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Afinal de contas, por que o Google é tão importante?

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Conrado Adolpho

A quantidade de informações que se recebe por dia é assombrosa. Outro dia, fui a uma loja comprar um smartphone para mim. Uma hora e meia depois de olhar incessantemente todas as opções disponíveis, vi-me incapaz de escolher com segurança um que se adequasse às minhas necessidades.

Para cada modelo que escolhia, o vendedor me mostrava ou eu via um melhor com mais funcionalidades e, lógico, mais caro. Quando tinha escolhido um, o vendedor falou: “Na semana que vem vou receber um da Nokia com tais e tais novidades…”. Resolvi voltar para casa sem o smartphone que havia escolhido.

Como muitos acham, a melhor opção é não ter opção. Por mais informações que tenhamos a respeito de um produto ou marca, sempre teremos que comparar os inúmeros critérios de escolha com seus pares. Dependendo do número, essa tarefa pode se tornar muito complexa.

O número de informações gera uma tremenda dispersão do público entre as mais distintas variáveis e caminhos.

Para distribuir todas as informações disponíveis e acomodar todos esses usuários, a quantidade de canais digitais que surgem a todo momento torna-se cada vez maior e mais segmentada. Isso significa, é claro, uma crescente dispersão do consumidor entre um sem-número de opções.

Ao contrário do mundo off-line, os indivíduos que se encontram na frente de um computador não estão concentrados em apenas uma dúzia ou uma centena de sites (no meu caso, uma dúzia de smartphones). A audiência está totalmente dispersa entre os bilhões de páginas existentes. Se escolher criteriosamente um dentre doze já é bem difícil, imagine multiplicar isso por nove casas decimais.

Uma considerável porcentagem de usuários parte do site Google e vai parar naquelas páginas que o mecanismo de busca aponta como as mais relevantes. Para cada palavra, contudo, há uma dezena de “mais relevantes”.

Imaginando que a quantidade de palavras que são digitadas pelos usuários do Google é tão grande quanto a diversidade de assuntos que há no mundo, a dispersão é bem grande.

Na época de ouro do broadcast e das mídias de massa, a tarefa de encontrar o consumidor foi facilmente resolvida e sustentou durante décadas o império da propaganda.

A quantidade de websites representa um grande problema para as agências, e, se vista com os olhos do velho mundo analógico, a tendência é que o problema se agrave.

Saber por onde navega seu consumidor e encontrá-lo é como achar uma jangada no oceano Atlântico: você pode até saber que ela está em algum lugar por lá, mas vai precisar gastar muito tempo e dinheiro para encontrá-la.

Frente ao problema de difícil solução que é encontrar seu consumidor, empresas gastam centenas de milhões de reais para resolvê-lo. Já sabemos que o usuário dispõe de inúmeros canais de informação que pode escolher, e que é ele, exclusivamente, quem escolhe o caminho a tomar e o que quer ver. Isso torna o problema de encontrá-lo, em primeira instância, bem difícil de ser solucionado. No entanto, o pressuposto está errado.

Há muito sabemos ser imprescindível uma significativa base de dados para que tenhamos informações suficientes – qualidade advinda da quantidade – que tornem possível uma boa escolha. Com a crescente velocidade e capacidade de armazenamento da informação, contudo, torna-se mais e mais difícil a triagem de informação de qualidade frente à quantidade que hoje se apresenta. Precisaríamos de vidas inteiras para extrair qualidade da quantidade.

Só o DeepBlue conseguia analisar 200 milhões de opções por segundo. Nós não chegamos nem perto disso. Não conseguimos analisar todas as informações com o grau aprofundado de que necessitamos. Este é um velho dilema da velha economia.

O mundo vive o dilema da informação: uma maior quantidade de dados sobre um assunto nos dá maior segurança para o processo decisório. No entanto, quanto mais informações, maiores também são nossa impotência e nosso desalento diante da abundância a ser verificada criteriosamente. Como dizia o Nobel de economia Herbert Simon, “cada abundância gera uma nova escassez”. A escassez agora não é mais de informações, é de atenção. Gerada pelo excesso de informações.

Uma análise pormenorizada de todos os dados nos daria a capacidade incontestável para tomar uma decisão, mas em um período de tempo que tendesse ao infinito.

Uma maior quantidade de informações nos dá segurança de escolha, ao mesmo tempo em que gera insegurança de não ter todos os dados necessários para a decisão, pois sempre haverá outras opções e informações a serem consideradas. Para vencer o dilema, optamos pelo reducionismo. Descartamos aquelas que não nos parecem relevantes a uma primeira e subjetiva análise para nos dedicarmos às restantes.

Para tanto, precisamos de algum critério que as reduza àquelas informações que nos interessam. Precisamos hierarquizar e priorizar os diversos dados de que dispomos para viabilizar a escolha.

O dilema pode ser resolvido por nós mesmos ou por alguém em quem confiemos, que nos dará as melhores opções. Esse alguém processará as milhões de alternativas disponíveis e selecionará de maneira rápida e eficiente aquelas que nos são pertinentes – um especialista que faça a interface entre nós e um mundo de dados que não nos é importante.

Com essa prévia análise podemos verificar um número limitado e hierarquizado de informações. Essa filtragem é essencial para que decidamos sobre uma base finita e relevante. A constante falta de tempo a qual todos estamos submetidos faz com que o papel desse intermediário seja de uma gradativa e crescente importância cotidiana.

O processo de escolha a partir da hierarquização de dados traz seu bônus. Entretanto, também apresenta seu ônus. A partir do momento em que eliminamos uma grande quantidade de informações para refletir mais demoradamente somente sobre algumas, o critério de filtragem torna-se o elo crítico de tal processo. O fato de termos de aplicar um critério de filtragem torna-o de fundamental valor para a priorização correta.

Com a hierarquização da busca pela melhor informação sob um determinado critério, muitas opções – que poderiam ser válidas em um outro critério – acabam por ficar de fora.

Um outro problema é que certo incômodo pode ser gerado a partir do momento em que o especialista, aquele que determina o critério de filtragem das informações, seja sujeito a uma relação promíscua entre o critério e as próprias opções.

Imagine um especialista em compra de carros que seja proprietário de uma concessionária de veículos da Ford, ou um médico que receba “incentivos” de um determinado laboratório (sabemos que isso não acontece no Brasil, certo?).

Tal especialista, que tem o papel de filtragem de dados, deve em primeira instância ser confiável. A credibilidade é sua arma para nos convencer de que usou o melhor critério. Uma vez que esse laço de confiança é estabelecido, o restante do processo ocorre de forma rápida e automática.

Todos sabemos que existe uma fragilidade do sistema de filtragem de editores-chefe de jornais, revistas ou rádios. O filtro humano opinativo e retórico.

Se o ser humano, com sua limitada e parcial visão de mundo, pode não ser o melhor especialista para nos servir de filtro, partamos para a matemática e, com ela, para as máquinas para serem nossos guias imparciais.

Apesar de muitos considerarem a estatística como a ciência da manipulação dos números (há, inclusive, uma piada que diz que se eu comi dois camarões e você não comeu nenhum, a estatística dirá que cada um de nós comeu um camarão, o que pode trazer resultados muito diferentes se você for alérgico!). Apesar de certa descrença com a estatística e com os números, eles ainda trafegam livremente pelo mais imparcial dos mundos – o da matemática.

A ascensão dos guias especialistas mecânicos explica-se, em boa parte, pela abrangência com que fazem suas pesquisas e pela imparcialidade de seus resultados, entre os quais há destaque para os mecanismos de busca do Google e do BuscaPé (enfim, um brazuca nesse universo).

O Google com seus critérios imparciais se torna facilmente o nosso especialista preferido para reduzir o número de opções para apenas dez. Em um mundo em que o bem mais escasso é a atenção, não é de se admirar que esse buscador tenha alcançado um papel tão importante na nossa nova economia global.

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