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Das Kapital Digital

Em “Das Kapital“, também conhecido como “O Capital”, conjunto de livros escritos a partir do fim do século XIX, Karl Marx pregava que o capitalismo tende a uma situação de monopólio, à medida em que os grandes conglomerados esmagam os pequenos produtores e compram ou aniquilam seus concorrentes como forma de frear a queda da margem de lucro frente à taxa de juros devido ao aumento da concorrência.
Marx observava um movimento que se iniciava no mundo em que os cidadãos, desprovidos dos meios de produção da época, passavam a dispor somente de sua própria força de trabalho para garantir-lhes sobrevivência. Tal força de trabalho acabava por se tornar uma mercadoria que era vendida para outros, que detinham as máquinas e os meios para produzir seus bens de consumo.
É claro que naquela época não existia a Internet e toda a sua força niveladora e democrática., porém, nem tudo mudou, afinal, Marx não falava somente de capitalismo ou de meios de produção – falava fundamentalmente das pessoas e seus comportamentos frente ao sistema econômico que vigorava, e ainda vigora, na época.
A Internet, segundo Thomas Friedman em seu clássico O Mundo É Plano, aparece como uma das forças niveladoras que achata o mundo dando-lhe um aspecto muito homogêneo e contínuo. Em Wikinomics, Don Tapscott mostra o poder que o consumidor comum detém ao influenciar governos e pesquisas científicas a partir de seu notebook ou desktop. A revista Time, recentemente, elegeu como cidadão do ano “You”, o próprio cidadão comum. O Google permite que anunciantes dos mais diversos tamanhos, da oficina à montadora de automóveis, montem suas próprias campanhas de divulgação fazendo-os independente das agências ou dos veículos. Mas será tudo isso uma ilusão? uma Matrix que faz com que acreditemos ser livres, quando na realidade nos tornamos cada vez mais dependentes?
Goethe dizia que ninguém é mais escravo do que aquele que se considera livre sem o ser.
Hoje dependemos de energia, de celulares, de computadores e de várias outras invenções do homem para podermos exercer nossa cidadania em sua plenitude. O homem cria o que o escraviza. Até o ponto que criamos meios para nos comunicarmos e vivermos melhor em sociedade, não há nada de errado, a pergunta incômoda é “quem são os verdadeiros detentores desses meios?”
Utilizamos o YouTube para postarmos nossos vídeos e com isso nos tornamos, de novo, os donos dos meios de produção, à medida em que podemos comprar um câmera digital, um computador, uma linha discada ou banda larga e, a partir daí, baixar um programa de edição de vídeos na própria web. Detemos os meios para produzir, porém, o YouTube não é nosso – é do Google.
Nos comunicamos livremente com nossos amigos por meio do Messenger enviando fotos, sons, vídeos e o que mais quisermos compartilhar. Porém, o Messenger não é nosso – é da Microsoft.
Poderia perfilar centenas, milhares de exemplos em que temos várias formas de poder que convivem concomitante.
O poder de produzir passa para o cidadão comum, já que vivemos na “Toffleriana” era do conhecimento, mas essa não é mais a única resposta certa. O poder de geração de riqueza passou para as mãos de quem detém o conhecimento ou…para quem detám os veículos que permitem compartilhar esse conhecimento?
O próprio Vincent Cert, o “pai da Internet” e hoje membro da equipe de primeira linha do Google, diz que o poder está no compartilhamento de informações. Compartilhar informações é poder, mas deter os meios para tal ação também.
Temos dois polos de poder atualmente no mundo. O primeiro é o do cidadão comum, descentralizado, de gerar conhecimento. Muitas vezes um conhecimento sem direção e sem nenhum critério organizador, um conhecimento entrópico, não linear. Essa massa disforme de cidadãos alimenta a máquina com letras, fotos, vídeos e áudios sem parar a todo o momento.
O segundo polo de poder está em que detém o veículo para organizar, compartilhar, armazenar e proporcionar o acesso a tais informações, um poder concentrado nas maõs de poucos e organizado. As grandes corporações como Google, Microsoft, Yahoo! e algumas outras, além daquelas que permitem o acesso a toda essa informação – operadoras de telefonia e empresas de tv a cabo.
A situação, sem dúvida nenhuma, é melhor do que há 100 anos, em que a única maneira de um cidadão comum gerar riqueza para si era trocar sua força de trabalho por remuneração mensal. Hoje podemos escrever nossas memórias e criar empresas digitais que podem atingit o estrelato frente à essa massa de cidadãos e, mesmo não detendo os meios para circular essa informação, podemos acreditar de que eles continuarão aí por um bom tempo.
Em matéria lida recentemente, um repórter citava a concentração cada vez maior de usuários em uma quantidade cada vez menor de sites – conceito que nega o comentado “Cauda Longa” (de Chris Andersen). Isso não seria de espantar se reléssemos Das Kapital e o adaptássemos para uma era digital – a tendência à formação de monopólio no sistema capitalista -, porém, nega a tendência democrática da Internet.
Escolher entre a posição Marxista e a posição de Thomas Friedmam, Chris Andersen e Don Tapscott, é apenas uma questão de fé na humanidade. Uma fé de que essa massa de consumidores, quenunca leram Friedma, Andersen ou Tapscott, seguirão seus conselhos de exercer sua liberdade e, de fato, possibilitar aos pequenos que não sejam esmagados pelos maiores. O poder de escolha pela primeira vez está em nossas mãos.
Sejamos livres, conscientes de nossa liberdade.
Interessante sobre Wikinomics:

Em tempo: Ler os constantes e colossais movimentos do mercado digital é um bom começo para tomar uma posição quanto às observações feitas acima:

Conrado Adolpho

Minha missão no mundo: "Construir um mundo melhor por meio da internet". Autor do livro "Os 8Ps do Marketing Digital" e entusiasta da internet como fenômeno social.

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5 comentários

  1. Silas em 09/02/08 às 11:05

    Muito boa a reflexao Conrado !

    abraços,SF

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