Uma estátua para heróis desconhecidos

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Devíamos erguer uma estátua em homenagem ao “ambulante-espancado-de-cada-dia“.

Não estou falando de uma estátua em homenagem àquele conhecido como Índio, o ambulante espancado até a morte pelos dois pústulas selvagens em forma humana (a forma humana ilude, mas a essência selvagem mostra a verdade da besta).

Chamá-los simplesmente de “animais” seria uma grande ofensa a onças, leões, coiotes e afins que matam por comida ou por medo, mas não por prazer ou pura selvageria.

Não estou falando desse fato isolado causado por psicopatas nem por conta das notícias sensacionalistas que alimentam o escárnio da mídia. Estou falando do assassinado cotidiano que não vemos na TV pois se tornaria banal saber dos 170 assassinatos que acontecem por dia no país.

Aliás, ao terminar de ler esse texto, mais uma pessoa será assassinada no Brasil e não virará notícia. Você nem ficará sabendo, a não ser que seja alguém próximo a você (o que não seria tão incomum assim dada a quantidade diária).

Essa estátua teria até idade, cor e certamente não levaria um livro embaixo do braço. Isso porque homens jovens, negros e de baixa escolaridade representam mais da metade desses anônimos que viram estatística, não notícia.

Não estou falando do ambulante, mas sim do nosso brasileiro anônimo assassinado que representa 10% de todos os anônimos assassinados no mundo. Considerando que nossa população representa apenas 3% da população mundial, podemos dizer que estamos em uma guerra civil sem nome.

Devíamos erguer uma estátua para os 92% dos anônimos assassinatos que nem viram processo criminal. Vítimas dessa guerra civil que acontece silenciosamente no seio da pobreza. Anônimos cheios de sonhos que viram estatística. E você nem fica sabendo…

Devíamos erguer uma estátua também para os que morrem de dengue, de malária, que morrem do “deslizamento-nosso-de-cada-final-de-ano”, que morrem de fome, que vivem com menos de R$220 por mês em extrema pobreza. As categorias são tantas que não caberiam aqui.

Deveríamos erguer uma estátua a esse que muitas vezes é assassinado pelas mãos malditas da miséria e da violência gratuita todos os dias na favela mais próxima e não vira notícia. O nosso ambulante espancado de cada dia que não vira notícia.

Bom, agora que já leu o texto, vamos dar mais importância a morta da “Princesa Leia“.

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