Posts tagged: sociedade digital

A “mão invisível” em 140 caracteres

É interessante como alguns fatos nos trazem à realidade de vivermos em uma época muito diferente das que a antecederam – uma era de twitters

A ansiedade pela informação inédita, a exigência pela resposta rápida muda nossa rotina a cada twitt (ou a cada e-mail, na versão século XX)

Os instantes que se perdem sem memória, mas não sem cachês, twitt a twitt por milhões de ilustres anônimos invadem nossos próprios instantes

Por alguns momentos, entendo a crítica mordaz a blogueiros (e twitteiros) sobre a prática do não jornalismo (ou a não prática do jornalismo)

Informações sem validação, a acusação partidária e, algumas vezes, apenas a crítica pela crítica para não deixar seguidores orfãos de twitts

Twitt de no máximo 140 caracteres para transmitir alguma coisa, qualquer coisa, alguma opinião e, algumas vezes, qualquer opinião de alheios

Enquanto isso, nos twitts, um episódio curioso: alguém me acusa de esconder links no código de um site desenvolvido – um pecado capital #SEO

Alguém retwittou para um alguém que retwitta mais alguém que retwittara alguém que acabou retwittando alguém que retwitta para alguém também

A relatividade do tempo dos Twitters e a ansiedade de informação imediata faz o trabalho da divulgação sem a validação da veracidade do fato

Descubro o acontecido e fico me perguntando o que tivera acontecido para aparecer um link escondido em um site que fizemos há mais de 3 anos

Nunca fizemos sites com links escondidos mas, a pergunta que ecoou na minha mente durante uns dias fora o que havia acontecido com esse link

Certamente, ninguém se preocupou em responder essa pergunta, de forma a verificar a informação, quando retwittou a retwittada de mais alguém

Acredito na “mão invisível” de Adam Smith e foi exatamente ela que agiu quando alguém, contudo, se preocupou em verificar e achou a resposta

Um erro de CSS quando, há praticamente 3 anos, um site que foi feito para uma versão antiga do IE 6 foi aberto em uma versão nova do Firefox

O Twitter é, de fato, uma ótima ferramenta para criticar, elogiar, provar que o mercado é mais inteligente do que um ou dois twitts isolados

Finalizando esse post, a despeito de todas as críticas feitas a blogueiros e twitteiros sobre a nova prática do não-jornalismo – como mencionei – fico muito satisfeito em ver como a informação imediata gerada pelo Twitter nos mostra que a democratização da comunicação ainda é a melhor forma de convívio (e de governo), além de proporcionar a transparência que tanto desejávamos há milênios.

Putz…passei de 140 caracteres!

“As agências precisam se reestruturar”

Parafraseando Milton, “Certas canções que eu ouço cabem tão dentro de mim, que perguntar carece como não fui que fiz”, digo que algumas frases realmente caem em mim como uma benção.

O juri de Cyber do festival de Cannes alertou às agências que elas precisam se reestruturar para que campanhas em um mundo digital não dependam apenas de um redator e de um diretor de arte. A velha dupla de criação está caduca e dependente cada mais da tecnologia para uma verdadeira criação interativa. Não é um discurso cyber-apológico, mas sim uma necessidade de integração de equipes do mesmo modo como a própria internet exige.

Foi-se o tempo das campanhas de cigarro que diziam que ele fazia bem para a saúde. O público não aceita mais isso porque a web traz a informação e a interatividade (que dápossibilidade da reclamação em tempo real) que o consumidor sempre pediu.

Como já disse algumas centenas de vezes nesse blog, internet é uma área do conhecimento multidisplinar. Há o designer, o jornalista, o arquiteto de interfaces (que amplia o papel do designer porque pensa na usabilidade além da simples beleza), o programador, o gerente de projetos, o publicitário e ainda outros que não contei para não transformar esse post em uma lista de presença.

O modelo interativo que já impera na mente do consumidor ainda não chegou nas mentes dos diretores de agências e ainda menos nos bancos de faculdade – que é quem de fato preenche os espaços vazios do mercado de trabalho.

Um publicitário que tenha conhecimento do mundo dito offline e do mundo online com igual propriedade será valorizado como uma peça rara, simplesmente, porque praticamente não existe esse tipo de profissional.

Estudantes, não esperem da faculdade esse foco. Estudem por si só para preencher essa lacuna no mercado, que é enorme – um publicitário com conhecimento multidisplinar online e offline.  A faculdade de hoje se faz lendo e testando. Nos meus treinamentos sempre dou dicas de livros que eu chamo de “Biblioteca básica de marketing digital” (Vejam a partir do post 316).

As agências precisam de um novo modelo em que não haja mais uma dupla de criação, mas sim um trio de criação formado por: um redator que tenha conhecimento de webwriting e adequação do texto para mecanismos de busca, um designer de interface que entenda de comportamento de navegação do consumidor na web e usabilidade, um desenvolvedor que entenda de estratégias de SEO, novidades na área de SaaS e alguns outros conhecimentos paralelos.

O planejamento cada vez mais deve contemplar a campanha online, não como um apêndice, mas sim como o início de tudo. As pessoas cada dia mais na internet, seja por meio do celular ou do notebook. É lá que elas interagem e desenvolvem relacionamento com as marcas. É na internet que a campanha tem que começar para depois se expandir para os outros meios.

Concordo em gênero, número e grau com Jeff Benjamin, da Crispin Porter & Bogusky (por um acaso, presidente do juri Cyber de Cannes), que as agências precisam se reestruturar se quiserem produzir “campanhas dignas de levar alguns leões para casa”.

#ficaadica :)

Uma das maiores redes sociais do mundo (e não é o Facebook).

Outro dia estava lendo sobre uma rede social que já conta com mais de 300 milhões de membros e está presente em mais de 100 mercados. Em número de usuários ela só perde para o Facebook (mas dá muito mais lucro do que ele). Anualmente essa rede social fatura mais de US$ 10 bi e cresce de vento em popa.

O mais incrível é que ela tem mais de 100 anos, é uma marca conhecida mundialmente e ninguém acha que ela é uma rede social.

Para quem falou, “Avon”, acertou.

A Avon é uma das maiores redes sociais do mundo e desde sempre pratica o que hoje chamamos de comércio social – a junção do conceito de rede social com comércio, no caso pós-moderno, eletrônico.

Para entendermos a Avon como um case de sucesso de rede social aliada a comércio, vamos nos remeter a meados do século XIX, quando a Sears iniciou suas vendas por catálogo. Em 1876, em meio à expansão dos Estados Unidos para o interior, o gigante do varejo – Sears – percebeu que estava perdendo muito mercado em cidades de poucos habitantes, mas numerosas em quantidade.

Uma cidadela de mil habitantes, por exemplo, não justificaria a estrutura de uma Sears, mas certamente geraria vendas se bem trabalhada. A solução foi criar os famosos catálogos da Sears. Levava a informação sobre os produtos, mas não levava, de fato, os produtos.

A mesma estratégia de venda por catálogos foi utilizada pela Avon em 1896, menos de uma década após a sua fundação. A venda direta, porta a porta, aliada ao catálogo de produtos, transformou a Avon na líder mundial de vendas diretas ao longo dessas décadas.

A venda por catálogo é baseada na venda de informações sobre produto. O produto é entregue depois, no caso da Avon, cerca de 20 dias depois. Qual a diferença disso para uma venda em um site de comércio eletrônico? Somente a tecnologia. O conceito continua o mesmo – a venda de informação ao invés da venda do produto em si.

Alie-se a isso a questão da rede social. O que as revendedoras da Avon fazem ao visitar suas clientes e o conceito de rede social e não é muito diferente. As revendedoras têm uma rede de contatos, se tornam amigas das clientes (ou transformam as clientes em amigas) e, entre uma opinião sobre maridos e escola dos filhos, vende-se um produto.

A base é a amizade e a confiança na marca Avon e na revendedora, uma pessoa que entra na sua casa periodicamente. O comércio  é apenas conseqüência.

David McConnel, fundador da Avon criou, muito bem, diga-se de passagem, o conceito de comércio social sem nunca ter imaginado a internet e o Orkut, mas seu resultado está bem alicerçado sobre os conceitos que hoje tanto ouvimos falar com relação a Facebooks e Twitters.

Em tempos de internet, a Avon não poderia deixar de estar na internet, e está. É uma marca cada vez mais interativa e criou uma outra marca – Mark – para ter maior aderência com o público jovem, que tem aplicativo para iPhone e venda pelo Facebook. O verdadeiro comércio social.

O fato da Avon, maior rede de comércio social do mundo, off-line, estar direcionando esforços para atividades online mostra uma tendência clara de migração do comércio eletrônico para comércio social.

No outro extremo, que tal analisarmos o maior varejista do mundo para detectarmos tal tendência: a Amazon.

Recentemente o escritório de marcas e patentes dos Estados Unidos concedeu à Amazon uma patente de uma rede social. Será um movimento do maior varejista online em direção a Avon – criar a rede social baseada em comércio eletrônico?

Só o futuro dirá. Uma coisa é certa: em pouco tempo, plataformas de e-commerce que imitam o varejo off-line, que se limitam a mostrar os produtos e ter uma rotina de carrinho de compras, farão parte da pré-história do comércio eletrônico.

Não há ninguém melhor do que os nossos amigos ou clientes de uma determinada marca para falar sobre a qualidade dos produtos ou serviços. Essas pessoas estarão em nossa rede social.

Aliar comércio eletrônico à rede social, principalmente com a utilização de aplicativos em smartphones, será o futuro do que hoje chamamos de maneira prosaica de e-commerce, e que provavelmente se chamará simplesmente “comércio”.

Lifestreaming e as Redes sociais: o indivíduo como produto

Não se passa um dia que não ouvimos algo a respeito de como as redes sociais estão mudando as empresas, de como a eleição do Obama foi 2.0, de como utilizar o Twitter para gerar mais vendas e de como o Facebook está crescendo. Estas notícias já se tornaram lugar-comum. Cada vez mais as pessoas se ligam aos seus semelhantes pela internet fomentando uma grande debate de ideias, de conceitos, em torno de um ambiente sem geografia e sem relógio.

As redes sociais são mais do que uma ferramenta digital para ajudar em campanhas políticas. São uma nova maneira do homem exercer um velho hábito: se relacionar com seus pares.

O crescimento das redes sociais vem ao encontro do que Zygman Baugman denomina de “Vida para Consumo” (nome de um de seus livros) – o consumidor como produto.

Aliás, a estratégia de transformar ilustres anônimos em produtos é uma constância em programas como Big Brother, Survivor e toda a infinidade bizarra de “reality shows” que se espalham pelo mundo.

No Twitter você segue os tweets de famosos e com isso “consome” tal produto da mesma maneira que consome as fotos de um anônimo no Flickr ou um vídeo no YouTube.

É um sintoma claro da pós-modernidade, mas, a partir do momento que o ser humano vira produto, todas as regras de mercado aplicadas a produtos começam a ser aplicadas no tratamento e “venda” da imagem do indivíduo. A embalagem, o conceito, a divulgação, o tão falado “marketing pessoal”.

As redes sociais potencializam o “ser como produto” e passam a mostrar a individualidade de uma forma nunca vista, em detalhes. Pessoas relatam seu dia a dia no Twitter, postam fotos de suas viagens no Orkut e dizem minuto a minuto onde se encontram via FourSquare. 

É a era do lifestreming (já falei desse conceito em outro artigo). A ideia é seguir pessoas, não blogs ou tweets. Transformar a pessoa em produto a ser consumido.

É a partir dessa observação que muitas empresas têm agido de modo a transformar seus executivos em uma espécie de “garotos propaganda” da própria empresa. Transformá-los em celebridades instantâneas para que as pessoas o sigam, e por tabela, se liguem à marca da empresa.

Isso só é possível devido à natureza humana da internet, apesar de muitos acharem que ela é de natureza tecnológica. O Grau de Atividade do Consumidor faz com que ele se ligue a pessoas, não tanto à marcas ou empresas. Lembre-se de uma máxima: a internet não é uma rede de computadores, é uma rede de pessoas.

Preste atenção nessa tendência. Se bem utilizada, sua empresa pode gerar muitos lucros.

Redes Sociais Expandem a Sociedade dos Poetas Mortos

Oh Captain! My Captain! A frase é velha conhecida para aqueles que têm mais de 30 anos. O filme “A Sociedade dos Poetas Mortos”, com Robin Williams – trouxe a expressão Carpe Diem para as massas: uma celebração à vida.

No filme, passado em 1959, jovens estudantes de uma rígida escola americana foram sutilmente incentivados por John Keating, o professor transgressor (um antigo e certeiro chavão de Hollywood), a se reunirem para discutir poesia, falar sobre garotas e descobrirem-se como seres humanos completos.

Os tempos mudaram, a tecnologia mudou, porém, o espírito humano permaneceu praticamente o mesmo nos últimos 50 anos. O hábito de se reunir em grupos não arrefeceu ao longo das décadas, pelo contrário, só tem aumentado. Uma dessas reuniões aconteceu no fim do mês de janeiro de 2010 sob o nome, não mais de Sociedade dos Poetas Mortos, mas Campus Party – muito mais moderno e adequado aos novos tempos.

Em uma das palestras, Lawrence Lessig – professor de direito em Harvard e fundador do Creative Commons, proferiu uma frase que merece ser relembrada: “Antigamente, os jovens se reuniam pra falar sobre livros, música e filmes. Hoje, fazem isso online”. É a nova Dead Poets Society pós-moderna.

A reunião transcendeu as cavernas na escuridão e ganhou as ruas e as telas. Os jovens se reúnem em redes sociais, eventos abertos, salas de chat e em torno de ideias no Twitter. A reunião continua sendo em torno de ideias, mas agora, sem a barreira geográfica.

A tecnologia, chamada tantas vezes ao banco dos réus como a vilã das relações humanas, se mostra dia a dia como uma catalisadora social, porém, sob uma nova ótica. A ótica de um mundo sem fronteiras.

Os jovens do século XXI, agora enigmaticamente chamados de geração Y, geração Z, geração digital e outras denominações – notadamente influenciadas pelas novas tecnologias exatas – se voltam para um novo ser humano cibernético, o “homo cyber”. O ponto até então desconhecido entre o racional vulcaniano e o emocional bipolar.

O modelo de sociedade baseada na escassez e na restrição não serve mais para os nossos nativos digitais. A geração que passa o tempo todo plugada, discutindo, destruindo e reconstruindo suas identidades online, pensa sob uma lógica, diga-se de passagem, bem distinta de nós, que assistimos Sociedade dos Poetas Mortos no cinema.

Repensar o modelo custa caro para o status quo. E enquanto essa discussão não acontecer de maneira eficiente, o choque de gerações ficará mais acirrado do que nunca. A nova ordem que se impõe de baixo para cima é a da cultura livre. Assim como a operadora “Oi” prega a liberdade, muito bem ambientada no pensamento que toma o mundo de assalto, o movimento do software livre, do Creative Commons, da pirataria online e tantos outros trazem à tona a causa nobre da liberdade.

Por meio da internet, o homem se libertou do tempo, se libertou do espaço e se libertou do modelo hierárquico baseado na assimetria de informações.

De Ícaro a Linus, o espírito humano, de fato, não mudou. A escola em que o filme se passa, hoje é a nossa própria sociedade. Digamos todos “Oh Captain! My Captain!” e criemos um novo modelo de mundo baseado na escolha e não na imposição.

Fonte: Imasters


Assine minha newsletter
* indicates required

  • Categorias

  • Vídeos

  • Tags