um dia, inocente, perguntando para a minha mãe qual era a melhor faculdade do país, ela me falou do IME e do ITA. Eu descobri que o IME era uma faculdade militar e que teria que seguir o sistema da caserna. Como sempre prezei a minha liberdade acima de tudo, escolhi fazer ITA, pois não era totalmente militar. Eu poderia fazer um ano como militar e os outros 4 como civil (e como fui criado escutando muitas história do “mundo real”, como o golpe militar e os anos de ditadura no Brasil, o conceito de democracia, quedas de muros e de estátuas, a vida militar não me agradava muito).

É lógico que entre escolher o ITA e entrar no ITA há uma distância muito grande. A distância da superação pessoal, e esta costuma ser bem grande. Estudei muito para conseguir passar no vestibular, o que consegui dois anos depois. Trago uma filosofia de vida que as pessoas não falham, elas desistem. Se minha história puder lhe ensinar algo, grave essa frase. É a mais importante de todo esse post.

Cursei 3 anos no ITA e, para o espanto de todos que me conheciam (e que sabiam o quanto eu havia estudado para entrar na faculdade considerada a mais difícil do país) resolvi abandonar o ITA. Não era o que eu de fato queria. Aquilo não estava me fazendo feliz. Fui trancado e o escambau…não era para mim…infelizmente.

Tenho uma meta clara de ser feliz a cada minuto da minha vida (sem, contudo, causar a infelicidade alheia) – esse é o bem maior que persigo. O dinheiro é apenas uma consequência do quão feliz você é. Dinheiro não é um fim, é um meio. Pena que a maioria não entende isso. As pessoas confundem o palco com a plateia. No palco estamos apenas representando papeis – o papel de cliente, o papel de diretor, o papel de vendedor. Na plateia, para a qual deveríamos descer após o horário de trabalho, somos todos iguais e o objetivo desde a Grécia, sempre foi a felicidade.

Esse é um tema que é central na minha vida. A felicidade é algo que você tem que lutar e resgatar o tempo todo (“resgatar” porque a felicidade está dentro de você e não fora. Não está no carro nem no iPad. Está na sua consciência e maneira de enxergar o mundo). Ser feliz dá muito trabalho.

Vejo a infelicidade nos olhos das pessoas dia a dia, ano após ano e isso é muito triste. Se as pessoas se conhecessem melhor, saberiam o que as faria feliz e o que as deixaria triste. A vida é um presente muito precioso para que seja o troco sejam mágoas, arrependimentos e ressentimentos. Empregos massacrantes, casamentos indesejados, profissões forçadas. Muitas pessoas só existem, não vivem.

Logo cedo descobri que ser feliz lhe impõe escolhas por muitas vezes bem difíceis. Largar o ITA não foi algo tão fácil quanto as breves palavras podem transparecer. Esse fato me causou profundas reflexões durante anos e anos. Saber o que você não quer não significa saber o que você quer. Eu estava nesse dilema, então, a única opção foi continuar procurando.

Resolvi escolher uma outra cidade para morar, mudar de ares. Começar de novo. Não queria voltar para o Rio de Janeiro. Tinha que vencer sozinho para provar a mim mesmo que o caminho que eu tinha escolhido estava certo (apesar de todos me dizerem que eu estava fazendo uma loucura…e até eu, em algum momento, comecei a achar que eles estavam certos).

Depois de passar durante alguns meses por cidades como Curitiba, Belo Horizonte e São Paulo, escolhi Campinas e já que estava em Campinas, resolvi fazer Unicamp. Prestei vestibular para engenharia civil, no final de 96. Passei, assisti apenas uma única aula e tive a certeza absoluta de que não queria fazer engenharia. Abandonei a segunda faculdade depois do primeiro dia de aula.

Cabe uma ressalva nesse ponto. Quando eu estava no ensino fundamental, na quinta série, com uns 12 anos, passei a fazer pulseiras e vendê-las na escola. Foi minha primeira “empresa”. Com uns 14 anos, na sexta série, em uma fase muito esotérica, passei a prestar serviço de fazer mapas astrais (e ainda estudava a fundo as pirâmides do Egito e era Rosacruz…ainda hoje sou intrigado com muitas coisas metafísicas, mas minha fase esotérica acabou). Essa fase durou por volta de 3 anos.

Depois disso, passei a vender camisetas com desenhos (que eu fazia). Um “amigo” meu chegou a roubar um desenho meu, enviar para um concurso e ganhar um prêmio (!). Mui amigo…

Desde a quinta série tinha descoberto o que queria fazer, mas não sabia que isso poderia ser uma maneira de ganhar a vida – montar empresas.

A pessoa que nasce para ser empreendedora tem certeza de quer sê-lo. Pode até lutar contra, mas acaba cedendo. É mais forte do que ela. Bom…a essa altura da minha vida, já tinha descoberto – tivera nascido para ser empreeendedor.

Dito isso, quando cheguei em Campinas e não consegui emprego (na verdade, não cheguei a procurar nada que ferisse meu “imaturo orgulho”), porque não tinha praticamente nenhuma qualificação. Tinha sido plantonista e dado aulas em São José dos Campos, enquanto fazia ITA. Era algo que eu poderia fazer, mas havia poucos cursinhos pré-vestibulares em Campinas na época e não consegui nenhuma vaga.

Nos primeiros 4 meses de Campinas, resolvi pular algumas etapas. Mesmo passando alguns dias do mês comendo pão e bebendo água (nada a ver com dietas ou coisas do gênero, mas por pura falta de dinheiro para me manter), e depois de alguns alugueis e condomínios atrasados, resolvi abrir uma empresa – um cursinho pré-vestibular.

Você pode achar que pulei alguma informação entre o “não ter dinheiro nem para comer” e o “resolvi abrir uma empresa”. Não pulei. Foi simples assim.

Sempre tive a opinião que quando queremos fazer algo, primeiro temos que decidir “o que fazer”, para depois decidirmos o “como fazer”. Uma vez que você sabe qual o seu caminho, tudo fica mais fácil porque você descobre para onde tem que ir, que direção tomar. Eu e mais 2 amigos – outros dois perdidos como eu e que também tinham abandonado o ITA – decidimos montar o cursinho pré-vestibular. Em dois anos, depois de muitas penúrias e incompetências administrativas, chegamos a ter cerca de 200 alunos…e um gasto que era maior do que a receita.

Enquanto tinha o cursinho, nas horas de dificuldade financeiras, resolvi não tirar dinheiro dele e trabalhar em outro lugar para sobreviver. Como obviamente não poderia dar aulas em nenhum outro cursinho em Campinas, resolvi tentar outra área.

Queria algo relacionado com criatividade e artes, uma vez que gosto de artes e sou razoavelmente criativo. Encontrei minha oportunidade em agências de propaganda. Isso, em 1.997. Daí começou a minha história com a propaganda e, posteriormente, com o marketing.

Durante 97, 98 e 99, enquanto estava com o cursinho, trabalhava em agência de propagandas e dava aulas de química. Trabalhei com o Neto e o Beto da Ideale (aliás, se alguém souber onde ele está o Beto Lima, da extinta Ideale de Campinas, gostaria de dar um grande abraço nele e dizer o quanto sou grato por ter me ensinado a trabalhar com marketing) e depois trabalhei com o Silvio Bigon, da Spaço Publicidade.

Era uma vida completamente esquizofrênica. Às vezes eu estudava para a prova de química na agência junto dos designers e no outro dia pensava na arte de um anúncio enquanto estava dando uma aula de estequiometria (além de namorar uma menina que morava a 150 km de mim). Costumava dizer que a minha vida era um intervalo entre a fome e o sono.

Depois de 3,5 anos, o cursinho quebrou. Não foi uma falenciazinha leve, não. Ele quebrou de uma maneira espetacular que me deixou completamente na miséria.

A inexperiência de alguns garotos de vinte e poucos anos que achavam que “dissídio” era nome de remédio administrando uma empresa de mais de 30 funcionários e mais de 200 alunos (clientes) em um mercado extremamente competitivo como o de Campinas foi o caminho mais rápido para o desastre. E que desastre. Na época contratamos até um pai de santo para tentar salvar o negócio, mas isso é outra história…

Curiosamente foi esse desastre que fez com que eu descobrisse o que eu realmente gostava de fazer. Com a quebra do cursinho eu tinha o mundo inteiro a minha frente. Cheio de dívidas, qualquer caminho para mim, seria igualmente difícil, então podia ir para qualquer lugar que quisesse, fui para o marketing. É lógico que não foi assim tão imediato. Nunca é.

Anime-se. Já estamos na metade da história :)

Depois que o cursinho quebrou, atolado em dívidas até o pescoço, resolvi voltar para a Unicamp para cursar química. Na época, não tinha dinheiro nem para almoçar no famoso “bandeijão” da Unicamp, que custava R$2. Em alguns dias eu tinha que escolher se eu pegaria o ônibus para a Unicamp ou se eu almoçaria.

Achei que fosse virar professor de química, já que gostava muito de dar aulas (depois descobri que gostar de dar aulas não significava dar aulas só de química). Passei os dois anos seguintes, durante todo o ano de 2.000 e de 2.001 em uma depressão estranha. Parecia que o mundo estava turvo.

A falência do cursinho não foi algo fácil de aceitar. Foram dois anos perambulando pela vida, apenas vagando, apenas existindo.

Após esses dois anos depressivos, voltei à ativa, comecei a dar aulas de novo. Rapidamente assumi a coordenação de um cursinho. Coordenar era fácil, afinal eu sabia todas as coisas que não podiam ser feitas em um cursinho – era só fazer as coisas que sobraram e tudo daria certo.

Fiquei dando aulas de 2.001 a 2.003 sabendo que não era mais aquilo que eu queria. Um dia, em uma sala dos professores de um dos cursinhos em que estava dando aulas, em 2003, presenciei uma conversa entre 3 ou 4 professores reclamando da vida, xingando os alunos, praguejando contra o dono do cursinho. Naquele momento decidi que não queria virar uma pessoa amargurada daquele jeito. Resolvi mudar de atividade. mais uma vez eu digo, entre resolver mudar de atividade e de fato mudar, há um longo espaço de tempo.

Nesse meio tempo, abandonei o curso de química – minha terceira faculdade – e resolvi fazer um curso de química e física integrados (sinceramente, não sei onde eu estava com a cabeça). Larguei esse curso em poucos meses – minha quarta faculdade abandonada.

Cheguei a conclusão que a única faculdade que eu deveria fazer naquela altura era uma de filosofia. Já que eu não me entendia, talvez entendendo o pensamento dos outros eu descobrisse algo sobre mim. Passei a assistir várias aulas no Instituto de Ciência Humanas na Unicamp.

Lógico que isso não durou muito, mas até hoje estudo filosofia. Deveria ser matéria obrigatória em todas as séries do colégio. Ainda vou fazer (e terminar) um curso de filosofia.

Um pouco antes de 2.003, quando decidi largar a profissão de professor, passei a ajudar uma amiga de uma amiga minha. Ela estava abrindo uma empresa e precisava de algumas dicas. Era uma empresa de treinamentos empresariais em Língua Portuguesa. Era um negócio que unia algo que eu sabia – ensino – com algo em que eu já tinha trabalhado e gostado muito – marketing. Comecei a entrar no mundo de palestras a ajudando a vender as palestras dela para as empresas.

Estudando muito sobre marketing e estratégia de negócios, criei uma solução para a empresa dela baseando sua divulgação em algo que estava começando a pegar no Brasil – a internet. Vi que esse era o único caminho para aquela empresa. Poucos recursos, podendo vender para o Brasil inteiro. A estratégia principal foi a de utilizar buscadores – na época, o Yahoo! (que custava R$99 por mês…parece que foi ontem…na verdade, foi ontem)

A empresa começou a crescer vertiginosamente (hoje é uma das maiores empresas de cursos de argumentação e redação empresarial do país – www.scrittaonline.com.br).

No final de 2.004, após quase dois anos estudando marketing na internet (matéria que não havia nenhuma literatura sobre o assunto no Brasil) e tendo um tremendo case de sucesso, resolvi abrir uma agência que repetisse para outras empresas o que tinha sido feito para a Scritta. Só pude abrir a agência formalmente em 2.005. Lembra-se que disse que estava atolado em dívidas? Fiquei 5 anos pagando dívidas. Era triste dar aulas o dia inteiro, pegar praticamente todo o dinheiro e entregar para os credores. E não eram poucos.

Alugamos uma casa para ser a sede da agência (a minha cliente na Scritta resolveu se tornar minha sócia na agência), eu sai da república de estudantes que eu morava em Barão Geraldo , local de Campinas onde fica a Unicamp, e me mudei para a edícula de 4×3 m dos fundos da casa (para economizar o dinheiro do aluguel, lógico).

Há uma história engraçada nessa parte. Antes de alugarmos a casa, montei a agência na casa da minha sócia durante um mês e depois na recepção da sala de um amigo meu. A secretária dele tinha pedido as contas e eu passei a ser a secretária dele por uns 3 meses. Atendia telefones e marcava reuniões, mas também, ali, conseguia receber clientes e fechar contratos até que tivéssemos clientes para pagar um aluguel de uma casa. Daquele tal “imaturo orgulho” que disse ter quando cheguei em Campinas, não sobrou nem uma gota. Algumas vezes precisamos aprender algumas lições a duras penas. Sou grato por ter tido a chance de aprender e de mudar. Algumas pessoas nunca mudam.

Ela começou suas atividades com um capital inicial de cerca de R$ 6.000 – que se resumia a um computador, um programador, duas estagiárias não remuneradas e a organização de um evento para o lançamento da agência. Eu e minha sócia fazíamos todo o resto, de design a varrer o chão. De vendas a pagamento do aluguel.

A Publiweb não deveria ser focada em campanhas publicitárias, pura e simplesmente. Queríamos trabalhar com estratégias de negócios em ambiente online. Na época, em 2.005, o mercado ainda não conhecia isso, então resolvemos entrar no mercado como uma agência de SEO, que fazia sites e trabalhava-os para que eles ficassem na primeira página do Google.

Quando falávamos em “otimização de sites”, “estratégias de SEO” ou qualquer coisa do gênero as expressões das pessoas se alternavam entre descrença e “hein?”. Isso definitivamente não ajudava nas vendas. O mercado simplesmente não estava preparado. Tínhamos chegado muito cedo na festa.

Com meu passado de professor e com a minha sócia dando cursos para empresários pela Scritta resolvemos fazer o que sabíamos: ensinar. Teríamos que ensinar o mercado o que vendíamos para depois vender para ele aquilo que ensinamos.

Em 2.005 comecei a dar palestras beneficentes em Campinas. A entrada era um quilo de alimento não perecível (como curiosidade, vale dizer que em 2 anos ministrei 26 palestras e arrecadamos quase 2 toneladas de alimentos que doamos para instituições de caridade da cidade). Estávamos fechando contratos e a agência estava crescendo. Mantendo a estratégia do conteúdo e do ensino, em 2.006 reuni tudo o que eu falava nas palestras e o que aprendíamos no dia a dia da agência e resolvi colocar tudo isso em um livro – o “Google Marketing”.

Podemos dizer que praticamente ajudamos a criar esse mercado de marketing de buscas no Brasil. O livro abriu caminho para vários outros autores de marketing digital no país e o mercado cresceu. Hoje escuto coisas do tipo “se eu hoje trabalho com marketing digital e escrevi um livro sobre isso foi por sua causa”. Esse é o meu maior prêmio – saber que transformei a vida das pessoas para melhor. Recebo muitos e-mails de pessoas que passaram a ter uma vida mais digna por conta do livro, que aumentaram o faturamento das suas empresas passaram a viver melhor. Nada é maior do que isso.

O objetivo é esse: fazer com que o mercado aprenda e cresça como um todo e para todos, não somente para um grupinho fechado, como muitas vezes acontece com inovações em que muitas vezes o ego do homem é maior do que o próprio homem.

A partir daí a história é mais linear, sem tantos altos e baixos, sem começos e recomeços. Em dezembro de 2.007 me mudei da edícula da agência para um apartamento. Foi uma vitória poder voltar à vida normal. Nessa época também consegui comprar um carro. Outra vitória.

O livro começou a vender muito e passei a dar cada vez mais palestras. Com isso o mercado passou a entender melhor o que era marketing digital e conseguimos vender nossos serviços com um grande diferencial competitivo: o “Google Marketing” e o meu nome, que começou a ficar cada vez mais forte na área de marketing digital.

Formei em marketing – finalmente -, curso que comecei praticamente junto com a abertura da agência, fiz um curso de especialização em economia, MBA em estratégia empresarial e vou iniciar um mestrado em 2012 em desenvolvimento econômico. Hoje o “Google Marketing” é um dos livros de marketing mais vendidos do país e está com sua 4ª edição prevista para meados de julho. O livro será editado aqui no Brasil, europa e alguns outros países no mundo. Somos nós brasileiros exportando conhecimento de marketing digital!

Meu objetivo é mostrar para o mundo como que a internet contribui para tornar a sociedade mais igualitária.

O dinheiro atualmente é puro bit, é pura informação. Uma sequencia de números na tela de um computador. Existe muito mais informação sobre dinheiro do que dinheiro em espécie no mundo. A internet, porém, é a via natural dos bits. Nesse cenário, o dinheiro ficou muito mais fluído e trafega livremente pela internet modificando mercados. Hoje, devido a essa fluidez, ele pode ser distribuído mais facilmente.

Se antes tínhamos um eixo monetário global entre EUA-Europa, a ponte aérea do dinheiro global, hoje ele não tem mais pátria. Não é mais um dinheiro atômico preso em cofres de banco, são bits trafegando pelos mercados.

Essa fluidez faz com que consigamos muito mais facilmente deslocar esse eixo monetário global para nós, emergentes e mais ainda, para os que não tem nem computador nem internet nem nada. Veja o projeto http://www.donorschoose.org/. Doação de material escolar a partir de doações financeira de pessoas físicas pela internet. A informação transformada em dinheiro pela web e ajudando à crianças nos EUA.

Por isso acredito na internet como uma ferramenta de (r)evolução social à medida em que ela possibilita a distribuição de renda de forma mais plana em nível global. Um e-commerce nada mais é do que a compra de informação sobre produtos (e não o produto em si, mas a foto, o preço, a descrição etc. do produto – as informações do produto, é isso que você compra) em que você paga com informação sobre dinheiro (o cartão de crédito). A informação, os bits, são os protagonistas da história. Os átomos vêm depois que a informação decidiu a compra.

É nessa nova economia baseada em bits que temos a chance de construir um mundo melhor. Essa é a minha causa – construir um mundo melhor por meio da internet. A missão que escolhi para levar comigo de modo a nortear minhas atitudes.

A internet vai muito além de perfis em Twitter e campanhas de e-mail marketing.

Considero que tive muita sorte em encontrar o caminho daquilo que realmente gosto, quero proporcionar isso para os outros. Fazer com que as pessoas, através de suas pequenas empresas, possam ter tranquilidade para se encontrarem. Quando você está preocupado com as contas que têm para pagar, não há tranquilidade para se encontrar. Boa parte da infelicidade humana reside nesse ponto.

A minha experiência em aulas me possibilitou dar palestras pelas quais hoje sou conhecido. A minha passagem pelas ciência exatas e pelas ciências humanas me deu uma visão privilegiada sobre o conceito da web, que reúne bits e pessoas. Talvez por isso tenha uma visão tão particular do que é a rede.

Como diria Jobs, “conecting the dots”.

Para construir um mundo melhor por meio da internet, optei por ajudar pequenas e médias empresas por meio da distribuição de conteúdo acessível e em larga escala. Por isso me concentro cada vez mais em produção de conhecimento por meio de livros, palestras e cursos (além de estar abrindo uma ONG focada em projetos sociais na internet e idealizando um Fórum Social Digital que vai discutir como que a internet pode construir um mundo melhor).

Hoje a Publiweb está sendo tocada por dois gestores com experiência em gestão de agências web e produtoras web. Descobri, também a duras penas, que ainda não sou um bom gestor de empresas (Sou “hunter”, não “farmer”). Saber o que fazer e organizar os recursos disponíveis para fazê-lo continuamente, não como um projeto de start-up, mas na manutenção do dia a dia, são duas coisas muito diferentes. Resolvi sair da operação para participar somente do conselho da empresa. Me dedico hoje a iniciar projetos de alto impacto na sociedade e deixá-los de pé para que outra pessoa toque a rotina deles depois de criados.

Ajudar as empresas é uma maneira de atingir algo muito maior – mudar a economia do país fortalecendo o mercado interno por meio das pequenas empresas. De certa forma, com o livro e os cursos tenho conseguido isso. Acredito em um Brasil forte utilizando a internet para isso.

Os royalties do livro ou a receita obtida em palestra fica muito pequena frente ao que consigo impactar na sociedade por meio desse conhecimento. Isso é felicidade.

Lembra da frase “as pessoas não falham, elas desistem”? As pessoas desistem de alcançar a felicidade. Nunca desista. Ela é possível.

Obrigado.