Boyz n the Hood

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Para quem não sabe, adoro cinema. Mais especificamente, adoro filmes. No cinema ou não. Acabei de ver um filme que me faz pensar a cada vez que o assisto (sim. Eu assisto o mesmo filme várias vezes). Se puder, veja. Boyz n the Hood, com Cuba Gooding Junior e Laurence Fishburne.

A teoria dos jogos tem uma afirmação que se encaixa muito bem no contexto do filme: “o jogo não é justo”. Nem sempre os maus são presos e nem sempre os bons são laureados. A luta para se alcançar um lugar almejado por tantos é dura para todos. Ética não conta tantos pontos, apenas lhe deixa em paz com sua consciência. Isso, é lógico, para quem tem uma.

O filme retrata a dura realidade de um bairro pobre de negros em Los Angeles. Aquele tipo de bairro em que a morte não chega a causar espanto. Temos muitos como esse no Brasil. É um filme que, além do enredo Hollywood, traz uma crítica social que merece ser observada mais a fundo. Se você, leitor, for negro, como o autor que vos escreve, merece ser visto com ainda mais atenção.

Poucos de nós, leitores desse blog, de fato estiveram em situações semelhantes às retratadas no filme. Sei que “poucos de nós” não significa “nenhum de nós” e posso dizer que já conheci muitos que passaram por situações até piores. Mas não desistiram de lutar. Porém, em um lugar em que as vítimas são produzidas em massa, o fator sorte conta bastante para se manter vivo.

Muitas vezes, ao relembrar as cenas do filme, me parece que vivemos em uma grande bolha. Um Truman Show em que o objetivo é traçado por quem não conhecemos e por por motivos que não sabemos exatamente quais são. Não sabemos porque corremos tanto nem para onde estamos indo, mas temos que continuar correndo. Ignorando os que nem tem para onde correr ou motivos para tal.

O filme mostra uma realidade que é a de muitos a nossa volta e que, se a observamos no cinema, glamourizada, no nosso mundo real se torna invisível. Um mundo que não queremos olhar nem interagir, pois fere nossa condição humana. Mas que nem por isso deixa de existir. Podemos mudar essa situação? Sim. Mas é difícil admitir que há algo tão errado bem diante de nossos olhos. Preferimos ignorar e fingir que não é conosco.

Onde irá parar um mundo em que o conceito de “vencer na vida” significa se afastar ao máximo possível do mundo que não queremos ver? Ele continua lá, mas a dita vitória tem o poder mágico de apagá-lo de nossas vistas com muros e jardins.

Construir um mundo melhor por meio da internet significa lembrar de que há muito a ser melhorado. Lembrar aos outros, mas principalmente a si mesmo.

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