É só uma questão de zeros… e eles nem valem tanto assim!

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Certa vez a bandeira da China foi banhada de sangue. Na época, vi uma manchete que atualizava o número de mortos em mais de 10 mil no terremoto que deveria abalar a vida de cada ser humano da Terra – como aquela “queda na força” que Obi-Wan sentiu em Star Wars quando Darth Vader explodiu uma planeta inteiro com sua “estrela da morte” (Ok. Concordo que o papo está ficando muito geek!).

Eu disse “deveria abalar a vida de cada ser humano da Terra”. O tempo verbal certo, pois a preocupação que vi estampada em alguns jornais não foi nem o número de mortes nem o luto universal. O que no Brasil seria uma catástrofe que levaria embora a população de muitos bairros e até de algumas cidades – na China não passou de erro percentual – e bem baixo por sinal.

Tudo na China é grandioso. Sua população é enorme, a economia cresce absurdamente, as obras para as Olimpíadas foram monumentais. Uma ânsia de provar ao mundo sua antiga vocação para “Terra do Meio” – o centro do mundo. Pelo que chega até a gente, a China se tornou mesmo o centro do mundo, ou melhor, o centro da mídia naquele momento.

Parece que o Egito renasceu com os olhinhos puxados, porém, com a mesma ânsia megalomaníaca.

Como um enorme transatlântico de pedra, contudo, a China afirmou que nada iria mudar por causa dessa catástrofe (afinal, transatlânticos não mudam tão facilmente de rota, senão o Titanic não teria virado filme). O que são 10 mil mortos frente a mais de 1 bilhão de vidas que clamam pelo reconhecimento mundial de sua primazia e excelência nos jogos olímpicos? O transatlântico continua firme em seu objetivo de se tornar mais rápido e mais potente triturando e esmigalhando qualquer iceberg desavisado que esteja a sua frente.

A bandeira que há muito já era vermelha não se abalou com o sangue derramado. Sua cor não mudou e sua história absorverá mais essas mortes, algo que parece natural nesse mundo de excessos.

Recentemente me peguei pensando novamente nesta tragédia e o que mais me chamou a atenção foram as notícias que vi em vários jornais: “Terremoto na China não afetou instalações olímpicas“.

Entendi. O que são 10 mil vidas frente à grandiosidade do espetáculo chinês que nos reservou naquelas olimpíadas?

De acordo com Li Jiulin, engenheiro-chefe do projeto do “Ninho de Pássaro”, o estádio pode resistir a um tremor de terra de magnitude 8″. Pena que os mais de 10 mil mortos não puderam se abrigar nesse bunker pós-moderno para escaparem das mãos desse Deus ateu e comunista que sacudiu a terra da grande muralha.

Salve o progresso e a estatística.

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