Don’t be evil, but be smart: uma breve análise fria sobre o Google

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No curso 8Ps do Marketing Digital ensino os alunos a pensarem fora da caixa e além da interface. Pensar estrategicamente. Um dos assuntos que desenvolvo é entender como que as grandes empresas, como o Google e Facebook, nos transformam em produtos, não clientes (lembre-se de que se você não paga para usar, você não é o cliente, você é o produto). Vamos analisar uma dessas situações.

Em primeiro lugar, vamos seguir a seguinte linha de raciocínio – o Google é uma empresa aberta na bolsa, logo, ela tem basicamente 2 objetivos: gastar menos, ganhar mais. Para mostrar seu poderio ele precisa de dinheiro em caixa, muito dinheiro. E pode ter certeza que há gente dentro do Google só pensando em como ganhar dinheiro. Todos sabemos que onde o Google de fato ganha dinheiro é nos links patrocinados.

E a indústria SEO, que ele mesmo criou? Como fica? O Google tem a utilizado muito bem. Ele tem ensinado os analistas SEO por todo mundo, e são muitos a fazerem exatamente o que ele quer: sites mais leves de maneira que ele gaste menos em processamento de dados, promover Google+ (com o motivo de “sites que tem mais “+1” tem melhor classificação na busca) etc. O Google controla muito bem essa indústria e a partir dela faz com que suas iniciativas sejam muito mais lucrativas. Milhões de profissionais que trabalham por ele fazendo o que ele quer. Lembra daquela brincadeira “siga o mestre”? Falando de lembranças, lembrei de uma outra frase que traduz um pouco esse pensamento.

A questão não é se o jogo é bom ou não, mas sim, saber em qual jogo se está antes de aceitar jogar ou não. O jogo é muito mais complexo e tem muito mais implicações do que vemos nas letrinhas coloridas na telinha minimalista de busca. Muitos de nós não alcança a complexidade de uma empresa enorme como o Google. As estratégias, porém, podem ser desvendadas como em um jogo de xadrez. Ela vai se revelando à medida que o jogo prossegue e as jogadas vão se sucedendo. Vamos continuar nosso raciocínio.

Quanto mais empresas fizerem links patrocinados, mais o Google ganhará dinheiro. Não é na busca natural que o Google ganha dinheiro, logo, ele não pode facilitar a vida dos profissionais de SEO. E não tem facilitado. Pense nas várias atualizações que ele tem feito nos últimos anos. Na verdade, nos últimos meses (e tenho certeza que essa frase não fará esse post ficar desatualizado).

É cada vez mais difícil você fazer um bom trabalho e tudo que é difícil é caro. Hoje boa parte do peso de toda a questão de otimização está no conteúdo. Você deve construir conteúdo único, relevante, que tenha a preferência, não só das páginas (links de entrada), mas também de pessoas (Google +1), tem que ter páginas bem programadas e leves, não pode exagerar (?) em SEO etc. Além disso, de uma hora para outra o Google muda as regras na Googlelândia mexendo no índice e bagunçando a vida de muita gente.

Imagine qual será a primeira atitude de uma empresa que estava na primeira página do Google em uma boa palavra-chave quando o Google mudar algumas regras (ou melhor, atualize o algoritmo) e essa empresa despencar para a décima página da classificação nessa palavra. Essa empresa tem boa parte da sua receita vinda do Google e quando menos percebe fica dependente dele. Não pode mais abrir mão daquele tráfego porque agora, em virtude de uma maior receita, fez investimentos e tem uma estrutura maior, às custas do Google. Não é preciso ir muito longe para saber que a primeira atitude dessa empresa será fazer Adwords.

Por isso sempre digo que você tem que construir a sua lista de e-mails. Ela é que garantirá que você não fique dependente do Google. Uma vez que o Google te entregue uma visita, você tem que converter essa visita em um e-mail, um lead.

Sou capaz de apostar que a cada mudança no algoritmo do Google o seu faturamento (e valor das ações, em um segundo momento) aumenta de maneira significativa.

E toda a questão do conteúdo? Produzir conteúdo não é nada barato. Contratar redatores, criar conteúdo original quase que de maneira contínua pode ser proibitivo para os profissionais liberais, micro e pequenas empresas (até para as médias não é fácil). Para onde essas empresas vão correr uma vez que é cada vez mais “caro” fazer SEO? Para o Adwords. Aliás, os clientes do Google em Adwords não são as poucas grandes empresas com grandes orçamentos, mas sim as centendas de milhões de pequenas empresas e profissionais liberais com baixos orçamentos.

O Google ganha na quantidade, em trilhões de cliques de alguns poucos centavos por mês. Se é justamente a pequena empresa que é seu cliente, é para ela que o Google tem que criar suas estratégias de vendas. Quando o Google torna o SEO algo com alto valor agregado, e o torna proibitivo para as pequenas, ele as empurra para o Adwords. Já tinha resvalado por esse tema de SEO x Adwords em outro post.

É possível imaginar um cenário em que a busca natural será dominada pelas grandes empresas e algumas poucas pequenas empresas e o Adwords será cada vez mais concorrido entre as pequenas. E isso não levará muito tempo na velocidade que estamos indo com as alterações do algoritmo.

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